Louis Hofmann em Dark

Créditos da imagem: Dark/Netflix/Reprodução

Netflix

Artigo

Dark | 3ª temporada recompensa fãs atentos com estreia nostálgica

Estreia do último é um reflexo sombrio do primeiro episódio da série

Gabriel Avila
12.06.2020
10h54

Em 2020 é quase impossível passar batido por Dark. Lançada em 2017, a série alemã da Netflix apostou em mistérios, segredos e especialmente em uma forte veia de ficção científica para abordar de forma complexa o conceito de viagem no tempo. Com o anúncio de que seu terceiro ano seria o último, a produção se tornou fonte de enorme ansiedade para os fãs, que ficaram ainda mais sedentos por respostas após o surpreendente gancho deixado pelo conclusão da 2ª temporada. É com clima de despedida que a série inicia sua contagem regressiva, recompensando fãs atentos com estreia nostálgica.

O primeiro episódio da 3ª temporada começa quase que exatamente de onde o ano anterior havia parado. O apocalipse de Widen está acontecendo, Martha foi baleada por Adam, deixando Jonas sozinho e desesperado até o aparecimento de uma outra versão de sua amada. Afirmando que vem de “outro mundo”, ela ativa um dispositivo e leva o garoto a um universo alternativo.

Deixado para trás pela Martha que salvou sua vida, Jonas descobre um mundo que é quase igual ao seu. Nesse passeio do perturbado jovem em busca de respostas, a produção entra em uma sequência de eventos que soam extremamente familiares. Essa sensação é extraída de um impressionante trabalho que a produção teve para “espelhar” seu episódio de estreia e repetir acontecimentos, falas e até mesmo figurinos dentro de um novo contexto. É aí que “Déjà-vu”, o título do episódio, passa a fazer sentido.

Pela primeira vez, Dark oferece ao espectador a sensação de estar no controle, como que estivesse imune a reviravoltas por já tê-las testemunhado anos atrás. Porém, essa segurança é diluída à cada pequena modificação em relação ao universo de Jonas. Essa dinâmica ao melhor estilo “confiar desconfiando” prova um grande domínio da roteirista Jantje Friese e do diretor Baran Bo Odar, criadores da série, em criar experiências únicas. Não que seja de se estranhar a capacidade da produção em série em se reinventar, mas a dupla se mostra muito confortável em brincar com as peças que já estavam em jogo.

Novo mundo, novos mistérios

Não é apenas no aspecto familiar que a estreia da última temporada de Dark se apoia. O episódio apresenta novos mistérios que podem ser a chave não apenas para entender como funciona o universo da outra Martha, quanto para solucionar os mistérios do mundo de Jonas. A grande incógnita deixada está na presença do misterioso personagem que apareceu no teaser lançado pela Netflix em maio. Sem muitas explicações, as três versões da mesma pessoa parecem ter interesses que ultrapassam a disputa entre Sic Mundus e Claudia Tiedemann pelo controle do tempo.

Com uma criatividade tão invejável quanto a confiança no que está fazendo, o último ano de uma das mais importantes séries da atualidade não poderia ter um início mais satisfatório. Entregando respostas na mesma medida em que em cria novas dúvidas, Dark se encaminha para um final à altura do legado que construiu até aqui.

A 3ª temporada de Dark estreia na Netflix em 27 de junho.