Pedro Zappa em Santos Dumont/HBO

Créditos da imagem: HBO/Divulgação

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Midiático e misterioso: conheça o Santos Dumont de série da HBO

Criadores da minissérie falaram sobre a produção e o personagem que inspirou a história

Nicolaos Garófalo
10.11.2019
12h00
Atualizada em
09.11.2019
23h17
Atualizada em 09.11.2019 às 23h17

Nova minissérie nacional da HBO, Santos Dumont explora, em seis capítulos, a vida do inventor brasileiro, conhecido como o “Pai da Aviação”, responsável pelo primeiro voo em avião na história. Da infância de Dumont nas lavouras de café do pai, à vida adulta na alta sociedade de Paris, a produção expõe as diversas facetas de um dos nomes mais importantes da história do Brasil.

Ele era midiático. Se fosse hoje em dia, estaria no Instagram”, afirma Roberto Rios, vice-presidente de Produções Originais da HBO na América Latina, sobre a maneira como o inventor levava sua vida em Paris. As aparições de Dumont e seus testes em público na França renderam à produção da série uma gama de materiais sobre o brasileiro. Entre fotos, artigos de jornais e filmes, Dumont deixou para o mundo um longo histórico disponível para estudiosos e curiosos, como é o caso de Rios, um obcecado assumido por aviação e corrida espacial.

Sobre o início do projeto, desenvolvido pelos diretores Estevão Ciavatta e Fernando Acquarone, o produtor afirma que nunca houve dúvida sobre fazer ou não a minissérie, relembrando a curta reunião com os cineastas e a facilidade para convencer os chefes da emissora americana a produzir a minissérie. “A gente rapidinho vendeu a história. Ela estava querendo ser contada” lembra Rios.

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O visual da série, talvez um dos mais bonitos vistos em uma produção brasileira, fica ainda mais rico graças à boa caracterização e à semelhança física do ator João Pedro Zappa com o protagonista. Zappa contou com um rico acervo de biografias, fotos e livros do próprio inventor para montar sua atuação. “Eu olhava pras fotos do Dumont, pras expressões, tentando absorver o máximo que eu podia”, lembra o ator, que também se apoiou em uma vasta bibliografia indicada por Acquarone e Ciavatta para montar criar a personalidade de seu personagem.

Ao citar as aeronaves mostradas na série, Ciavatta contou sobre as buscas da produção por pessoas que tenham reproduzido as invenções de Dumont, tendo conversado com inventores que recriaram do 14 Bis ao chassi de um dos dirigíveis usados pelo brasileiro. Seu companheiro na produção, Acquarone argumenta que a série tem o maior acervo de máquinas criadas por Dumont, já que o inventor “destruiu todos os seus projetos”. “Quando você vê essa diversidade de projetos, percebe que ele era uma mente muito criativa, pensava fora da caixa e não tinha medo de errar” disse o cineasta.

A vida pessoal de Dumont é, obviamente, um dos principais temas da série. Lembrando as inúmeras biografias e especialistas usados como referência, Ciavatta diz que “existem aqueles que dizem que ele era homossexual, outros dizem que ele vivia cercado de mulheres em Paris e tem gente que acredita que ele morreu virgem. E pode ser tudo isso ao mesmo tempo, também”.

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Para Zappa, a energia de Dumont não se concentrava “no chacra sexual”, mas ascendia ao intelectual, a ponto de ele não conseguir ficar no chão. Já Acquarone vê seu foco no trabalho como uma questão de controle. “A mecânica é controlada. Agora, os sentimentos humanos são tão difíceis para ele que ele preferia focar a atenção dele em outro lugar”. O cineasta completou dizendo fazer parte do grupo que acredita que Dumont morreu virgem, apesar de não querer resolver a questão na série. "O Santos Dumont é um personagem muito misterioso, esse é o charme dele. A gente preferiu manter ele enigmático".

A mente sempre em movimento de Dumont, que eventualmente o levaria ao suicídio, também foi abordada pelos responsáveis pela série, especialmente por Zappa, que usou tudo o que tinha no acervo bibliográfico da produção para entrar na cabeça do inventor. “Pra mim, foi muito bom ler o que ele escreveu de próprio punho, porque você vai vendo como ele se organizava”. O lado destemido de Dumont também foi algo perceptível durante as pesquisas realizadas. "Ele testava todas as aeronaves ele mesmo, não era um piloto que ele contratava. Ele tinha muita coragem e não queria colocar ninguém em risco", diz Acquarone.

Ao citar os Irmãos Wright e a polêmica questão sobre os verdadeiros responsáveis pela criação do avião, Roberto Rios relembra a rápida evolução da aviação: "a gente precisa lembrar que o processo da aviação foi muito rápido. Se você imaginar que em 1905 não tinha um avião mais pesado que o ar, em 1914 já estavam lutando na Primeira Guerra Mundial e nos anos 1920 já tinham filmes feitos com aviões", disse o produtor, citando o filme Asas, lançado em 1927 e vencedor do primeiro Oscar de Melhor Filme, em 1929. Ainda sobre os inventores americanos, Zappa diz que a cena do quinto capítulo em que Dumont dá sua opinião sobre eles foi uma das mais marcantes durante as filmagens. Em tom de brincadeira, Ciavatta disse que o brasileiro iria “cair na porrada” com os rivais.

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Acquarone, então, coloca um fim na discussão sobre o “pai da aviação”: "chamar o Santos Dumont de 'Pai da Aviação' limita muito ele. Ele voou no balão esférico, ele inventou o dirigível, ele inventou o biplano e o monoplano. Eu não acho que ele é o pai da aviação, eu acho que ele é o ‘filho do céu’".

Falada em português, francês, inglês e espanhol, Santos Dumont estreia na HBO às 21h do dia 10 de novembro. A minissérie brasileira será transmitida para 70 países ao redor do mundo.