Cena de This Is Us

Créditos da imagem: NBC/Divulgação

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This is Us | Série volta aos trilhos no retorno da quinta temporada

Decisões sobre a grande revelação do início do ano recuperaram o bom senso da série

Henrique Haddefinir
06.01.2021
19h09
Atualizada em
06.01.2021
19h19
Atualizada em 06.01.2021 às 19h19

Quando a quinta temporada de This is Us estreou, ainda em 2020, o público foi apresentado a um grande gancho, uma revelação bombástica que prometia ser o norteador dessa já anunciada penúltima jornada. Tudo foi feito com aquele já lúdico e inteligente método emocional, em que a edição entrelaça presente e passado para nos levar a impressões que serão desconstruídas nos minutos finais. Randall (Sterling K. Brown) passou a ser um coringa dos roteiristas na hora de lidar com o desenvolvimento de plots a longo prazo; e exatamente por causa disso, foi ele o catalisador dessa nova grande mudança.

Trazer parentes perdidos ou nunca mencionados para a realidade de uma temporada pode ser preocupante. Fomos levados a acreditar por quatro anos que a mãe de Randall tinha morrido logo depois do parto e a decisão de insinuar que ela na verdade sobrevivera parecia irresponsável, desesperada, como uma ferramenta de última hora, criada apenas para garantir que os próximos episódios tivessem o que desenvolver. O mesmo recurso foi usado no terceiro ano, com a aparição do irmão de Jack (Milo Ventimiglia), recurso esse que prejudicou aquela temporada e nos deixou completamente atentos dali em diante.

A sobrevivência da mãe de Randall era delicada em muitos aspectos. Ela afetava a imagem de William (Ron Cephas Jones) de uma maneira desnecessária, já que o personagem tinha tido uma passagem tão bonita pela série e teria que ter mentido para o filho ao falar ma morte da mulher. Além disso, Randall e Rebeca (Mandy Moore) vinham construindo uma dinâmica complexa, que dependia muito da concepção dramática proposta pela ideia de que ele só tinha uma figura materna. Nenhuma das alternativas que justificavam a mudança no status da mãe de Randall parecia verdadeiramente planejada. Isso até o retorno da temporada, quando percebemos que Dan Fogelman não tinha a intenção de atingir todo o universo que construiu.

This is Motherhood

Estamos diante de uma leva de episódios que soa cada vez mais sincronizada. Todos os núcleos estão trabalhando a ideia de maternidade de alguma forma, seja direta ou indiretamente. Mesmo no núcleo de Kevin (Justin Hartley), em que a chegada dos filhos o atinge sob uma perspectiva pessoal muito ligada ao próprio pai, a gravidez de Madison (Caitlin Thompson) traz à tona discussões relevantes sobre como uma celebridade e uma pessoa anônima vão lidar com a construção de uma família. É bem verdade que Madison tem tido uma postura ligeiramente intransigente, mas até isso é calculado para manter Kevin longe do egocentrismo. Há o risco do roteiro lançar Madison ao poço das antipatias; contudo, por enquanto, ambos estão num estado confortável de negação.

O episódio de retorno também foi fundo no enredo envolvendo a adoção proposta por Kate (Chrissy Metz) e Toby (Chris Sullivan). O previsível seria que a história descambasse para a desistência da mãe da criança, mas Dan acertou o tom novamente ao decidir fazer com que o drama fosse positivo para Kate, que conseguiu finalmente resolver suas questões com o homem que abusou dela no passado. A informação de que a personagem passou por um aborto poderia ser gratuita, mas o texto salvou a situação do dramalhão expositivo quando fez com que houvesse algo em comum entre Kate e a mulher que vai proporcionar essa adoção. 

Entretanto, nada causou mais alívio nessa volta do que as descobertas sobre a mãe de Randall. Foi extremamente apaziguador perceber que tudo que William viveu na série seria protegido por uma decisão muito simples: a de que a mulher já estivesse morta. Não deve ter sido fácil resistir à ideía de trazer a personagem presencialmente para a vida dos personagens, mas Fogelman foi forte e preferiu preservar o que já tinha sido estabelecido. É claro que, mesmo morta, a mãe de Randall ainda vai ser parte importante do que os episódios explorarão a seguir, mas se continuar sendo mantida nas bolhas dos flashbacks, ela permanecerá onírica, inalcançável e incapaz de arranhar o quadro geral da narrativa.

Com um último ano já anunciado (o sexto), This is Us não precisa mais recorrer a surpresas fáceis para cativar seu público. A série pode começar a desenhar o fim com mais segurança e, com isso, atravessar a própria trajetória incólume, chegando até o último episódio digna da marca que comoveu pessoas ao redor do mundo. Uma boa história emociona e impressiona sozinha, sem precisar de surpresas superficiais, que funcionam muito mais como linhas tortas sublinhadas. 

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