Cena de Harley Quinn/DC Universe

Créditos da imagem: DC Universe/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Harley Quinn – 2ª temporada

Animação do DC Universe diverte ao satirizar principais personagens da editora enquanto se aprofunda psicologicamente em sua personagem principal

Nicolaos Garófalo
02.07.2020
18h55
Atualizada em
02.07.2020
20h38
Atualizada em 02.07.2020 às 20h38

A Arlequina é hoje um dos nomes fortes da DC Comics em diferentes mídias. A editora, que prepara um novo título da anti-heroína, publicou em 2019 a elogiada Harleen, de Stjepan Šejić, que já tem sequência planejada. Nos cinemas, Margot Robbie comandou Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa, que surpreendeu a crítica, embora seu retorno nas bilheterias tenha ficado abaixo do esperado. Completando seu domínio no selo, a personagem criada para a TV em 1992 por Paul Dini e Bruce Timm retorna para uma ótima segunda temporada de Harley Quinn, animação do streaming DC Universe que mostra os heróis e vilões da editora pelo olhar distorcido da protagonista.

Se o primeiro ano da série já satirizou ao extremo personagens icônicos da DC, incluindo Superman (James Wolk), Batman (Diedrich Bader) e o comissário Gordon (Christopher Meloni), a nova temporada fez ainda mais graça com as propriedades do selo, desta vez com foco especial em seus vilões. Pinguim (Wayne Knight), Mulher-Gato (Sanaa Lathan) e especialmente Darkseid (Michael Ironside) protagonizam momentos hilários ao lado da Arlequina de Kaley Cuoco, que mais uma vez traz uma dublagem perfeita para a psicótica personagem.

Embora brinque com o exagero das características básicas dos nomes mais conhecidos da DC, como o otimismo inabalável do Superman ou espírito guerreiro da Mulher-Maravilha, o humor autorreferente de Harley Quinn nunca soa fora de lugar. Os roteiristas da série souberam mais uma vez equilibrar a cor e o absurdo das HQs com os temas sérios que elas costumam abordar, como relações abusivas, sexualidade, machismo e problemas psicológicos. O desenvolvimento de personagens, principalmente Hera Venenosa (Lake Bell) e Homem Pipa (Matt Oberg), é bem estruturado, apesar de suas personalidades propositalmente exageradas.

Essa segunda temporada tropeça, no entanto, ao mexer com a perfeição na tentativa de recriar a história Louco Amor, HQ lançada por Dini e Timm em 1994 e mais tarde adaptada para Batman: A Série Animada. Baseando-se na mesma narrativa, “All the Best Inmates Have Daddy Issues” não traz o mesmo encanto e ainda tem uma repetição cansativa, já que o mesmo arco foi mostrado em Esquadrão Suicida (2016) e lembrado de forma superior e muito mais profunda em Harleen. Nem mesmo a atuação brilhante de Alan Tudyk como Coringa salvam o episódio de ser apenas um remake sem propósito da história dos anos 1990. O vilão, aliás, é uma grande muleta criativa da série e traz uma previsibilidade desnecessária. Embora o Palhaço do Crime e Arlequina estejam fortemente ligados, passou da hora de uma produção que se orgulha em mostrar a relação de Harleen com outros membros do Universo DC se apoiar tanto no Coringa.

Em contrapartida, os três episódios seguintes são facilmente os melhores da série. “There’s No Place To Go But Down”, “Inner (Para) Demons” e “Bachelorette” dissecam a relação de Arlequina e Hera Venosa, central desde o primeiro episódio da série, e levam a um final de temporada cheio de ação e algumas piadas infames. Ver a protagonista descontrolada comandando um exército de parademônios traz uma mistura bizarra de diversão e medo – especialmente pela indiferença que Darkseid mostra para a loucura da personagem -, enquanto sua luta ao lado das amazonas para retomar Themyscira se mostra a melhor despedida de solteira do mundo do entretenimento.

Outro ponto positivo de Harley Quinn é saber justamente o que o público quer ver e apresentar o fan service do jeito certo. Nada do que a animação traz é gratuito e o espectador se sente recompensado ao ver, por exemplo, Gordon e Batgirl (Briana Cuoco) lutando lado a lado, ou Alfred (Tom Hollander) salvando Bruce de uma emboscada.

Harley Quinn pode não ser perfeita, mas acerta em cheio em sua principal proposta: fazer a DC e seus fãs rirem de si mesmos. Em meio a palavrões, sangue e a dose ideal de Homem Pipa, a série reforça o potencial que o DC Universe e suas produções têm de entreter, independente de sua fidelidade ao material original. Mesmo escorregando em alguns pontos previsíveis, a animação traz uma qualidade altíssima e com toda a loucura que a Arlequina merece.

Nota do Crítico
Ótimo