Emicida e Criolo no João Rock 2022

Créditos da imagem: João Rock/Instagram/Reprodução

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João Rock 2022 é marcado por amor, protestos e celebração da música nacional

Festival aconteceu no interior de São Paulo no último sábado (11)

Omelete
1 min de leitura
Pedro Henrique Ribeiro
12.06.2022, às 12H05

Um dos maiores festivais do Brasil na atualidade, o João Rock é famoso por prestigiar artistas nacionais — tanto os já há muito consagrados, quanto os que estão emergindo no estrelato —, e a edição 2022 fez valer a tradição. Reunindo cerca de 75 mil pessoas, o festival foi marcado pela presença dos Titãs, mas não apenas os da banda: Erasmo Carlos, Humberto Gessinger, Barão Vermelho e muitos outros fizeram o chão de Ribeirão Preto estremecer, e garantiram momentos verdadeiramente inesquecíveis.

As apresentações exaltaram discursos de amor, como quando Djonga cantou “Leal” e Nando Reis e Pitty entoaram “Na Sua Estante”, mas também foram palco para protestos contra o presidente Jair Bolsonaro (PL). Ainda assim, nada foi mais forte que a sensação de reencontrar alguns artistas que eles não viam desde antes da pandemia do novo coronavírus. Nem mesmo a ausência do BaianaSystem, que cancelou o show após um integrante ser diagnosticado com covid-19, esfriou o público.

Com muitos shows de tirar o fôlego, o João Rock voltou com tudo em 2022. Confira os destaques da edição:

*O repórter viajou a convite do João Rock

 

Djonga abraça plateia do palco João Rock com show cativante

Mesmo com muito protesto, o show de Djonga foi um verdadeiro presente de Dia dos Namorados para os casais da plateia. Entre muitos gritos e protestos contra o atual governo, o público do João Rock ecoou "Leal" por toda a cidade de Ribeirão Preto.

A interação foi um dos pontos altos da apresentação do rapper, um ícone da atual geração. Após uma sequência de hits, ele deixou que os fãs decidissem o final do setlist quando notou que faltam apenas 15 minutos para o final do show. "Fogo nos Racistas" foi quase uma unanimidade e uma enorme roda de bate-cabeça foi formada, refletindo o tamanho do domínio que Djonga estabeleceu com os presentes.

Erasmo Carlos faz espetáculo "tremendão" no palco Brasil

O veterano da Jovem Guarda não fez menos que os garotões no Palco Brasil. Erasmo Carlos trouxe seus hits lendários e atemporais para o festival e mostrou que o que é bom nunca sai de moda. Segundo o cantor, "foi um orgasmo inenarrável" se apresentar no João Rock, e pela resposta do público, o prazer foi mútuo.

Nessa troca de energia, quem esteve diante do palco teve o privilégio de gozar do melhor que a MPB e o nosso Tremendão têm a oferecer — desde a lenta "É Preciso Saber Viver" até as pauleiras, como "Vem Quente Que Eu Estou Fervendo" e "É Proibido Fumar". Durante a performance, ele comemorou o nascimento da bisneta Lua, reclamou do preço do Danone e pediu para que o público baixasse seu novo álbum, O Futuro Pertence À...Jovem Guarda, pois ele "não consegue se igualar às execuções da Anitta".

Ao final do show, todos pediram biz, mas Eramos queria dormir para ver o seu Vasco jogar. Acontece que quem não chora, não mama: o público importunou tanto por um bis, que o Tremendão respondeu com "Eu Sou Terrível", "Festa de Arromba" e outros hits.

Dobradinha nostálgica

Enquanto o Tremendão mostrava que o "velho" é o novo "agora", Humberto Gessinger cantava seus sucessos do Engenheiros do Havai no palco João Rock. Em seguida, os Titãs colocaram os fãs em êxtase, mesmo sem Branco Mello, que se recupera de um problema de saúde.

Assim como Erasmo, os veteranos mostraram que o rock nacional está vivo. Apesar do nome, "Sonífera Ilha" despertou o roupeiro que vive em cada um dos presentes e fez o público se aproximar cada vez mais do palco para cantar com a banda. Mais tarde, "Epitáfio" trouxe à tona uma plateia uníssona e emocionada. Mas foi com "Marvin" que os Titãs tocaram no ponto mais profundo, criando um clima reflexivo com o verso "agora é com você".

CPM 22 celebra os anos 2000 no palco principal

Se há "coisas que somente o tempo irá curar", aparentemente a febre da banda não é uma delas, porque nem o tempo apaga a nostalgia do rock pauleira dos anos 2000. Logo após os veteranos do Titãs se apresentarem, Badauí e sua trupe colocaram Ribeirão a baixo com seus sucessos millenials.

A banda que por muito tempo liderou as paradas de rádios ao lado de Pitty, NX-Zero e Fresno transformou o palco na sala de casa e desafiou a memória e a fidelidade dos fãs. O show dessa noite certamente deixou uma coisa clara para o público: só pensar em não ter o rock nacional por um segundo parece o fim do mundo.

Pitty e Nando Reis estreiam dueto

Pitty e Nando Reis se uniram para um projeto especial, e o público respondeu promovendo o show mais uníssono do festival. Com um setlist recheado de sucessos das carreiras dos dois, como "Admirável Chip Novo" e Resposta", é evidente como eles têm muita história para escreverem juntos.

O encerramento de Emicida, Céu, Criolo e Planet Hemp

Para fechar o circuito de apresentações, o palco João Rock recebeu a primeira amostra do espetáculo coletivo do trio Criolo, Céu e Emicida, onde lançaram Amor, Ordem e Progresso durante o festival. A performance é divida em três atos e logo no primeiro, iniciado com “Divino Maravilho”, eles fazem uma bela homenagem ao cantor Wilson Simonal. As clássicas como “Convoque Seu Buda”, de Criolo, também foram presença confirmada. Céu homenageou Gal Costa com “Vapor Barato” e Emicida exaltou o João Rock: “você não precisa de gringo para fazer um festival foda”.

No outro lado do complexo, Marcelo D2 e o Planet Hemp cantaram seus sucessos legalistas e fizeram o Palco Brasil pegar fogo. Essa não foi a primeira vez que as vozes de Emicida e D2 se cruzam em festivais esse ano. No Lollapalooza Brasil, ambos os artistas cantaram na homenagem a Taylor Hawkins, baterista do Foo Fighters que morreu dias antes do show da banda, que encerraria a edição 2022 do evento.

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