Franz Ferdinand não poupa energia e faz protesto discreto em São Paulo

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Franz Ferdinand não poupa energia e faz protesto discreto em São Paulo

Banda escocesa deixa claro seu amor pelo país e demostra o mesmo fôlego de sempre

Julia Sabbaga
13.10.2018
00h35

O Franz Ferdinand já é familiar ao Brasil, mas sua formação atual, sem o fundador Nick McCarthy e com dois novos integrantes, Dino Bardot e Juian Corrie, fez a sua primeira passagem por São Paulo na noite de 12 de outubro. Já se passaram 12 anos desde a primeira visita da banda de Alex Kapranos, e o mais impressionante é que o frontman, agora aos 46 anos, tem o mesmo espírito e energia das apresentações de 2006.

O show da banda de Glasgow no Tom Brasil, o segundo da turnê pelo país, começou absolutamente pontualmente, e foi marcado por guitarras incendiárias a todo momento. Abrindo com a faixa-título do último disco, “Always Ascending”, o Franz Ferdinand animou o público de cara, que respondia ao amor sincero de Kapranos. Já no primeiro intervalo entre músicas o vocalista conversou com os fãs em português: “E aí, São Paulo, tudo bem?”, e a partir daí, fez questão de interagir com sua plateia o tempo inteiro. Em praticamente todas as músicas, Kapranos abaixava para tocar os fãs da primeira fileira, ou trocava olhares com os mais próximos. Em termos de conexão com o público, o líder da banda não poupou esforços, e recebeu muito amor de volta por isso.

O setlist do Franz Ferdinand também não economizou hits: o começo do show já explodiu com “The Dark of the Matinée” e “No You Girls”, mas foi na sétima faixa, “Do You Want To”, que a casa foi abaixo, e ninguém sobrou parado. Para conquistar ainda mais sua plateia, Alex pegou um cartaz de um fã que pedia a faixa “Outsiders”, e mesmo fora do setlist programado, pediu para a banda tocar: “essa é para você”, ele disse, a quem levou o pedido.

O show já havia chegado a sua metade quando Kapranos começou uma introdução antes de tocar “Michael”: “Esta música é sobre dois caras lindos dançando juntos. E se alguém tem algum problema com isso, se alguém tem algum problema com a gente...”, ele tentou completar, e a plateia já entendeu o discurso. Olhando o público, ele completou: “Não que eu esteja falando de alguém em particular”. O protesto discreto do vocalista foi muito bem recebido pela plateia, e a emoção contagiou ainda mais o frontman. A partir daí, Kapranos se soltou mais e dançou sem parar pelas faixas seguintes: “Feel The Love Go” e “Darts Of Pleasure”, até a explosiva “Take Me Out”, quando o tecladista deixou o instrumento para pegar a guitarra e a banda se alinhou na frente do palco, em um dos melhores momentos do show. Com “Ulysses”, o Franz Ferdinand se retirou para um breve descanso, preenchido por pedidos de “Ele Não” da plateia.

De volta para o bis, jogando copinhos de água para o público, o Franz Ferdinand completou o setlist muito bem com “Finally”, “Jacquelline” e “Love Illumination”, finalizando uma seleção que mesclou muito bem o novo álbum com os seus melhores sucessos do passado. Ao fechar o show com “This Fire”, o conjunto pediu mais uma interação da plateia, que obedeceu se ajoelhando sob o comando de Kapranos, e pulando alto no refrão. O momento foi bem simbólico e fechou o show muito bem; o Franz Ferdinand deixou o palco depois de 1h30 de amor puro e muita energia, se mostrando ainda uma banda que entrega tudo por uma noite bombástica.