Umbrella Academy e Patrulha do Destino: A jornada de Gerard Way nas HQs

Créditos da imagem: Dark Horse Books/Reprodução;Warner Brothers/Reprodução;DC Comics/Reprodução

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Umbrella Academy e Patrulha do Destino: A jornada de Gerard Way nas HQs

Descubra como o músico/roteirista conecta os grupos nos quadrinhos

Gabriel Avila
15.02.2019
19h10
Atualizada em
15.02.2019
21h09
Atualizada em 15.02.2019 às 21h09

O fato de Patrulha do Destino e Umbrella Academy ganharem séries de TV que estreiam no mesmo dia nos Estados Unidos é mais uma das várias coincidências entre as equipes, que têm muito em comum: além de se tratar de uma espécie de família disfuncional com poderes bizarros, os caminhos dos grupos convergem graças a Gerard Way, conhecido por liderar a banda My Chemical Romance, que já escreveu HQs dos dois times em diferentes ocasiões.

Buscando uma nova abordagem nos quadrinhos alternativos, a DC Comics decidiu lançar em 2016 um novo selo chamado Young Animal, linha editorial que seria um meio termo entre o apelo do universo principal da editora e as obras do selo Vertigo, que há anos se dedica apenas a títulos autorais. Para capitanear essa nova empreitada, a DC convidou Gerard Way, que além de fazer curadoria dos títulos, escreveu dois deles, incluindo a Patrulha do Destino, revista que iniciou a missão em grande estilo. Way não era marinheiro de primeira viagem, afinal quase uma década antes havia criado Umbrella Academy, série vencedora do prêmio Eisner, o Oscar das HQs.

Quando Umbrella Academy chegou às lojas em 2007, o cenário era bem diferente. Grande parte do público de quadrinhos torcia o nariz para Way, tanto por não acreditar que o rockstar dominaria a escrita, quanto por medo de ser apenas uma “aventura” de quem já tinha fama e reconhecimento. Para a surpresa geral dos leitores, Umbrella se mostrou uma grande HQ ao contar uma história cativante e incomum de uma equipe que embora formada por uma família, trazia pouco amor e carinho entre os irmãos (adotivos, como os personagens fazem questão de reforçar).

Com poderes bizarros, vilões extravagantes e uma ironia constante, o quadrinho ecoava sem nenhuma vergonha o espírito que definiu a Patrulha do Destino no final dos anos 80, na fase que é considerada a “era de ouro” do grupo, quando o escocês Grant Morrison escreveu as HQs da equipe. Umbrella aproveita muitos recursos que Morrison ajudou a estabelecer na Patrulha, especialmente a criação de um universo tão incomum quanto possível, utilizando diversas subversões que tinham a clara intenção não só de surpreender o leitor, mas de fazê-lo rir (ou se horrorizar) com saídas que poderiam soar ilógicas se a história não tivesse uma base tão forte no surrealismo. A admiração fica escancarada quando um dos primeiros combates da revista se passa no “Parque Morrison”.

Anos depois, quando assumiu os quadrinhos da Patrulha para o Young Animal, Way criou uma continuação espiritual da fase de Morrison com uma assinatura própria adquirida com a experiência de Umbrella Academy. Sua versão da Patrulha do Destino apresenta a equipe para um novo público enquanto acena para os fãs antigos ao utilizar personagens e relembrar episódios clássicos da fase do escocês. Na trama, a equipe se reúne para impedir uma ameaça cósmica que apenas esse grupo de desajustados pode lidar após anos separada sem fazer nada de relevante (ou heróico). Embora seja injusto comparar com a aclamada fase de Morrison, a Patrulha de Gerard Way consegue reavivar o espírito mirabolante da série brincando com as noções de realidade sempre que possível.

Além da tendência ao bizarro, os dois títulos têm em comum uma arte fantástica cuja importância Way sempre fez questão de destacar. Umbrella tem desenhos do brasileiro Gabriel Bá, que construiu uma respeitada carreira nos quadrinhos ao lado de seu irmão gêmeo Fábio Moon, e é igualmente responsável pelo sucesso do título ao dar uma identidade a personagens cujas personalidades são determinadas em pequenos detalhes em meio a uma trama cheia de acontecimentos de proporção apocalíptica. Já Patrulha do Destino é desenhada por Nick Derington, que se destaca ao reimaginar personagens com uma trajetória de mais de 50 anos em um design atual e descolado, abraçando toda a bizarrice que a trama exige.

Após dois arcos à frente da Patrulha do Destino, tanto o título quanto o selo Young Animal entraram em hiato, causado não por fracasso de público ou crítica, mas pelo compromisso esporádico do selo que se denominava “pop up” (fazendo referência às janelas de aviso que surgem no navegador) desde o início. Enquanto o já confirmado retorno da Patrulha não acontece, Way retomou a parceria com Bá para o terceiro arco de Umbrella Academy. Chamada Hotel Oblivion, a HQ entrou em publicação em 2018, quase 10 anos após o lançamento de Dallas, o segundo volume da história.

Os dois arcos de Umbrella Academy foram publicados no Brasil pela editora Devir, enquanto a nova encarnação da Patrulha do Destino será lançada pela Panini em fevereiro.