Al Pacino e Logan Lerman em Hunters, da Amazon Prime Video

Créditos da imagem: Hunters/Amazon Prime Video/Divulgação

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Hunters | Quais eventos da série realmente aconteceram

Operação Paperclip, Wernher von Braun na Disney e mais

Arthur Eloi
04.03.2020
19h31

Hunters, série da Amazon Prime Video, acompanha um grupo de caçadores de nazistas na década de 1970 que descobrem ter uma missão maior do que o previsto. O programa, produzido por Jordan Peele (Corra!, Nós), cada vez mais esbarra em conspirações e sujeiras do governo. Surpreendentemente algumas dessas coisas são verdade. Veja abaixo o que de Hunters realmente aconteceu na nossa história.

[Cuidado com spoilers!]

Caçadores de nazistas

Após o término da guerra, grupos caçadores de nazistas realmente se formaram, especialmente a partir de sobreviventes do Holocausto. As equipes, porém, não eram tão vigilantes, e operavam dentro da lei. O maior exemplo é Simon Wiesenthal, cujo propósito de vida foi dedicado a descobrir, perseguir e condenar nazistas pelo mundo. Ele se tornou o maior caçador da história, com sua vida sendo usada como base para obras do tipo Os Meninos do Brasil. Wiesenthal inclusive vira personagem no programa, e discute com Meyer Offerman (Al Pacino) durante o oitavo episódio.

O Apagão

O sétimo capítulo da série apaga as luzes na cidade de Nova York após um atentado nazista, que os inimigos usam como distração para um plano maior de infectar toda a água e comida da cidade. O plano é invenção de Hunters, mas Nova York de fato ficou no escuro em 13 de julho de 1977. Por uma falha na estação elétrica, o apagão resultou em quase toda a cidade sem luz, o que resultou em vários assaltos e arrastões.

Operação Paperclip

A conspiração central da trama é como os nazistas não invadiram os Estados Unidos, mas sim foram levados ao país pelo próprio governo. A descoberta não é mentira - na verdade, é um fato conhecido. A chamada Operation Paperclip realmente ocorreu entre 1945 e 1959. No pós-guerra, temendo pelo rápido crescimento da União Soviética, os norte-americanos recrutaram os cientistas e engenheiros nazistas para desenvolver diversos projetos no país. Talvez o mais importante tenha sido o papel de Wernher von Braun na NASA. Sua tecnologia de foguetes V-2, testada na Alemanha através de trabalho escravo judeu, foi fundamental para o sucesso da Apollo 11… além de também ajudar a criar novas armas.

É estimado que cerca de 1600 cientistas alemães tenha sido movidos aos EUA na operação. O caso é dificilmente o único: a União Soviética fez algo parecido em 1946, com a Operação Osoaviakhim.

Walt Disney e Wernher von Braun

Um dos exemplos que a série usa para a normalização dos cientistas nazistas nos Estados Unidos é a relação de Walt Disney com Wernher von Braun. Os personagens citam que o cientista era até incluído em programas infantis, o que de fato aconteceu. Von Braun teve uma carreira prolífica nos EUA, tendo conquistado um bom cargo na CIA e vencido uma Medalha Nacional da Ciência. Por defender a exploração de Marte, von Braun chamou a atenção de Disney, que o colocou para apresentar programas educativos sobre a temática espacial. É claro que decisões do tipo levantavam críticas. Um dos melhores casos é do comediante Tom Lehrer, que escreveu uma canção ironizando o descaso pelo passado nazista do cientista. A canção pode ser ouvida durante a série.

Fuga de Nazistas para a América do Sul

O final da série, com Eva Braun e Adolf Hitler na Argentina, não é real, apenas baseado em uma das mais populares teorias da conspiração. Mas não é totalmente sem base. Houve um fluxo de nazistas escapando para a América do Sul após o fim da guerra, incluindo até no Brasil. Um dos maiores exemplos é o de Josef Mengele, o médico conhecido com Anjo da Morte, que se instalou no interior de São Paulo até a sua morte.