San Diego Comic-Con 2020

Notícia

Hannibal | Criador Bryan Fuller fala sobre romance gay da série na Comic-Con

Seriado começou como uma "história sobre como homens héteros se apaixonam uns pelos outros", mas ganhou outros ares

Arthur Eloi
23.07.2020
22h45
Atualizada em
23.07.2020
23h02
Atualizada em 23.07.2020 às 23h02

Representação LGBTQI+ é um tópico bastante complicado no audiovisual, especialmente dentro dos filmes de terror, que frequentemente se apoiam em estereótipos datados que não condizem com a identidade de grande parte de seu público. Isso, é claro, não significa que não existam obras de horror queer, e o Shudder - streaming de terror da AMC - quer demonstrar isso com o documentário Horror is Queer. Para discutir a representatividade no gênero, a plataforma organizou um painel na San Diego Comic-Con.

Bryan Fuller foi um dos convidados, e durante a discussão ele explicou como abordou o tema em uma das obras de terror mais aclamadas da TV: Hannibal. “Hannibal talvez seja a coisa mais gay que eu já fiz desde Pushing Daisies”, abriu o criador, aos risos. Mais tarde, porém, Fuller falou sério ao descrever como a noção de um romance entre Will Graham (Hugh Dancy) e o vilão Hannibal Lecter (Mads Mikkelsen) se tornou um dos pontos-chave da narrativa.

Em Hannibal, não comecei com a intenção de contar um romance gay entre Will Graham e Hannibal Lecter, mas sim uma história sobre como homens héteros se apaixonam uns pelos outros”, falou Fuller. “Quando você compartilha sua obra com a comunidade, e com gente tentando entender sua mensagem, eles projetam essa temática queer na sua obra. Certamente existia essa dinâmica com os fãs de Hannibal, que projetavam isso em Will e Hannibal, mas eu não estava conscientemente investindo nisso no começo.

Virou queer não só ao ouvir os fãs, mas também ao explorar a autenticidade do relacionamento entre esses dois homens e perceber que havia um interesse romântico ali, até mais forte em um do que no outro. Isso poderia ser transformado em texto dramatizado. Não havia percebido isso porque estava tentando respeitar os livros de Thomas Harris, que não escreveu os personagens dessa forma. Mas o material, a comunidade e o elenco, todos se identificaram com a temática queer ao ponto de que se tornou difícil de ignorar.

Não era uma ‘agenda ideológica’, ou algo que tinha a intenção de fazer, mas foi algo que surgiu porque era fiel aos personagens”, concluiu Fuller. Assista ao painel completo do Horror is Queer no topo da página.

Hannibal foi cancelada em 2015. Durante o tempo que esteve no ar, Hannibal sempre sofreu com os números de audiência e esteve em constante risco de cancelamento, o que acabou acontecendo durante a exibição da terceira temporada do programa. No Brasil, o programa foi transmitido pelo canal pago AXN.

Boatos de que a série poderia ser comprada por outro canal ou por algum serviço de streaming ganharam força após o término do seriado, mas nenhum plano foi concretizado na época. Recentemente, o elenco se reuniu para discutir a possibilidade de uma quarta temporada - saiba mais.