Icone Fechar
Séries e TV
Artigo

Carrie | Como a série de Mike Flanagan se conecta ao Kingverso de Stephen King?

Dos poderes de Carrie ao “brilho” de Danny Torrance, habilidades psíquicas são uma temática recorrente nas histórias de Stephen King

Omelete
6 min de leitura
07.10.2026, às 19H00.
Carrie Prime Video/Divulgação

Créditos da imagem: Carrie Prime Video/Divulgação

A nova série de Carrie, a Estranha já está disponível e resgata uma das histórias mais importantes da carreira de Stephen King - senão a mais.

Omelete Recomenda

Antes de se tornar um dos escritores mais conhecidos do mundo, King era professor de inglês e enfrentava dificuldades financeiras enquanto tentava construir uma carreira como escritor. Foi nesse período que nasceu Carrie, seu primeiro romance publicado, lançado em 5 de abril de 1974. A história quase não chegou às livrarias: insatisfeito com as primeiras páginas, King chegou a jogar o manuscrito no lixo, mas sua esposa, Tabitha King, resgatou as páginas e o incentivou a continuar. O sucesso do livro mudou sua trajetória profissional e, dois anos depois, a adaptação dirigida por Brian De Palma, com Sissy Spacek, ajudou a transformar a história em um clássico do terror.

Mais de 50 anos depois, Carrie ganha uma nova versão para o Prime Video, agora comandada por Mike Flanagan. A série mantém elementos fundamentais do romance, como o bullying, a relação conturbada com Margaret White (Samantha Sloyan) e o famoso clímax do baile de formatura, mas amplia a história. Flanagan atualiza o conflito para a era das redes sociais, incorporando o cyberbullying e criando novas personagens para explorar o passado de Carrie (Summer H. Howell) e a existência de outras pessoas com habilidades semelhantes.

Leia aqui a crítica de Thiago Romariz sobre a nova série de Carrie, a Estranha

O poder de Carrie e o medo do que não pode ser controlado

Os poderes telecinéticos de Carrie sempre estiveram no centro da história. No romance original, King já relacionava a personagem a questões de poder, sexualidade e à forma como mulheres são vistas quando descobrem a própria força.

A série amplia essa discussão ao apresentar diferentes mulheres com habilidades sobrenaturais que, em algum momento, foram tratadas como ameaças por causa delas. Em Carrie, o problema não está apenas no que a personagem consegue fazer, mas também na reação de quem não consegue compreender ou controlar seus poderes.

É por isso que a personagem inédita Emaline (Thalia Dudek) se torna tão importante e uma escolha certeira para a nova versão. Ao contrário de Margaret, que tenta reprimir os poderes da filha, ela mostra a Carrie que existem outras pessoas como ela. É a partir dessa expansão que a história começa a dialogar de maneira mais evidente com uma temática recorrente na obra de Stephen King.

Carrie Prime Video/Divulgação
Carrie Prime Video/Divulgação

Como Carrie se conecta ao Kingverso de Stephen King?

A história de Carrie White se conecta ao vasto Kingverso principalmente por uma temática habitual na obra de Stephen King: personagens que possuem habilidades psíquicas ou sobrenaturais. A telecinese de Carrie dialoga com poderes como o “brilho” de Danny Torrance, as habilidades de crianças de O Instituto e a premonição de Johnny Smith em A Zona Morta, entre outros exemplos.

Nem todas essas histórias possuem uma ligação direta de continuidade. Em muitos casos, a aproximação está justamente na maneira como King utiliza pessoas com capacidades extraordinárias para explorar isolamento, trauma, violência, preconceito e a reação da sociedade diante do que não consegue explicar.

A seguir, listamos seis obras do autor que ajudam a traçar essas conexões. Todas as obras citadas abaixo são histórias criadas por Stephen King e ganharam adaptações que ajudaram a eternizá-las no cinema ou na televisão. Algumas das conexões são temáticas, enquanto outras são referências que colocam essas histórias dentro da mesma grande rede do Kingverso.

O Iluminado e Doutor Sono

O Iluminado apresenta Danny Torrance, um garoto com uma habilidade psíquica conhecida como “o brilho”, que permite ter visões e perceber acontecimentos que outras pessoas não conseguem. A capacidade também está no centro de Doutor Sono, sequência da história de Danny.

A conexão com Carrie está na presença de personagens que possuem capacidades sobrenaturais e precisam aprender a lidar com elas. A obra também ficou eternizada no cinema pela clássica adaptação de Stanley Kubrick, com Jack Nicholson em uma das performances mais marcantes e assustadoras de sua carreira.

Curiosamente, Doutor Sono ganhou uma adaptação dirigida pelo próprio Mike Flanagan, em um dos principais pontos de contato entre o cineasta e o universo criado por King.

O Instituto

O Instituto acompanha crianças com habilidades como telecinese e telepatia que são sequestradas e levadas para uma instituição onde seus poderes são estudados e explorados.

A semelhança com Carrie está na existência de pessoas com capacidades extraordinárias e no interesse de terceiros em controlá-las.

A história também chegou à televisão em uma série do MGM+, que atualmente se prepara para lançar sua segunda temporada. Assim como Carrie, O Instituto transforma poderes sobrenaturais em uma maneira de discutir controle, violência e a forma como pessoas diferentes são tratadas como ameaças.

À Espera de um Milagre

À Espera de um Milagre apresenta John Coffey, um homem condenado à morte que possui habilidades sobrenaturais ligadas principalmente à cura, ressurreição e à empatia.

A conexão com Carrie é temática, e não uma ligação direta entre as histórias. Coffey também é alguém que possui uma capacidade extraordinária e é incompreendido pelas pessoas ao seu redor, mas seus poderes cumprem uma função muito diferente dentro da narrativa.

A história se tornou ainda mais conhecida com o filme dirigido por Frank Darabont, estrelado por Tom Hanks e Michael Clarke Duncan.

A Torre Negra

A Torre Negra ocupa uma posição especial no Kingverso porque funciona como um dos principais pontos de conexão entre os diferentes mundos criados por Stephen King. A própria saga estabelece relações com diversas outras obras do autor, incluindo Carrie, O Iluminado e A Zona Morta.

E a ligação com Carrie é direta: o romance e Carrie White são mencionados nos livros da saga. Em A Torre Negra VII, por exemplo, uma situação é comparada à possibilidade de ser “Carrie no baile”. O próprio site oficial de King lista Carrie e Carrie White entre as conexões da saga.

Isso não significa que Carrie participe da jornada de Roland ou que sua história seja parte direta da trama de A Torre Negra. A ideia é mais simples: Carrie é uma das histórias que existem dentro da grande rede de mundos e referências construída por King.

A saga também ganhou uma adaptação para o cinema, com Idris Elba como Roland Deschain e Matthew McConaughey como o Homem de Preto.

Crítica | Na Hora da Zona Morta (1983): boa premissa, má execução - Cinema  com Rapadura

Bônus: A Zona Morta

A Zona Morta acompanha Johnny Smith, que desenvolve uma capacidade paranormal de perceber o futuro e o passado ao tocar em outras pessoas.

A conexão com Carrie está, primeiro, na presença de mais um personagem de King cuja vida é transformada por uma habilidade sobrenatural. Mas existe ainda uma ligação curiosa com o próprio universo literário: Carrie é mencionada dentro de A Zona Morta como uma obra de ficção.

A história também foi levada ao cinema por David Cronenberg, com Christopher Walken no papel de Johnny Smith, e posteriormente ganhou uma série de televisão.

Conexão que vai além das referências

No fim, a conexão de Carrie com o Kingverso não depende apenas de personagens ou referências escondidas. Ela está principalmente em uma ideia recorrente na obra de Stephen King: pessoas com habilidades sobrenaturais tentando entender seus poderes enquanto enfrentam o medo, a violência e o preconceito daqueles que as enxergam como diferentes.

Assim, o que começa como a história de uma adolescente com telecinese revela, assim, uma temática que atravessa diversas obras do autor. É mais uma forma de King usar o sobrenatural não apenas por causa do terror, mas também para falar sobre temas humanos e sociais.

 

Comentários (0)

Os comentários são moderados e caso viole nossos Termos e Condições de uso, o comentário será excluído. A persistência na violação acarretará em um banimento da sua conta.

Escrever comentário


Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a nossa Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.