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Oscar 2021 | Bárbara Paz comemora levar Hector Babenco “de volta à Academia”

Filme sobre o cineasta é primeiro documentário escolhido pelo país para tentar vaga na premiação

Omelete
3 min de leitura
Natalia Engler
18.11.2020, às 15H28
ATUALIZADA EM 04.02.2021, ÀS 14H52
ATUALIZADA EM 04.02.2021, ÀS 14H52

Pela primeira vez, o Brasil escolheu um documentário para representar o país na corrida por uma indicação ao Oscar de filme internacional, o longa Babenco - Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou, dirigido por Bárbara Paz.

Emocionada e surpresa, Paz credita a escolha, em certa medida, ao personagem que dá título ao filme, Hector Babenco, cineasta argentino naturalizado brasileiro, ele mesmo já indicado ao Oscar de melhor diretor por O Beijo da Mulher Aranha (1984), e membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

“Escolher o Babenco, que é um cineasta que levou o Brasil para o mundo, levar ele de volta à Academia, e levar o Brasil, por meio dele, de volta, tem uma razão de ser”, afirmou a cineasta, em entrevista ao Omelete, pouco depois do anúncio feito pelo Academia Brasileira de Cinema.

Premiado no Festival de Veneza de 2019 como melhor documentário da mostra Venice Classics, este é o primeiro longa-metragem de Paz, que foi casada com Babenco, morto em 2016. O filme traça um paralelo entre o cinema e o câncer que o diretor enfrentou, explorando suas memórias e reflexões.  

“Acho que esse é um filme de amor ao cinema, principalmente. Um filme de amor à vida, amor ao cinema”, diz Paz. Ela espera que a estreia nos cinemas brasileiros, programada para o dia 26 de novembro, sirva de incentivo para que o público volte às salas e mostre seu apoio à produção nacional, que enfrenta um momento de crise.

“A gente está vivendo uma crise há tempos no Brasil. A pandemia piorou, o mundo está em suspensão, mas o cinema brasileiro já estava passando por um momento muito difícil. Estamos com uma política muito complicada, mas ninguém parou”, aponta a diretora.

Depois de anos de uma política de incentivos públicos capitaneada pela Ancine (Agência Nacional de Cinema), a produção nacional enfrenta um período de muitas incertezas, que começou com cortes de orçamento durante o governo de Michel Temer e se aprofundou desde o início do mandato de Jair Bolsonaro, que trava uma guerra declarada ao setor cultural.

Como já ocorreu no ano passado, é possível que Babenco não conte com apoio financeiro da Ancine para a campanha em Hollywood, como vinha acontecendo em anos anteriores. Essa verba se destinava a promover exibições e eventos para promover o candidato brasileiro junto aos membros da Academia de Holllywood, já que, diferente de outras categorias, na de filme internacional os votantes não são obrigados a ver nem mesmo os filmes indicados.

Paz ainda não planejou como fará para promover seu filme, mas conta que ele já tem estreia nos Estados Unidos programada para janeiro, se a reabertura dos cinemas permitir. “Mas o mais importante é o filme ser visto”, conclui.

Antes do anúncios dos indicados, em 15 de março, a Academia ainda irá divulgar em 9 de fevereiro uma lista de dez finalistas à categoria de filme internacional. Adiada por conta da pandemia do coronavírus, a cerimônia de entrega do Oscar acontecerá em 25 de abril de 2021.

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