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Crítica

Franz Ferdinand - Always Ascending | Crítica

Em novo álbum, Franz Ferdinand mantém a essência, mas sem seus irresistíveis ganchos

Julia Sabbaga
11.02.2018, às 09H56
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H37
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H37

Já faz 14 anos desde que os escoceses do Franz Ferdinand explodiram e estabeleceram o rumo do indie rock, com seu álbum de estreia auto-intitulado, Franz Ferdinand. E apesar do cenário do rock, da música, e do mundo ter mudado tanto desde 2004, o mesmo não pode ser dito da banda. Em Always Ascending, seu quinto álbum de estúdio, a banda trouxe sua sonoridade característica, o que seria bom, senão fosse pela ausência de um de seus elementos mais sedutores; a criação de ganchos pegajosos e refrões irresistíveis. Mesmo assim, o tracklist é familiar e estiloso, recheado de sintetizadores e do charmoso vocal de Alex Kapranos

Em sua formação, os escoceses passaram por uma mudança essencial. No quarto álbum não-colaborativo (o último disco lançado pelo Franz Ferdinand foi FFS, em parceria com a banda Sparks), eles estão, pela primeira vez, sem Nick McCarthy, guitarrista e tecladista fundador, e parceiro principal de composição de Kapranos, com quem escreveu todas as músicas do álbum de estreia. A ausência de McCarthy parece ter deixado um buraco, que a banda busca compensar com os novos membros Dino Bardot e Juian Corrie, que adicionaram mais instrumentos e arranjos vocais mais complexos às faixas. O produtor de Always Ascending, Philippe Zdar, também pode ter tido uma mão na mudança; familiar ao grupo francês Phoenix, Zdar limitou as amplitudes sonoras do Franz Ferdinand, que traz um som mais contido e pé no chão do que em seus primeiros trabalhos.

De qualquer modo, Always Ascending é um trabalho sólido que se sustém na falta de pretensão. Soando como se a banda não precisasse provar mais nada para ninguém, o álbum é simples e modesto, chegando com auges em brilhos no tracklist como “The Academy Award” ou a pseudo-americana “Huck and Jim”. Batizada em homenagem ao clássico da literatura americana As Aventuras de Huckleberry Finn, a faixa traz o vocalista forçando um carismático sotaque norte-americano. O primeiro single, a que dá nome ao disco, é o mais próximo que o Franz Ferdinand chega aos ganchos do passado. O esperto título, em referência à técnica em que uma música parece crescer sem parar, sem nunca resolver, é também destaque no setlist, que como sempre na carreira do Franz Ferdinand, traz também letras bobas inseridas em faixas ótimas – como, no caso deste álbum, em “Lazy Boy”, terceira faixa do tracklist, que remete aos sucessos do segundo e terceiro trabalhos da banda. O sintetizador em “Lois Lane” é outro grande momento do disco. 

Always Ascending fecha sem grandes surpresas. Apesar de ter vindo para aliviar a tensão para os fãs, que aguardaram cinco anos por um novo álbum, o novo do Franz Ferdinand faz isso apenas parcialmente, trazendo dez boas faixas, mas deixando uma sensação de que o grupo sabe fazer melhor. 

Nota do Crítico
Bom

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