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Vikings | Temporada final volta com despedida emocional e questões sobre futuro

Evento de peso no retorno evidência decisões questionáveis da produção

Arthur Eloi
01.01.2021
21h32
Atualizada em
04.01.2021
20h25
Atualizada em 04.01.2021 às 20h25

Nos últimos dias de dezembro, os fãs de Vikings no Brasil ganharam um presente de fim de ano: todos os dez episódios finais da série chegaram ao catálogo da Netflix. Considerando que até então o programa era transmitido semanalmente pelo canal Fox Premium, foi uma agradável surpresa. O início da reta final, porém, não pega leve no emocional, e se despede de grandes nomes ao mesmo tempo em que levanta algumas dúvidas sobre o que vem pela frente.

[Cuidado! Spoilers dos episódios 11 e 12 da sexta temporada de Vikings abaixo]

Anteriormente, Vikings havia entrado em hiato com Bjorn (Alexander Ludwig) sendo gravemente ferido por Ivar (Alex Hogh Andersen) durante uma batalha entre os exércitos dos irmãos. Por meses, os fãs ficaram se perguntando se esse seria o fim do guerreiro nórdico. O recém-lançado episódio 11 responde essa dúvida de forma bem direta: sim, é o fim da linha para Bjorn.

A euforia da batalha é deixada na metade anterior da temporada, com a continuação adotando um tom sóbrio enquanto Gunnhild (Ragga Ragnars) e os demais precisam aceitar a ideia de que o rei de Kattegat está em seus últimos momentos, e bolar um plano para enfrentar Ivar e a impiedosa invasão russa. Ver um personagem tão importante quanto Bjorn no seu leito de morte deixa o espectador na mesma que os eslavos, tomado pela sensação de impotência e confusão. São sensações fortes que a série sabe explorar ao longo do capítulo, mas que também soam um pouco anti climáticas.

Vikings não tem medo de matar seus personagens. Apenas alguns episódios antes, por exemplo, foi a vez de Lagertha (Katheryn Winnick) partir, uma das últimas integrantes do elenco original. Mas no caso de Bjorn a morte em si não pesa tanto, e sim que o evento parece utilizado apenas para o choque, sentimento reforçado pelo fato de que sucede um cliffhanger barato (ainda que efetivo).

Diferente de Lagertha ou Ragnar (Travis Fimmel), a partida de Bjorn não fica a altura de seu legado. Dos descendentes de Lothbrok, o guerreiro era o que mais refletia a figura do pai, seja pelo lado de combatente, monarca relutante ou de explorador. Seu crescimento ao longo dos anos foi tão importante que, em certo ponto, o criador Michael Hirst chegou até a declarar: “Bjorn é o centro do programa [...] Até parar para pensar, não havia percebido como ele é um dos principais - senão o principal - protagonistas do seriado”. Tê-lo descartado logo na volta do hiato, em uma morte tardia e sem muita glória, parece o oposto dessa afirmação.

Isso não significa necessariamente que o episódio final de Bjorn é ruim, afinal se trata de um evento bastante emocionante ao fã do programa. Em um último surto de criatividade estratégica, o guerreiro pede que espalhem a notícia de sua morte, veste sua armadura e aparece para liderar seu exército pela última vez. O truque funciona para reunir todos os demais governantes noruegueses ao seu lado, e também para abalar a fé dos invasores cristãos, que acreditam ver um espírito vingativo em suas frentes. No fim das contas, Bjorn é imortalizado como um líder militar, cuja saga será relembrada pela história. É um desfecho que falha em realmente capturar a complexidade que o tornou tão fascinante ao longo dos anos.

Passada a comoção, fica a dúvida: o que vem pela frente? Com a saída de Bjorn, o protagonismo da série cai nos ombros de Ivar, que até então havia servido de antagonista. Mas mesmo o Desossado não tem muito mais a resolver, apenas algumas desavenças com o maníaco Oleg (Danila Kozlovsky). Há também o arco de Ubbe (Patrick Jordan Smith) na Islândia, que deve justificar o retorno de Floki (Gustaf Skarsgard) para seus momentos finais. São subtramas interessantes, sim, mas que não parecem segurar a barra quando colocadas nos holofotes, especialmente na reta final da última temporada.

Isso não significa que o último ano de Vikings está condenado. São decisões questionáveis, mas a produção pode compensar com boa escrita, desfechos satisfatórios e até mesmo protagonismos inusitados, como uma possível ascensão de Gunnhild. Felizmente, dessa vez as respostas não vão demorar semanas para chegar. Elas estão a uma maratona de distância.

Todas as temporadas de Vikings estão disponíveis na Netflix

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