Marcelo Falcão em apresentação no Festival Porão do Rock/Coletivo N3RVO

Créditos da imagem: Coletivo N3RVO/Reprodução

Música

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“Eu precisava criar algo mais feliz” diz Marcelo Falcão sobre disco solo

Músico foi uma das atrações do Festival Porão do Rock, em Brasília

Jacídio Junior
28.10.2019
20h53
Atualizada em
28.10.2019
21h09
Atualizada em 28.10.2019 às 21h09

Marcelo Falcão está na estrada com seu disco solo, Viver, a pouco mais de sete meses. Agora, depois de um tempo na estrada com o novo projeto, a voz reconhecida pelo papel de frontman de O Rappa, sempre entoando as letras combativas, agora aposta em um material mais alegre.

O cantor foi uma das atrações da edição de 21 anos do Porão do Rock, um dos principais festivais do circuito nacional, que acontece anualmente em Brasília, e conversou com exclusividade com Omelete. Leia abaixo.

Abrindo a conversa, vale a pena fazer a ponte entre a expectativa de Falcão ao lançar o disco e com ele tem sentido a recepção do projeto, já que ele, à época, fez questão de ressaltar que era importante que o público chegasse para conhecer seu novo som de coração aberto. Agora, depois de algum tempo na estrada, ele confessa que mesmo com as pessoas amando o Rappa, elas têm vindo dispostas a curtir suas novas faixas.

“São 25 anos no Rappa, metendo o dedo direto na ferida. Então eu precisava nesse momento, de perdas, de muita coisa que vem acontecendo, no Brasil polarizado do jeito que tá, de criar algo mais feliz. Eu sempre penso que as pessoas estão deixando de viver, cara”.

Porém, o fato de colocar no mundo um disco mais feliz, não significa que Falcão tenha deixado sua veia combativa de lado, como ele mesmo comenta: “Meu novo disco tem “Eu Quero ver o Mar”, tem  “Diz aí”, músicas nas quais eu desabafo, mas eu queria falar de vida nesse momento. E as pessoas têm percebido, vindo comigo e percebido que isso é o que é realmente importante pra mim. É falar da vida, com a vida a gente ainda tem prosperidade pra continuar defendendo um montão de coisa. E quando estamos só guerreando, a gente realmente não tem tempo pra fazer com que as coisas aconteçam”, enfatiza.

Sobre essa necessidade de ser mais leve, o vocalista relembra uma conversa que teve com Mano Brown, que em sua estreia como artista solo, também apostou em algo mais leve. “Eu não esqueço da vez que conversei com o Brown e ele disse: ‘Pô, eu fiz o Boogie Naipe pra sorrir, mano’. Entende? Então, na mesma pegada desse pensamento, não dava pra eu sentar ali (e criar como fazia antes) porque o Rappa é os quatro integrantes juntos”.

Como parte dessa história, Falcão é o terceiro membro do grupo carioca a lançar um disco solo e confessa que sentia a necessidade de falar sobre a vida. “Depois de tanta coisa, eu queria falar de vida, falar do que a gente ainda pode fazer com a vida, mudanças que são realmente importantes. Com esse tipo de pensar eu lancei Viver”.

Agora nesse novo momento da carreira, com sonoridade e uma banda um pouco diferente, o artista comenta que tem se empolgado bastante com a oportunidade de estar com grandes músicos. “Pessoas que admiram a música como eu admiro e que se reuniram pra fazer parte desse chamado pra que essa festa acontecesse. E também ter a oportunidade de tê-los gravando e no palco comigo, tocando, é muito bom”, finaliza.

Falcão já pensa em novos projetos para 2020. O músico adiantou que deve retornar em breve ao estúdio para selecionar novas faixas e preparar um novo álbum solo que deve chegar às ruas logo mais.

*Jacidio Junior esteve no Festival Porão do Rock a convite da organização