Foto de Batwoman

Créditos da imagem: Batwoman/CW/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Batwoman - 1ª temporada

Nova série da CW entrega boa temporada com clima soturno e personagens interessantes

Camila Sousa
24.05.2020
15h51

Existe algo muito importante quando se fala em séries da CW, que é o alinhamento de expectativas. O universo da DC criado pelas produções do Arrowverse tem vários pontos fracos, mas a verdade é que ele nunca se propôs a ser maior do que é. Entre lutas com coreografias meio toscas e efeitos visuais de baixa qualidade, o canal entrega bons momentos aqui e ali com suas séries, especialmente quando a narrativa é boa. Esse é o caso da primeira temporada de Batwoman, produção que começou muito promissora ao não ter medo de mostrar o clima soturno de Gotham e desenvolver bons personagens.

A história começa três anos após a partida do Batman. Bruce Wayne não morreu, mas abandonou a cidade após ter diversos confrontos com seus inimigos e perceber que nada mudou. Neste contexto, Kate Kane (Ruby Rose) descobre o segredo do primo e resolve assumir seu lugar como vigilante. Nos primeiros episódios, isso é explorado de uma forma interessante. Como está usando o velho uniforme de Bruce, a imprensa imagina que o Batman está de volta e até alguns inimigos ressurgem para chamar a atenção do Homem-Morcego. Kate, no entanto, se incomoda (com razão) ao ser confundida e por isso cria um novo uniforme, que deixa claro que ela é uma mulher.

Como acontece em várias séries da CW, Batwoman encontra formas de trazer nomes conhecidos do público através de novos personagens. Ao invés do gênio Lucius Fox, Kate tem o auxílio de Luke Fox (Camrus Johnson), seu filho. Já o mordomo Alfred é representado na série por Julia Pennyworth (Christina Wolfe), também filha do conhecido personagem. É uma solução que soa até meio boba, afinal esses personagens poderiam existir muito bem sem o sobrenome famoso, mas, novamente, é importante alinhar as expectativas quando se trata de CW. Outra coadjuvante que merece destaque é Mary Hamilton (Nicole Kang), meia-irmã de Kate. A jovem que pode parecer boba em um primeiro momento, mas tem uma personalidade cativante e mostra que tem tanta força quanto Kate, mas de uma forma diferente.

A transformação da protagonista em Batwoman tem altos e baixos narrativos. Logo no começo, ela parece muito preparada (até demais) para assumir o manto da heroína. Com apenas alguns ajustes aqui e ali, Kate já sai por aí usando o uniforme de Bruce, chegando de surpresa em lugares, voando entre prédios, etc. Por outro lado, há episódios no meio da temporada em que Kate parece perdida e é capturada facilmente apenas para servir à história. A personagem é uma veterana do exército e isso explica algumas habilidades, mas ainda assim teria sido melhor criar uma transição mais harmônica. 

Ainda que tenha esses problemas, a história geral da protagonista é bem construída. Ruby Rose entrega aos fãs com muita clareza as dúvidas de Kate sobre sua vida de vigilante, seu trauma da infância pela perda da irmã, Beth, e também as dificuldades por ser lésbica, outro ponto positivo do seriado. Batwoman não tem receio em mostrar Kate na cama com suas namoradas, em cenas verdadeiramente sensuais, mas de bom gosto. O seriado também aborda os preconceitos, especialmente com a expulsão do exército e a reação da polícia de Gotham quando a heroína se revela gay na capa da revista CatCo. Se antes as forças de segurança tinham raiva da personagem por ela ser uma vigilante, elas ficaram ainda mais nervosas quando souberam sobre sua sexualidade, quase como se fosse uma questão de “honra” capturá-la.

Algumas coisas foram deixadas pelo caminho durante a temporada, algo comum em um seriado que está começando e encontrando sua voz. No começo, por exemplo, Kate escrevia cartas para o primo Bruce, desabafando sobre os problemas da vida como vigilante. Havia também uma narração muito presente de uma jornalista de rádio de Gotham, que falava com humor sobre os acontecimentos com os vilões nas noites anteriores. Tudo isso deu lugar a novas discussões ao final da temporada, como quando Kate ultrapassa a linha pela primeira vez e lida com o medo de deixar seu lado sombrio tomar conta. 

País das Maravilhas Macabro

Depois da protagonista, o segundo ponto mais importante da série é a Alice (Rachel Skarsten). Assim como nos quadrinhos, a personagem é a irmã perdida de Kate, que se tornou uma vilã após ser dada como morta e passar por anos de abuso durante seu crescimento. No meio de tudo isso, o que deixou a garota sã - de certa forma -  foi o livro Alice no País das Maravilhas, que lhe deu sua nova identidade, deixando o nome Beth Kane no passado. 

É através de Alice que o seriado aposta em um clima mais soturno, especialmente ao mostrar todo o sofrimento psicológico que ela sofreu ao crescer longe da família. Alice é uma vilã sem escrúpulos, que não tem nenhum problema em torturar ou matar, mas lá no fundo ela tem um grande sentimento de abandono, já que imaginava que a família Kane continuaria procurando por ela. Alice é tanto vítima quanto criminosa, o que traz uma dualidade interessante.

Um dos pontos negativos em sua narrativa, na verdade, é a ligação exagerada com Kate. Quando eventualmente descobre que sua irmã é a Batwoman, Alice se liga de uma forma muito forte à ela e suas tramas se tornam dependentes. Ainda que a dinâmica entre as duas seja boa, algo tão intenso impede que tanto Batwoman, quanto Alice se desenvolvam além disso. Os episódios em que a protagonista tem missões diferentes acrescentam muito sobre sua personalidade e o universo de Gotham em que a série se passa.

Entre erros e acertos, o saldo final da estreia de Batwoman é positivo. A temporada acertou ao transmitir o clima de Gotham já conhecido pelos fãs da DC e trouxe um frescor para o já desgastado Arrowverse. Com a saída de Ruby Rose do papel principal, fica a dúvida de qual será o futuro da produção, já confirmada no calendário futuro da CW. Mas se conseguir superar isso da melhor forma, a produção está em um bom caminho para continuar desenvolvendo a história de Kate Kane nas telas.

Nota do Crítico
Bom

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