Pai em Dobro se esforça, mas não está à altura do carisma de Maísa

Netflix

Crítica

Pai em Dobro se esforça, mas não está à altura do carisma de Maísa

Melhor coisa dessa versão carioca de Mamma Mia! para a Netflix é vender um Brasil doce para o mundo

Julia Sabbaga
20.01.2021
17h40
Atualizada em
20.01.2021
18h08
Atualizada em 20.01.2021 às 18h08

“Essa caixa voa!”, fala a personagem da Maísa em Pai em Dobro ao entrar no elevador em um prédio corporativo do Rio de Janeiro. Vinda de uma comunidade “hippie” (talvez mais apropriadamente descrita como uma reserva florestal linda onde todo mundo usa roupa da Farm), Vicenza vai para a capital à procura do pai, cuja identidade sempre lhe foi escondida pela mãe. E a frase da garota poderia soar ridícula, principalmente porque ela não tem nenhuma dificuldade em mexer em um iPhone, mas a realidade é que Maísa teria carisma de sobra para carregar uma comédia despretensiosa como essa. Desta vez, no entanto, a tarefa foi árdua. Apesar do brilho da atriz, é difícil salvar os diálogos fracos deste filme da Netflix.

Como o título bem diz, Vicenza rapidamente se encontra entre dois sujeitos que poderiam ter engravidado sua mãe há 18 anos, no Carnaval do Rio de Janeiro. Paco (Eduardo Moscovis) e Giovanne (Marcelo Médici) são totalmente diferentes. E como os dois se conheceram na juventude e não sabem da possibilidade paternal um do outro, regras do cinema ditam que ela não pode revelar o dilema a nenhum dos dois. A premissa remete, claro, a Mamma Mia, e poderia prometer mil malabarismos para manter o segredo. Mas, infelizmente, Pai em Dobro não tem nem o tempero do musical, nem humor o suficiente para trabalhar as reviravoltas de um jeito carismático. Pelo contrário, revelações, encontros e brigas vão e vêm com uma facilidade quase risível.

A melhor coisa da comédia da Netflix talvez seja, precisamente, o fato de ela ser lançada pela Netflix. Digo isso porque há um Rio de Janeiro cheio de cores, um ritmo de Carnaval e um clima de um Brasil cativante, embalado por canções leves de Nina Fernandes, Melim, Rubel e Anavitória. Tudo isso cria uma atmosfera bonita para exportar mundo afora, que seria um orgulho de ver se não fosse o conteúdo regular. 

Cheio de diálogos pobres, é até engraçado observar que Pai em Dobro funciona melhor com coadjuvantes que tem poucos minutos de cena, sem grandes conversas para trabalhar. Isso se prova com o momento de tela de Flávia Garrafa como Jade, mas principalmente na participação especial da roteirista Thalita Rebouças como a recepcionista que ajuda Vicenza na entrada do prédio corporativo. São nesses pequenos relances e graças passageiras que Pai em Dobro consegue mostrar um brilho genuíno. 

Dito tudo isso, vale ressaltar que Pai em Dobro tem o coração no lugar certo, é bem-sucedida em sua missão de ser leve e tem um desfecho louvável. É uma pena que os personagens e atores tenham pouco material para tirar proveito durante toda a trama. A produção bonitinha da Netflix era uma boa oportunidade para levar uma história brasileira ao mundo de modo mais admirável. 

Pai em Dobro
Pai em Dobro

País: Brasil

Direção: Cris D'amato

Roteiro: Thalita Rebouças

Elenco: Marcelo Médici, Eduardo Moscovis, Maisa Silva

Nota do Crítico
Regular

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados para as finalidades ali constantes.