Stephen Amell como Oliver Queen/Arqueiro Verde em Arrow

Créditos da imagem: CW/divulgação

Séries e TV

Crítica

Arrow - 7ª temporada

Sétimo ano da série prepara o terreno para despedida de Arrow

Nicolaos Garófalo
16.10.2019
13h11
Atualizada em
16.10.2019
13h32
Atualizada em 16.10.2019 às 13h32

Nascida no ápice da busca por realismo e sobriedade em produções de super-heróis da DC, gerada pelo sucesso da trilogia O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan, Arrow entregou, em 2012, uma visão mais violenta e vingativa do Arqueiro Verde, com Stephen Amell vivendo um Oliver Queen com sede de sangue e seu tempo na misteriosa ilha de Lian Yu sendo explorado por meio de flashbacks. Mais leve desde sua quinta temporada, quando se permitiu abraçar suas origens dos quadrinhos, a série chegou ao sétimo ano disposta a mudar a desgastada fórmula de memórias e identidades secretas, encerrando arcos e amarrando pontas soltas num aquecimento para a despedida da produção.

Se o final da sexta temporada decepcionou por não encerrar a história de Díaz (Kirk Acevedo), a sétima começa empolgante justamente por mergulhar de cabeça em sua resolução. Com Oliver preso e Felicity (Emily Bett Rickards) escondida pelo programa de proteção a testemunhas, Star City vê o crime aumentar após o decreto de criminalização de vigilantes impedir Dinah (Juliana Harkavy), Rene (Rick Gonzalez) e Diggle (David Ramsey) de protegerem a cidade sem quebrar o acordo feito com o FBI para não serem presos como o Arqueiro Verde. Apesar de ser uma mudança temporária, a batalha de Oliver para sobreviver dentro do presídio com criminosos que sabem sua identidade secreta tira a série do marasmo temático visto desde a terceira temporada.

Outra mudança bem-vinda no sétimo ano é o fim dos flashbacks: finalmente, Arrow para de se prender ao passado e nos mostra o futuro, com cenas que se passam no ano de 2040, protagonizadas por uma versão adulta de William (Ben Lewis), filho de Oliver, e os membros restantes da Equipe Arqueiro.

A trama ainda ganha elementos clássicos de “novelão” do Arrowverso com a introdução de um imitador do Arqueiro Verde que, desde o primeiro episódio, começa a caçar criminosos de Star City que tenham escapado da prisão por tecnicalidades e distribui dinheiro saído do tráfico de armas e drogas para beneficiar negócios familiares no bairro pobre do Glades. Esse novo vigilante causa uma rixa entre Dinah, que substituiu Quentin como capitã de polícia, e Rene, apoiador do novo imitador de Oliver.

O ressurgimento de Díaz também causa suas complicações, com Felicity e William voltando para Star City e Oliver e Laurel (Katie Cassidy), agora procuradora-geral do distrito, tentando antecipar a saída do herói da cadeia para impedir que o vilão cause mais mortes. Embora o arco de Díaz possa parecer repetitivo na primeira metade da temporada, a nova dinâmica dos heróis dá à primeira leva de episódios um clima de novidade. Pela primeira vez, a equipe se vê completamente sem a ajuda de seu líder, enquanto Laurel tenta provar, de uma vez por todas, que ela não tem intenção nenhuma de prejudicar o grupo.

Como qualquer série, a sétima temporada tem seus altos e baixos. Para um vilão que dominou Arrow por quase dois anos, Díaz tem um final extremamente anticlimático e sua morte serve apenas para aprofundar o dramalhão familiar da vez: a chegada de Emiko (Sea Shimooka), meia-irmã de Oliver e identidade verdadeira do falso Arqueiro Verde. 

Outro boa ideia desperdiçada é a insistência no clima pesado na relação entre vigilantes e a polícia de Star City. Após a libertação de Oliver, um projeto semelhante ao  Registro de Super-humanos de Guerra Civil, da Marvel Comics, permite que heróis trabalhem como parte de uma unidade da força policial da cidade após documentar suas identidades e passar pelos devidos testes. Obviamente, os métodos aplicados por Arqueiro Verde e companhia nem sempre condizem com o esperado pelos colegas de uniforme, criando uma tensão que, depois de pouco tempo, se torna cansativa.

Já nas passagens pelo futuro, a formação de uma nova Equipe Arqueiro é feita num ritmo acelerado, mas bem escrita o bastante para que o espectador crie laços com os novos personagens. Uma grande tática da produção, além de amarrar os acontecimentos de 2040 com os de 2018-2019, foi trocar o foco de William para Mia Smoak (Katherine McNamara), filha de Felicity e Oliver, na virada do ano, dando fôlego ao cenário futurista, muito pelo carisma e dinâmica que os intérpretes dos irmãos entregaram na cena.

Episódios como “Spartan”, que desenvolvem ainda mais o personagem de Diggle, ou a parte de Arrow no crossoverElseworlds” também contam como exemplos de bom trabalho da equipe da série, liderada pela primeira vez pela nova showrunner Beth Schwartz, que substituiu Greg Guggenheim e Wendy Mericle no posto. Ambos os capítulos, aliás, dão a entender que o ex-guarda-costas de Oliver é, na verdade, a contraparte da CW do Lanterna Verde John Stewart, abrindo caminho para a introdução do personagem em um futuro pós-Crise nas Infinitas Terras.

Grande pecado da sétima temporada, a montagem de Emiko como vilã não convence. Apesar de ter tempo de tela o bastante e ser bem desenvolvida, a irmã perdida de Oliver fica longe de antagonistas mais simpáticos e carismáticos como Merlyn (John Barrowman) e Slade (Manu Bennet). Em diversos momentos, a assassina tem oportunidades claras de redenção, oferecidas por seu irmão e por Rene, não aproveitadas por pura teimosia. A introdução do Nono Círculo como organização por trás de suas ações só serve para enfraquecer ainda mais a personagem, que encontra seu fim de maneira extremamente apressada.

A despedida emocionante fica por conta de Emily Bett Rickards, que deixa a série após sete anos. As palavras finais de Felicity para William e Mia em frente à lápide de Oliver – outra referência ao crossover desse ano – servem para passar aos irmãos o bastão de líderes da próxima geração de heróis. Em seu último momento na produção, a hacker se encontra com o Monitor (LaMonica Garrett) e passa por um portal “sem volta”, rumando para um novo encontro com seu marido.

Finalmente com espaço para olhar para frente, Arrow começa a preparar seu público para a grande despedida em 2019. Apesar de um ou outro problema de percurso, a série teve uma de suas melhores temporadas desde a estreia, amarrando pontas soltas ao mesmo tempo em que desenvolvia novas narrativas. Mais preocupado em resolver a própria história do que mexer com outras peças do Arrowverso, o sétimo ano dá espaço de sobra para os últimos 10 episódios da produção se despedirem de vez de Oliver Queen.

Nota do Crítico
Ótimo