Silo | Sem enrolar, 3ª temporada traz grandes respostas (e grandes perguntas)
Série de ficção científica do Apple TV é estrelada por Rebecca Ferguson
Créditos da imagem: Apple TV
A terceira temporada de Silo chega ao Apple TV com o quarto (e último) ano da série já anunciado e em andamento. Isso faz toda a diferença na hora de contar uma história. Sabendo quanto tempo, espaço e dinheiro tem para chegar ao fim, o showrunner Graham Yost (Justified, Velocidade Máxima) usa este terceiro ato para preparar o terreno do grande desfecho sem transformar a temporada em mera ponte.
Se o primeiro ano colocou as peças no tabuleiro, apresentando o universo e o funcionamento do Silo 18, o segundo mostrou o que existe fora daquela comunidade de 10 mil sobreviventes. Agora, a terceira traz algumas explicações sobre como eles chegaram até ali - e o que precisam fazer daqui em diante.
Ao entrar no silo vizinho na temporada anterior, Juliette, ou Jules (Rebecca Ferguson), descobre algo perigosíssimo: como o jogo pode acabar, dizimando a população que vive ali há tanto tempo. Seu retorno ao Silo onde nasceu e cresceu, no episódio final do segundo ano, termina justamente quando ela e Bernard (Tim Robbins) confrontam conhecimento, esperança e verdades que podem mudar tudo.
Não cabe a esta crítica explicar como ela sobreviveu, embora já fosse difícil tratar isso como segredo desde que as primeiras imagens promocionais da terceira temporada começaram a circular com Ferguson no pôster. A consequência direta daqueles eventos traumáticos, porém, é um bloqueio mental que Juliette enfrenta no início da nova leva de episódios. Jules passa a andar pelo silo como sua nova prefeita, mas não se lembra de nada, nem de ninguém, nem do que viu e aprendeu do lado de fora.
A atuação de Ferguson muda mais uma vez. Ela foi destemida na primeira temporada, curiosa na segunda e agora interpreta uma Jules completamente perdida. Quem se impressionou com o episódio sem diálogos que abre o segundo ano de Silo encontra aqui outra atuação de alto nível, construída a partir de uma personagem que precisa reaprender quem é enquanto todos ao seu redor esperam que ela tenha as respostas.
Mesmo quando abre o mapa do universo, Silo preserva a sua melhor qualidade: a capacidade de transformar informação em suspense. A terceira temporada não abandona o ritmo paciente que definiu a série, mas parece mais consciente de quando acelerar. Cada revelação vem acompanhada de uma consequência imediata para os personagens, o que impede que os flashbacks funcionem apenas como explicação de manual. A série segue interessada em segredos, mas agora também começa a cobrar o preço de descobri-los.
Mudança de poder
Outro arco que se transforma bastante é o de Robert e Camille Sims, vividos por Common e Alexandria Riley. A mudança começou no final da segunda temporada, mas se consolida agora, quando Camille assume o lugar de Bernard como a pessoa capaz de fazer o sistema funcionar — posto almejado por Robert desde sempre. A inversão de poder dá à dupla um conflito mais íntimo e humano do que as disputas políticas do Silo costumavam permitir.
Sem me alongar demais sobre os muitos personagens da série, vale destacar ainda Daniel (Ashley Zukerman) e Helen (Jessica Henwick), apresentados no fim da temporada passada. O congressista estadunidense e a jornalista se tornam nossos guias para entender o que aconteceu antes da criação dos silos. É por meio deles que a série volta no tempo e começa a desenhar a cadeia de decisões, interesses e tragédias que levou ao cenário pós-apocalíptico da série.
Visualmente, a produção continua encontrando força no contraste entre a arquitetura opressiva dos silos e os novos espaços que ampliam o escopo da história. Os corredores apertados, as escadarias intermináveis e as salas de controle permanecem fundamentais para transmitir a sensação de uma sociedade que vive confinada — física e mentalmente. Quando a narrativa volta ao passado, porém, a série ganha uma dimensão diferente: o apocalipse deixa de ser apenas o cenário em que os personagens sobrevivem e passa a ser uma escolha humana, construída por decisões que poderiam ter sido evitadas.
Com algumas respostas e uma nova leva de perguntas, Silo faz uma terceira temporada que não se limita a preparar o caminho para o desfecho. Os roteiristas fazem a história andar para a frente — e também para trás, com flashbacks que ampliam a mitologia da série. Agora começamos a descobrir como, por que e, principalmente, por quem os silos foram criados.
Silo
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