Rua do Medo: 1994 - Parte 1 é homenagem divertida aos filmes de maníaco

Netflix

Crítica

Rua do Medo: 1994 - Parte 1 é homenagem divertida aos filmes de maníaco

Filme dá início à trilogia baseada nos livros de R.L.Stine

Beatriz Amendola
02.07.2021
13h52
Atualizada em
05.07.2021
10h16
Atualizada em 05.07.2021 às 10h16

Logo em sua primeira sequência, Rua do Medo: 1994 - Parte 1 traz uma figura encapuzada e mascarada perseguindo uma garota (Maya Hawke) em um shopping, de faca em punho. É uma boa prévia do que vem depois: o filme não tem vergonha nenhuma de brincar com os estereótipos dos slashers, os famosos filmes de maníaco homicida serial, e o resultado é uma homenagem bem divertida, ainda que com alguns tropeços no caminho. 

Baseado (bem livremente) na série de livros de terror de R.L. Stine (o mesmo autor de Goosebumps), o filme é dirigido e escrito por Leigh Janiak, que já havia trabalhado na série de TV Scream -- baseada nos filmes da série Pânico. Não por acaso, esta é uma das grandes referências da nova produção da Netflix. 

A história de Rua do Medo: 1994 se passa em Shadyside, cidadezinha assombrada por massacres e tragédias que muitos de seus moradores atribuem a uma maldição lançada, séculos antes, por uma bruxa. E é claro que um grupo de adolescentes acaba mais envolvido do que gostaria com os acontecimentos sinistros da cidade. 

O grupo é encabeçado por Deena (Kiana Madeira), uma jovem que está sofrendo por sua ex, Sam (Olivia Welch), que recentemente se mudou para Sunnyvale, a vizinha rica de Shadyside (como a própria brincadeira com os nomes em inglês já sugere, “ensolarada” e “sombria”). Depois de um acidente na estrada, as duas garotas passam a ser perseguidas por entidades misteriosas, e o grupo principal de vítimas se completa com o nerd Josh (Benjamin Flores Jr.), irmão de Deena, e os amigos Kate (Julia Rehwald) e Simon (Fred Hechinger).   

A história demora a engatar. Entre tensões sociais, romances que deram errado e momentos muito expositivos sobre a história da cidade, o filme só vai começar a mostrar a que veio mesmo depois de cerca de meia hora, quando a ação começa de fato. A partir daí, cumpre o que promete: há muito sangue e planos mirabolantes, com alguns intervalos dedicados a cenas de pegação e alívio cômico. Quem veio pelo gore, porém, talvez se decepcione, já que ele fica reservado a momentos pontuais no terceiro ato do filme.

Os personagens (e seus atores) têm o carisma necessário para levar a história adiante, mesmo quando não recebem exatamente muita atenção do roteiro -- um problema que afeta especialmente os coadjuvantes. O destaque fica para Kiana Madeira e Benjamin Flores Jr., que tornam fácil para o público torcer por Deena e Josh.

E temos que reconhecer: Janiak fez uma boa escolha ao colocar no centro de sua história um casal LGBTQIA+, subvertendo clichês do gênero. Parte de uma homenagem bem-sucedida, afinal, é também saber quando e como mexer nas regras do jogo. 

Finalizada em um gancho claro, a história de Rua do Medo: 1994 continuará em mais duas partes, que voltarão aos anos de 1978 e 1666. Ainda bem que não precisaremos esperar muito: ela estreiam nos dias 9 e 16 de julho, respectivamente.

Rua do Medo: 1994 - Parte 1
Fear Street Part One: 1994
Rua do Medo: 1994 - Parte 1
Fear Street Part One: 1994

Ano: 2021

País: EUA

Classificação: 18 anos

Duração: 1h45 min

Direção: Leigh Janiak

Nota do Crítico
Bom

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