La Casa de Papel toma injeção de propósito, emoção e adrenalina no início do fim

Créditos da imagem: Cena de La Casa de Papel, parte 5, volume 1 (Reprodução)

Séries e TV

Crítica

La Casa de Papel toma injeção de propósito, emoção e adrenalina no início do fim

Pacote de cinco episódios lançado pela Netflix é o melhor da série espanhola até hoje

Caio Coletti
03.09.2021, às 13H20
ATUALIZADA EM 03.09.2021, ÀS 16H30
ATUALIZADA EM 03.09.2021, ÀS 16H30

La Casa de Papel sempre foi muito boa em começos e fins - o seu calcanhar de Aquiles sempre foram os meios. O fenômeno espanhol da Netflix conquistou o público com um senso forte de história e discurso, além dos planos mirabolantes do Professor e da natural adrenalina de uma trama de assalto, mas encontrava dificuldades sempre que precisava cumprir uma “cota” de episódios, sempre que o imperativo de gastar um tempo no miolo da história fazia os roteiristas encherem a série de reviravoltas e melodramas que só serviam para enrolar o público e acumular mais minutos de streaming.

Natural, portanto, que a série criada por Álex Pina floresça quando o seu final está marcado. Com dez episódios para acabar de vez a história do bando de ladrões que acompanhamos desde 2017, La Casa de Papel não tem tempo, motivo e nem vontade de nos enrolar - e, ao menos a julgar por esse primeiro volume de cinco capítulos, ela é muito melhor assim.

Retornamos ao Banco da Espanha exatamente no momento em que paramos no fim da parte 4: Lisboa (Itziar Ituño) acaba de entrar no banco, enganando os policiais, e Alicia (Najwa Nimri) acaba de encontrar o esconderijo do Professor (Álvaro Morte) e apontar uma arma para ele. Sem o seu mentor do lado de fora, e com a sua única forma de retirar o ouro comprometida, os planos dos ladrões começam a ruir catastroficamente, e La Casa de Papel se vê operando em um modo inédito.

Isso porque, ao invés de ficar esperando pela próxima grande jogada do mestre das marionetes interpretado por Morte, o espectador é jogado de pára-quedas no meio do desastre natural que é um assalto a banco (desse tamanho) levado no improviso. La Casa de Papel nunca foi tão violenta, épica e urgente quanto aqui, especialmente nos episódios “Você acredita em reencarnação?” (5x02) e “Seu lugar no céu” (5x04), verdadeiras maratonas de tiroteios e emboscadas pelo Banco da Espanha.

Para comportar essa adrenalina, a série mais uma vez eleva o seu jogo técnico, o que já havia feito na transição entre as partes 2 e 3 - quando a produção passou para as mãos da Netflix e se tornou um fenômeno global. A escala de destruição e o nível de design envolvidos nestes novos episódios, no entanto, não encontram precedentes em nada do que La Casa de Papel fez antes, e se comparam a muito pouco do que já foi feito na TV, como um todo.

Aqui, a série espanhola se torna um dos produtos de ação mais espertamente editados, fotografados (há alguns takes de assaltantes e policiais em meio aos escombros que são verdadeiramente lindos) e encenados do cenário televisivo. Até quem torce o nariz para a dramaturgia característica de Pina e seu time de roteiristas vai encontrar dificuldades para negar a excelência do trabalho técnico.

Ao mesmo tempo, me parece mesquinho negar a força dramática de La Casa de Papel a essa altura da sua trajetória. Focada como está aqui, a série abandona o cinismo, escancara a sua óbvia afeição pelos personagens, e encontra neles arcos genuinamente tocantes de redenção, esperança, exaspero e subversão. Jogando fora as suas bobagens mais histriônicas, até por necessidade (leia-se: falta de tempo), La Casa se torna uma história que se movimenta mais rápido, mas também uma história que fala mais alto.

O impulso de sair por aí cantando “Bella Ciao” nunca foi tão irresistível.

La Casa de Papel
Em andamento (2017- )
La Casa de Papel
Em andamento (2017- )

Criado por: Álex Pina

Duração: 5 temporadas

Nota do Crítico
Ótimo

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