Justiça proíbe prefeitura de restringir venda de livros na Bienal do Rio

Créditos da imagem: Marvel Comics/Divulgação

HQ/Livros

Notícia

Justiça proíbe prefeitura de restringir venda de livros na Bienal do Rio

Polêmica começou com HQ dos Vingadores que mostrava beijo entre Hulkling e Wiccano

Nicolaos Garófalo
06.09.2019
20h19
Atualizada em
07.09.2019
13h48
Atualizada em 07.09.2019 às 13h48

Bienal do Livro Rio conseguiu, nesta sexta (6), no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro um mandato preventivo de segurança para garantir o pleno funcionamento do evento neste final de semana.

Desde quarta-feira, a Bienal tem sido alvo de ataques políticos por conta da venda da HQ Vingadores: Cruzada das Crianças, que exibe um quadro com um beijo homossexual entre os personagens WiccanoHulklingA revista teve sua venda proibída pela prefeitura, mas esgotou em menos de uma hora, impedindo os fiscais responsáveis de efetuarem o recolhimento ordenado.

Por meio de seu Twitter, a Bienal comunicou que o mandato tem como objetivo proteger os direitos dos expositores de "comercializar obras literárias das mais diversas temáticas" - leia abaixo:

Ontem (5), o prefeito Marcelo Crivella publicou um vídeo em suas redes sociais, dizendo que solicitou o recolhimento das edições para que elas fossem lacradas, com um aviso de "conteúdo impróprio" para crianças. Escrita por Allan Heinberg e publicada originalmente em 2010, a HQ tem como personagens centrais o casal abertamente homossexual Wiccano Hulkling, que aparece abraçado e dividindo a mesma cama em algumas páginas.

O recolhimento foi anunciado após discurso do vereador Alexandre Isquierdo (DEM) na Câmara Municipal do Rio, na última quarta (4), em que o político ataca a publicação como uma "covardia" às crianças e chama os colegas de Câmara a assinarem uma carta de repúdio contra MarvelPanini e Salvat, todas responsáveis pela publicação da revista em diferentes momentos.

Em comunicado oficial, a Bienal do Rio reafirmou a pluralidade do evento e reforçou o direito dos consumidores de trocarem livros cujos conteúdos não agradem - leia o comunicado abaixo:

A Bienal Internacional do Livro Rio, consagrada como o maior evento literário do país, dá voz a todos os públicos, sem distinção, como uma democracia deve ser. Este é um festival plural, onde todos são bem-vindos e estão representados. Inclusive, no próximo fim de semana, a Bienal do Livro terá três painéis para debater a literatura Trans e LGBTQA+.

A direção do festival entende que, caso um visitante adquira uma obra que não o agrade, ele tem todo o direito de solicitar a troca do produto, como prevê o Código de Defesa do Consumidor.

A organização da Bienal ainda divulgou a programação de três painéis voltados para a literatura LGBTQA+. No Café Literário, com participação João Silvério Trevisan (Companhia das Letras), Jaqueline Gomes de Jesus (Metanoia) e Tobias Carvalho (Record), acontecerá a mesa "Diversidade, substantivo plural", às 17h do dia 7 de setembro.

Também no dia 7, às 11h, o debate "Feminismo x Machismo" acontecerá com o youtuber Spartakus SantiagoMel Duarte e Ellora, tendo Claudia Sardinha como mediadora. Às 19h, a mesa "Literatura Arco-Íris" será mediada pelo autor e cineasta Felipe Cabral e contará com Lucas RochaVitor MartinsIgor PiresThati Machado, Vinicius Grossos e Pedro HMC. A última mesa da Arena #SemFiltro da Bienal acontece às 19h do dia 8 de setembro. Felipe Cabral mediará a conversa "Literatura Trans", que contará com Laísa Marilac, Nana QueirozTarso Brant, Natalia Travassos Amora Moira.

Harry Potter banido

Outra questão envolvedo a cultura pop aconteceu no Tennessee, EUA. Uma escola católica do local baniu a saga de livros escrita por J.K. Rowling, afirmando que as magias escritas são reais e "podem invocar espíritos malignos". A decisão foi do reverendo Dan Reehill, que afirmou em e-mail aos pais: "Esses livros apresentam magia como boa e também ruim, o que não é verdade, mas sim uma enganação".

Confome afirmamos neste artigo, publicado originalmente em 2017, não há comportamento do lado dos mocinhos, ou mesmo dos anti-heróis, que corrobore o ódio que muitos destilam atualmente. O preconceito, em todas as suas formas, não tem espaço na cultura pop. Não é, como muitos insistem em afirmar, uma questão de opinião. Promover o ódio e desprezar diferenças é uma atitude que está, e sempre estará, do lado dos vilões.