Foto de Brooklyn Nine-Nine

Créditos da imagem: Brooklyn Nine-Nine/NBC/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Brooklyn Nine-Nine - 6ª temporada

Focado na parceria entre os policiais, novo ano é um dos mais divertidos do seriado

Camila Sousa
20.05.2019
15h05

Um dos movimentos mais inesperados e espontâneos da internet foi a dedicação dos fãs de Brooklyn Nine-Nine em salvar a série após o cancelamento pela Fox. É provável que nem mesmo a equipe da atração fizesse ideia do quanto a história de Jake, Amy, Rosa, Boyle e vários outros era admirada e querida. Quando a NBC anunciou que daria mais uma temporada para a 99, a reação foi um misto de alívio e apreensão. A história iria continuar, mas será que permaneceria tão boa na nova emissora? A resposta, felizmente, é positiva. A sexta temporada mostra o elenco mais à vontade do que nunca e entrega uma narrativa já conhecida dos fãs: muito humor absurdo, com toques de temas importantes aqui e ali.

Claro que o próprio cancelamento não poderia deixar de ser abordado e Brooklyn Nine-Nine encontrou uma forma delicada de fazer isso através de Holt. Ao final do quinto ano, ele estava concorrendo ao cargo de comissário e aqui é revelado que ele não conseguiu. Tudo acontece durante a lua de mel de Jake e Amy e o Capitão vai até lá tentar lidar com a frustração. Uma de suas ideias, inclusive, é deixar a polícia, acreditando que não há mais futuro após a falha. A insegurança e o desejo de Holt em abandonar tudo tem falas e momentos que refletem muito a época do cancelamento. Embora o resgate da série pelo novo canal tenha acontecido rapidamente, Andre Braugher, intérprete do Capitão, afirmou que na época houve muitas lágrimas e tristeza. Ao contrário do seriado, Holt não conseguiu seu cargo dos sonhos, mas seguiu em frente mesmo assim.

Seguindo com a temporada, fica claro que a equipe de Brooklyn Nine-Nine percebeu que o final pode chegar a qualquer momento e por isso os episódios foram bem divididos com homenagens a todos os personagens. Tal abordagem fica clara com o capítulo focado na dupla Hitchcock e Scully. Eles precisam provar sua inocência e, para isso, retornam ao passado mostrando suas versões jovens e como se tornaram a dupla mais preguiçosa e querida da 99. Ao fazer isso, a série conseguiu emplacar ainda uma homenagem ao clima policial nos anos 80. A sacada é muito bem construída e rende uma dos melhores histórias do novo ano.

Os jovens Hitchcock & Scully

Foto de Brooklyn Nine-Nine
Brooklyn Nine-Nine/NBC/Divulgação

Mas nem tudo são flores na sexta temporada. A série conseguiu se salvar por mais uma temporada (inclusive foi renovada recentemente), mas precisou lidar com a saída de Chelsea Peretti, a Gina Linetti, uma das personagens mais irônicas e engraçadas de todo o grupo. A despedida é logo no começo da temporada e os produtores criaram momentos fofos da personagem com os colegas, como o almoço com as personagens femininas e o momento entre Gina e Jake, que reflete a longa amizade entre Chelsea e Andy Samberg fora das telas.

Há ainda um episódio que foca em Boyle e suas inseguranças como pai adotivo; outro com Rosa mostrando o quanto gostaria de ter a aprovação do Capitão Holt; Amy lidando com o irmão “perfeito” e suas cobranças de família; e uma discussão importante entre Jake e Amy sobre o futuro e filhos. Todos esses momentos se tornam especiais porque o elenco do seriado está em sua melhor forma. Mais unidos do que nunca após o possível cancelamento, a sensação que chega ao público é que todos ali se tornaram realmente uma grande família, que tem suas diferenças e problemas, mas que se ama muito acima de tudo.

Assédio

Apesar de todos esses pontos, ainda é difícil para muitas pessoas entender o grande sucesso de Brooklyn Nine-Nine. Afinal, há várias séries de comédia com o tema parecido e nem por isso elas carregam uma legião tão grande de fãs. O que torna a atração de Michael Schur e Dan Goor tão relevante atualmente é o quanto ela é engraçada sem deixar de tratar de temas importantes.

Isso é mostrado com clareza no oitavo episódio desta sexta temporada, quando Jake e Amy lidam com uma investigação de assédio. A personagem de Melissa Fumero fica obcecada em resolver tudo da melhor forma possível para a vítima e Jake descobre que o motivo disso é porque a própria Amy já sofreu assédio no passado.

Ao falar de um tema tão denso, Brooklyn Nine-Nine dosa com maestria os momentos em que precisa falar sério - cortando a trilha sonora e deixando Fumero ter uma cena extremamente intensa com Samberg - com momentos em que pode ser mais didática com humor, como quando apresenta os pequenos machismos do dia a dia que os homens geralmente nem percebem.

O grande ponto é que a série não fecha os olhos para os temas atuais. Os produtores, roteiristas e elenco sabem que, além de divertir, têm a responsabilidade de passar mensagens importantes para o seu público. Um episódio como “He Said, She Said”, que coloca uma personagem tão querida em uma posição tão difícil, é capaz de fazer o público pensar em suas atitudes e transmitir uma mensagem que funciona muito mais do que um grande artigo sério sobre o tema.

Para quem ainda tem dúvidas do porquê Brooklyn Nine-Nine é tão querida, a sexta temporada é um prato cheio para conhecer a rotina da 99 e se sentir parte dessa família tão especial.

Nota do Crítico
Excelente!