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Halo desistiu de balas de festim após Rust; saiba como são feitas armas da série

Visitamos a oficina onde as armas de Master Chief e cia. são produzidas

Omelete
4 min de leitura
01.02.2024, às 06H00
ATUALIZADA EM 08.02.2024, ÀS 10H01
ATUALIZADA EM 08.02.2024, ÀS 10H01

A oficina do time de design de Halo é o paraíso para qualquer fã da franquia. Entre no domínio do mestre de adereços Liam Byrne e você logo de cara vai encontrar uma parede enorme estampada com imagens das armas mais famosas dos games - até este humilde repórter, jogador no máximo casual de Halo, conseguiu identificar rapidamente meia dúzia delas (Needler! Rifle de plasma! Martelo de gravidade!) durante visita ao departamento como parte de nossa turnê pelos estúdios Korda, em Budapeste, onde Halo filmava sua segunda temporada.

A empolgação só aumentou quando Byrne nos conduziu para sua sala, onde as referências visuais da parede se materializaram em modelos pequenos e grandes das armas (ou, ao menos, de pedaços delas) produzidos em acrílico e borracha, em estados variáveis de finalização. Do primeiro esboço à versão definitiva, cada arma usada na série passa por múltiplas sessões de feedback com a equipe criativa e o elenco - afinal, são eles que carregam esses trambolhos diante das câmeras -, o que acaba devorando seis meses do trabalho da equipe comandada por Liam. 

Isso sem contar os seis meses de pesquisa e preparação que vieram antes, é claro. A equipe de adereços chegou em Budapeste muito antes dos atores, diretores ou produtores responsáveis por Halo, e passou esse tempo engajando-se na missão de construir versões realistas - mas seguras! - de armas que estão muito longe de existir na vida real. Frequentemente, segundo Liam, o design de uma arma de Halo começa com um esquemático das engrenagens de uma arma real remotamente parecida, para que a equipe possa conhecer e reproduzir alguns mecanismos e funcionalidades dela.

Artes conceituais dos jogos de Halo preenchem paredes da oficina de adereços no Korda Studios (Caio Coletti/Omelete)
Artes conceituais dos jogos de Halo preenchem paredes da oficina de adereços no Korda Studios (Caio Coletti/Omelete)

Isso não significa, no entanto, que as armas carregadas por Pablo Schreiber e cia. em cena contenham cartuchos para as infames balas de festim. Utilizados desde os primórdios das artes cênicas, os projéteis falsos voltaram a atrair críticas mais veementes por causa da morte de Halyna Hutchins no set do faroeste Rust. A diretora de fotografia faleceu após ser atingida por uma bala real, que foi colocada por engano no revólver que o ator Alec Baldwin deveria disparar em uma cena.

Quando o incidente foi mencionado durante nossa visita ao set de Halo, Byrne definiu como incompetência absurda” a série de eventos que levou à morte de Hutchins, indicando que proceder com as filmagens de uma cena com armas na correria” é brincar com o perigo. Embora ele tenha garantido que Halo nunca passou perto dessa negligência, foi após o incidente de Rust que a série decidiu banir de vez o uso de balas de festim nas filmagens.

No lugar delas, as armas usadas na série “disparam” só ar. O Omelete pôde ver de perto e até “brincar” com algumas das criações de Byrne e cia., verificando que as pistolas futuristas usadas pelos Spartans dão coices de verdade quando você aperta o gatilho, e que os canos das armas mais graúdas estão preparados para dar aos atores de Halo aquele momento icônico em que o herói de ação engatilha a espingarda antes de atirar. Este repórter que vos fala não resistiu, como você pode conferir abaixo.

Um detalhe importante no trabalho do departamento de adereços de Halo é que nem todas as dezenas de armas produzidas para a série são criadas do mesmo jeito. De fato, cada adereço tem duas versões: uma bem leve, em borracha e isopor, que serve para cenas que não exigem um detalhamento maior, na qual os atores são filmados de longe ou não precisam de fato mexer nas armas (os Spartans carregam as suas o tempo todo nas costas, vale lembrar); e outra, apelidada de “versão heroica” pela equipe de bastidores, com finalizações em metal e plástico e dezenas de funcionalidades diferentes. Essas últimas chegam a pesar seis quilos e custar US$ 15 mil por peça para a produção.

É um testamento à arte da equipe comandada por Byrne que as duas versões das armas sejam tão parecidas na superfície, e tão profundamente diferentes na forma que funcionam. A etiqueta de preço nos adereços de Halo pode parecer salgada, mas o chefe da equipe garante que é uma quantia modesta para desembolsar quando se trata de garantir a segurança de todos no set. E quem nunca quis disparar um rifle de plasma “de verdade”, não é mesmo?

Comparações entre as duas versões das armas de Halo (Caio Coletti/Omelete)
Comparações entre as duas versões das armas de Halo (Caio Coletti/Omelete)

Os dois primeiros episódios da segunda temporada de Halo chegam ao Paramount+ em 8 de fevereiro, seguidos por capítulos semanais às quintas-feiras.

*O jornalista viajou a convite da Paramount.

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