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Locke&Key | Episódios iniciais apostam na nostalgia, mas pecam com ritmo confuso

Primeira temporada da série de fantasia já está disponível na Netflix

Gabriel Avila
07.02.2020
18h50
Atualizada em
07.02.2020
19h10
Atualizada em 07.02.2020 às 19h10

Recorrer à nostalgia e adicionar elementos familiares a uma produção original se tornou uma das fórmulas de sucesso nos últimos anos. Stranger Things e Jogador Nº 1 são claros exemplos de que o público está mais do que disposto a embarcar em aventuras inéditas com toques de nostalgia. É com um olho no clássico e outro na inovação que a Netflix lançou Locke & Key, série que, em seus primeiros episódios, busca na mistura de clássicos da fantasia e horror seu próximo grande sucesso - mesmo encontrando um ritmo inconsistente como grande inimigo.

A série acompanha a jornada da família Locke, que se muda para a Key House, antiga mansão localizada em Massachusetts, após o assassinato do patriarca Rendell (Bill Heck). Enfrentando a estranheza de chegar em um novo local após perder um ente querido, a mãe Nina (Darby Stanchfield) e os filhos Tyler (Connor Jessup), Kinsey (Emilia Jones) e Bode (Jackson Robert Scott) descobrem que seu lar é cheio de chaves mágicas que conferem poderes sobrenaturais para quem as utiliza. Porém, esses poderes acordam um antigo mal que passa a assombrar os novos moradores.

Adaptação da HQ escrita por Joe Hill e desenhada por Gabriel Rodriguez, Locke & Key segue os passos de sua fonte e cria um amálgama de influências cheia de homenagens à cultura pop. Juntar um grupo de crianças ou adolescentes para combater uma ameaça sobrenatural sem a ajuda de adultos é território comum, mas a série aposta em sua excêntrica mitologia para se descolar de similares. Com efeitos visuais caprichados e cenários meticulosamente planejados, a produção cria um mundo singular que confere assinatura própria a uma trama corriqueira.

O seriado da Netflix tem a seu favor uma equipe experiente com a linguagem televisiva. Sem medo de modificar a obra original, a produção adiciona e modifica trechos em prol da história que está sendo contada. Assim como nos quadrinhos, o enredo tem como partida o assassinato de Rendell, mas a série faz questão de introduzir flashbacks de forma criativa para deixar palpável sua falta para os que ficaram. Momentos como a leitura de uma história antes de dormir ou a entrega de um presente ajudam a fisgar o espectador, que aos poucos passa a entender a dimensão da perda.

Entretanto, Locke & Key da Netflix encontra no ritmo seu principal inimigo. Se os momentos cotidianos são bem construídos e cativantes, os de ação e suspense deixam a desejar. Seja pela cadência dos eventos ou a forma como são filmados, eles não causam o impacto que o roteiro claramente desejava. É de se estranhar que uma produção que faz tanta questão de homenagear - e citar de forma literal - clássicos do terror seja tão descuidada em momentos cruciais.

Investindo em personagens carismáticos e prestando homenagem às suas raízes, a série de Locke & Key tem um grande potencial para se tornar o próximo grande sucesso da Netflix. Para isso, entretanto, precisa encontrar um caminho que evite tropeços em seu próprio mergulho em uma rica mitologia que têm tudo para agradar fãs dos quadrinhos e conquistar novo público. A primeira temporada da série de fantasia já está disponível na Netflix