João Pedro Zappa em Sants Dumont/HBO

Créditos da imagem: HBO/Divulgação

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Belo visual e atuação de protagonista marcam estreia de Santos Dumont

Minissérie da HBO explora a vida do inventor brasileiro desde a sua infância

Nicolaos Garófalo
05.11.2019
19h01

Santos Dumont é um dos nomes mais importantes da história do Brasil. Conhecido como o “pai da aviação”, o inventor é reconhecido no mundo todo – ou quase – por ser o primeiro homem a voar em um avião. Levando o nome do brasileiro, a nova minissérie da HBO busca expor para o público a história de Dumont, partindo de sua infância no Brasil, até seus grandes feitos na Europa.

Dirigida por Estevão Ciavatta e Fernando Acquarone, a série é uma das produções nacionais mais deslumbrantes dos últimos anos. Desde a primeira cena, em que um jovem Dumont (vivido na infância por Guilherme Garcia) comanda o trem da plantação de café de seu pai, é perceptível o esforço colocado em cada tomada para tornar a minissérie a mais bela possível. Mesmo cenas com a presença de efeitos especiais, como os voos de balão do inventor em Paris, na França, são extremamente realistas e o uso de computadores passa despercebido até mesmo para os espectadores mais exigentes.

O visual não encanta apenas na fotografia, mas também no figurino: todos os atores em tela parecem caracterizados com extrema precisão, especialmente João Pedro Zappa, que interpreta o personagem título em sua fase adulta e fica idêntico ao Santos Dumont visto em registros fotográficos. Das lavouras de café até as festas da burguesia francesa do final do século XIX, a produção dá atenção a todos os pequenos detalhes das roupas da época, criando uma experiência imersiva que realçada pela bela fotografia.

O primeiro episódio de Santos Dumont peca muito pouco ao longo de seus 50 minutos, embora tenha alguns problemas de ritmo. Nos melhores momentos da vida adulta do brasileiro em Paris, seja confrontando autoridades ou fazendo alterações em seus projetos, o capítulo corta para um momento da infância do inventor, considerado relevante para suas ações no presente. Embora esse artifício tenha o objetivo de facilitar a conexão do espectador com o protagonista, ele apenas distrai dos pontos mais empolgantes da trama e passa a impressão de que o episódio dura bem mais do que o tempo normal de uma produção televisiva.

O roteiro, que usa frases tiradas de textos e cartas escritas pelo próprio Dumont, também se arrasta em determinadas cenas, muito por conta da difícil tradução da linguagem escrita para a oral, com algumas falas parecendo pomposas demais para uma produção atual. Ainda assim, o bom trabalho do elenco, que inclui ainda Jean Pierre Noher, Pedro Alves e Bruna Scavuzzi, que atua em português, francês, espanhol e inglês, permite que esses deslizes sejam deixados de lado.

Mas, ao longo da estreia, quem brilha, obviamente, é o Santos Dumont de Zappa. O ator carioca incorpora toda a genialidade e a obsessão do inventor, expondo a paixão que ele tinha por suas máquinas e seu amor pelos céus. Sua semelhança física com o personagem ajuda ainda mais a trazer seu Dumont à vida, seja em momentos de felicidade e estudo, ou em cenas dominadas pela raiva ou tristeza.

Embora tenha alguns problemas perceptíveis em sua execução, é inegável que Santos Dumont tem uma boa base para evolução, especialmente à medida que os flashbacks se tornarem desnecessários. Contando com um visual deslumbrante, um material base rico e atuações fortes, a minissérie não deve ter problemas para encontrar seu público e, ao longo de seus seis episódios, deve atrair mais do que apenas curiosos pela história do inventor.