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Créditos da imagem: 3%/Netflix/Divulgação

Séries e TV

Entrevista

3% | “A 3ª temporada espelha muito a primeira”, diz Rodolfo Valente

Conversamos com o intérprete de Rafael e também com Vaneza Oliveira

Camila Sousa
07.06.2019
16h50

Quando estreou em 2016, 3% fez um grande sucesso internacional. Enquanto no Brasil a recepção foi dividida, a série se tornou um case de sucesso entre as produções internacionais da Netflix e fez a empresa ter mais confiança para investir em outros conteúdos por aqui, como Samantha!, Coisa Mais Linda e O Escolhido. Se a Netflix colheu bons frutos do sucesso internacional da série, o mesmo aconteceu com o elenco.

Em entrevista por telefone ao Omelete, Rodolfo Valente, intérprete de Rafael, revela que sua vida mudou totalmente após a repercussão da primeira temporada: “Quando fizemos a primeira temporada tudo era muito inédito. Mas foi um choque muito grande. Trocamos mensagens falando que pessoas de outros países estavam mandando mensagem no Instagram, pessoas da Turquia e vários outros lugares. É muito legal como a série alcançou pessoas de culturas tão diferentes e tão distantes da nossa, isso nos deixa muito felizes”.

Ao assistir a terceira temporada, já disponível na Netflix, é curioso comparar como os personagens mudaram com o passar do tempo. Para Vaneza Oliveira, que faz o papel de Joana, a personagem evoluiu com todos os acontecimentos e hoje entende melhor seu lugar no mundo: “Na primeira temporada ela era uma menina que estava muito mais focada em sobreviver e viver seu dia a dia, mas há um momento de entendimento do mundo, em que ela consegue se colocar em ação para mudar as coisas que a incomodam. A terceira temporada também muda sua essência, a partir dessa ideia de que ela é capaz de mudar uma situação”.

Joana evolui em 3%

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3%/Netflix/Divulgação

Para Rafael a situação é diferente. O personagem começa como um agente da Causa, mas o plano de ser um infiltrado no Maralto não dá certo e ele precisa lidar com a decepção. “Na segunda temporada o Rafael faz algo que ele não achou que seria capaz: ele erra. Ele confia demais na Michele, leva uma paulada pelas costas, não consegue completar o plano e falha com a causa. Ele fica sem ninguém e acho que tudo isso o leva para essa terceira temporada: o Rafael se torna alguém sem crença nenhuma em nada da vida. Ele carrega nas costas todo o peso do passado e dos erros que ele cometeu. Neste momento, ele acha que foi tudo em vão. Tudo o que ele acreditava não é nada disso e ele errou”.

Desertos e processos

O trailer completo da terceira temporada de 3% revelou duas coisas importantes: a Concha enfrenta uma grande tempestade de areia e, depois disso, é necessário fazer uma seleção para saber quem poderá ficar no local, e quem precisará sair. Valente define as cenas no deserto e envolvendo areia como uma das mais complexas já feitas em toda a série:

“Tivemos muitos efeitos visuais e práticos na série, então toda aquela areia da tempestade na Concha, era areia de verdade com grandes ventiladores. Tivemos muitas cenas de difícil realização, mais complexas. E a série é isso, a cada temporada 3% abre novos rumos dentro do universo do seriado. A terceira temporada mostra uma mudança não só dos personagens, mas também do ambiente onde eles estão. Nunca vimos o deserto dessa forma antes, a Concha. Demoramos alguns dias para gravar a cena da tempestade, porque é muito complexa”. Vaneza também ressalta que o horário de gravações era muito diferente: a produção começava 03h da manhã e ficava no local apenas até 10h30, porque era impossível lidar com o calor do deserto depois disso.

Mas além do grande incidente, a “seleção” realizada na Concha lembra muito o próprio Processo feito pelo Maralto. Embora os objetivos sejam diferentes - o Maralto quer “os melhores” e a Concha quer apenas sobreviver - a volta das provas e as consequências das eliminações atingem novamente os personagens.

“É louco como o roteiro caminhou para desafiar esses personagens de novo em uma situação de processo de seleção. Agora é diferente do processo do Maralto, que fala sobre ser melhor do que o outro, o processo seletivo que acontece na Concha te obriga a olhar para outro. Há uma promessa dessa sociedade se abrir de novo para ser um lugar novo para todos. Para Joana, esse processo de seleção é conduzido por alguém (Michele) que a traiu na temporada passada. Para ela é complicado estar dentro de um processo seletivo de alguém que ela não confia”.

Embora alguns possam considerar a trama uma repetição, Valente ressalta que a volta de um Processo, na verdade, é uma coisa positiva e rende uma trama interessante no novo ano. “Essa temporada tem um espelhamento muito grande com a primeira. Quando li sobre a nova seleção pensei que é uma sacada genial, porque o primeiro ano tem toda essa coisa do Processo e dos jogos, que os fãs adoram, e nesta terceira revisitamos isso de outra forma. Os personagens estão totalmente diferentes”.