Elenco de Rebelde da Netflix reunido

Créditos da imagem: Rebelde/Netflix/Reprodução

Séries e TV

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Rebelde equilibra referências à novela e atualizações com tom leve e juvenil

Versão da Netflix está, sim, repleta de dramas, mas eles não parecem tão pesados quanto os apresentados na novela dos anos 2000

Mariana Canhisares
05.01.2022
06h00
Atualizada em
05.01.2022
12h28
Atualizada em 05.01.2022 às 12h28

Há uma sensação muito familiar ao revisitar os corredores da Elite Way School tantos anos depois, e não é porque os uniformes da nova versão de Rebelde, embora repaginados, mantenham o vermelho e o branco tradicionais. Nem porque a escola exiba com orgulho fotos e objetos característicos da Mía Colucci (Anahí), Roberta Pardo (Dulce María) e companhia -- ou literalmente encontremos velhos conhecidos pelos corredores, a exemplo da agora diretora Celina Ferrer (Estefania Villareal). Mas, sim, porque muito do espírito do original se manteve na série da Netflix. Apesar dos numerosos dramas familiares que cada um dos novos protagonistas enfrentam, assim como o clima por vezes árido com seus demais colegas, eles sempre têm uns aos outros -- e a música -- como válvula de escape.

Os primeiros dois episódios da produção, que estreou nesta quarta-feira (5) no streaming, dão conta de estabelecer um equilíbrio entre incorporar estes elementos e figuras do original com atualizações mais do que bem-vindas. Mais do que dizer que o arrogante Luka (Franco Masini) é um Colucci, por exemplo, a série logo o apresenta como um personagem queer, que defende o uso de pronomes neutros sem nenhum embaraço. O mero reconhecimento de que a sexualidade e a identidade de gênero dos seus personagens podem ser mais amplas do que o que foi convencional na novela, lá em meados dos anos 2000, já permite que a série seja mais relacionável para essa geração de novos fãs -- e abre portas para que os antigos possam se ver ali de outra forma. É verdade que ainda há de se ver como a representação LGBTQIA+ se dará até o final da temporada, mas arriscaria dizer que esse começo parece um bom presságio.

A personalidade dos membros do sexteto também é muito distinta e remete, aqui e ali, aos personagens originais. A religiosidade da família de M.J. (Andrea Chaparro), por exemplo, evoca um lado mais Lupita (Maite Perroni) -- mesmo que ela pessoalmente se considere uma Roberta. O visual do colombiano e trapper Dixon (Jeronimo Cantillo) lembra a originalidade de Giovanni (Christian Chávez). Já o jeito mais quieto do aspirante a produtor Estebán (Sergio Mayer Mori) -- e seu afeto imediato pela “nova Mía Colucci” Jana (Azul Guaita) -- é claramente inspirado no Miguel, de Alfonso Herrera. Esses paralelos estão longe de ser um problema. No fundo, somente fortalecem a ideia de que se trata de fato de um remake -- mais juvenil e leve, mas um remake.

Veja bem, essa leveza não quer dizer que há pouco drama na vida deles. Pelo contrário, há muita coisa acontecendo na EWS, a começar pelo retorno da temida (e elitista) Seita, a organização secreta da novela que queria expulsar os bolsistas da escola. Há ainda toda a história da batalha das bandas, que promete “eliminar” estudantes do programa de música logo no primeiro mês e, claro, acirra a competição entre todos. Mas, curiosamente, a versão da Netflix parece menos carregada -- quase bobinha -- se comparada às situações que rolaram anos atrás. E é reconfortante saber que, embora existam muitos paralelos, há espaço para se surpreender com a nova série. Para o bem e para o mal.

A primeira temporada de Rebelde está disponível na Netflix.

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