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Entrevista

Livro junta final girls clássicas: “No terror, nada fica enterrado para sempre”

Grady Hendrix fala ao Omelete sobre O Grupo de Apoio para Garotas Finais e mais

Omelete
6 min de leitura
27.03.2026, às 06H00.
Final girls de Halloween, Pânico e A Hora do Pesadelo (Reprodução)

Créditos da imagem: Final girls de Halloween, Pânico e A Hora do Pesadelo (Reprodução)

Grady Hendrix está maturando o livro O Grupo de Apoio Para Garotas Finais dentro de sua cabeça há pelo menos 40 anos. Como o autor fenômeno de vendas conta ao Omelete, a ideia de juntar final girls clássicas dos filmes de terror em uma única história surgiu quando leu uma edição da revista Fangoria, que descrevia a cena de abertura do filme Sexta-Feira 13 - Parte 2 (1981).

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Décadas depois, a final girl de Sexta-Feira 13, Adrienne, apareceu ao lado de personagens inspiradas em Halloween, Pânico, O Massacre da Serra Elétrica, A Hora do Pesadelo e Natal Sangrento no livro de Hendrix. Juntas, elas fazem parte de um grupo de apoio onde discutem seus traumas e como eles afetaram suas vidas a longo prazo – ou seja, tudo aquilo que nunca conseguimos ver nos filmes originais.

A seguir, Hendrix conta ao Omelete um pouco mais sobre o seu processo criativo, aproveitando a publicação de O Grupo de Apoio Para Garotas Finais e Vendemos Nossas Almas - outro de seus títulos - no Brasil, pela editora Intrínseca. Confira!

OMELETE: As personagens principais de O Grupo de Apoio para Garotas Finais são inspiradas em vários filmes clássicos de slasher. Como você escolheu quais final girls incluir? E o quanto você quis se manter fiel a elas em comparação a criar suas próprias personagens?

HENDRIX: Este livro começou lá em abril de 1981, quando comprei um exemplar da edição nº 12 da revista Fangoria em um posto de gasolina. Tinha Sexta-Feira 13 - Parte 2 na capa e descrevia a cena de abertura na qual Adrienne King, a final girl da Parte 1, é morta pelo Jason. A crueldade casual daquilo explodiu minha cabeça. Aquela mulher tinha visto todos os seus amigos morrerem, decapitado o assassino e sobrevivido, mas ainda assim não podia baixar a guarda. 

Anos depois, eu e um amigo entramos de penetra em A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros dos Sonhos, e meu cérebro derreteu quando Heather Langenkamp, a final girl do primeiro A Hora do Pesadelo, apareceu para liderar uma sessão de terapia em grupo. A ideia de que a final girl de um filme pudesse aparecer em outro filme me deixou fascinado. Então, Adrienne e Heather tinham que ser incluídas, e aí fazia sentido que Marilyn de O Massacre da Serra Elétrica e JLC [Jamie Lee Curtis] de Halloween estivessem lá, porque esses filmes são icônicos, o mesmo valendo para Neve Campbell em Pânico

Quanto à pobre Lynette, eu queria que ela fosse de um slasher de baixo orçamento, e sempre tive um carinho especial por Linnea Quigley. Como existem poucos filmes mais desprezados que Natal Sangrento, meu elenco estava definido.

OMELETE: Histórias de final girls geralmente terminam antes de elas terem que lidar com o trauma que lhes foi imposto — elas sobrevivem, escapam e o filme acaba. Você quis, de certa forma, corrigir isso com o seu livro? O que te interessava tanto nessas personagens?

HENDRIX: Filmes precisam terminar em algum momento, mas eu sempre me interessei pelo que acontece depois. Depois que O Exorcista termina, o que Regan e sua mãe têm a dizer uma para a outra? Se você sobrevivesse a A Hora do Pesadelo, como descreveria essa experiência de vida crucial para alguém com quem você quisesse se casar, 15 anos depois? Existe tanto potencial de história aí! 

Para mim, o maior desafio foi fazer as idades funcionarem, já que a maioria desses filmes foi feita nos anos 70 e início dos 80. Passei dias e dias ajustando a linha do tempo desses assassinatos, e dos filmes que eles inspiraram, para que meu elenco não fosse nem muito velho, nem muito jovem. Provavelmente gastei tempo demais fazendo isso, mas, para mim, todos os detalhes tinham que parecer reais, mesmo que nunca aparecessem nas páginas do livro.

OMELETE: Vendemos Nossas Almas apresenta uma perspectiva nova para outro tropo do terror, a banda de rock que vende a alma ao diabo. É assim que seus livros costumam começar, a partir de uma premissa comum que você deseja subverter? Como é o seu processo para criar essas histórias?

HENDRIX: O processo para criar Vendemos Nossas Almas foi puro desespero. Eu tinha escrito Horrorstör e O Exorcismo da Minha Melhor Amiga, e devia outro livro ao meu editor. Apresentei dezenas de ideias a ele, e ele não gostou de nenhuma, mas Vendemos Nossas Almas pareceu a "menos pior" de um lote ruim. Originalmente, eu o planejei como uma comédia, mas o livro ficou muito mais sombrio enquanto eu escrevia. 

Eu gostaria de ter mais controle sobre as minhas intenções, mas basicamente minha cabeça chacoalha com pedaços e fragmentos de horror e, ocasionalmente, dois deles se esbarram de um jeito interessante. Após muita digitação, eu tenho um livro – mas leva muito, muito tempo. O livro que estou escrevendo agora começou em 2012, mas consigo encontrar notas sobre ele de 2009. E fiz uma tentativa séria de escrevê-lo em 2018. Ninguém o quis, mas finalmente a ideia do livro esbarrou numa segunda ideia que o trouxe à vida, em setembro de 2024, e tenho digitado desde então!

OMELETE: Como todos os seus livros, esses títulos também usam o horror para lidar com temas como materialismo, abuso, misoginia e assim por diante. Como fã de terror de longa data e escritor, por que você acha que o gênero tem tanto poder alegórico? Isso faz parte do motivo de sua popularidade duradoura?

HENDRIX: O primeiríssimo romance de terror, O Castelo de Otranto, foi escrito em 1764 por um membro do parlamento que quase tinha perdido sua carreira, e talvez até sua vida, tentando frear o poder do Rei George III; e seu livro é todo sobre um rei tentando usar o estupro e o assassinato para chegar ao poder. Então, desde o início, o terror tem sido desconfiado em relação ao poder.

Também sempre foi sobre o passado voltando para nos assombrar – o "retorno do recalcado", como diria Freud. Você acha que escapou impune daquele assassinato, daquele caso, daquele genocídio, daquele crime, mas não. Ninguém nunca escapa de nada, e nada fica enterrado para sempre. Acho que, no momento, todos nós estamos ansiosos para ver as pessoas no comando serem responsabilizadas, e o terror é todo sobre responsabilidade.

OMELETE: Você já escreveu sobre exorcismos, vampiros, final girls, casas mal-assombradas, bruxas... Existe algum subgênero do terror que você queira abordar em seguida? E pode nos dar um gostinho de como seria a sua abordagem sobre ele?

HENDRIX: Aquele livro no qual estou trabalhando há uma eternidade, que mencionei na outra resposta, é sobre um monstro na floresta, mas não quero dizer mais nada sobre isso. Falar sobre um livro antes de ele estar pronto sempre mexe com a minha cabeça. É como olhar para baixo enquanto se caminha na corda bamba!

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