Bring me the Horizon celebra sua trajetória (e o português) em show memorável

Créditos da imagem: Divulgação/Bring me the Horizon

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Bring me the Horizon celebra sua trajetória (e o português) em show memorável

Quinteto se apresentou ao lado da banda The Fever 333 na última quarta-feira (3)

Gabriel Avila
04.04.2019
19h55
Atualizada em
05.04.2019
08h27
Atualizada em 05.04.2019 às 08h27

Como parte do circuito criado pelo festival, à cada edição o Lollapalooza leva algumas de suas atrações a casas de show para se apresentar nas chamadas Lolla Parties. Na noite da última quarta-feira (3), as bandas Bring me the Horizon e The Fever 333 promoveram uma noite conduzida por música pesada e grande carisma. A noite começou pontualmente às 21h quando uma figura encapuzada se posicionou no centro do palco da Audio em São Paulo. Se tratava de Jason Aaron Butler, vocalista da Fever, que em questão de minutos ganhou a plateia com o hit “Burn It”. O trio não se intimidou com a posição de banda de abertura e entregou uma performance intensa. Apesar de desconhecidos por parte dos presentes, o grupo conseguiu cativar a audiência graças a sonoridade feroz. Durante a apresentação, Jason revelou que já teve uma banda com um músico brasileiro e com ele aprendeu ritmos nacionais que os inspiraram em de diversas composições presentes no álbum Strength in Numb333rs, lançado neste ano. Após oito canções (e um inusitado duelo de bateria) o grupo deu lugar ao Bring me the Horizon, que subiu ao palco com o jogo ganho mas não se acomodou e entregou um show memorável.

Considerando que a casa estava cheia para vê-los, o quinteto britânico poderia fazer uma apresentação morna, mas qualquer dúvida sobre a entrega da banda foi deixada logo nos primeiros minutos. Com a incendiária "MANTRA", o grupo colocou a casa abaixo e deu início a um espetáculo capaz de encantar fãs novos e antigos. O BMTH vem ao Brasil divulgando amo, seu disco mais recente, onde elementos pop foram incorporados à sua sonoridade pesada. Confirmando a convicção da banda em apostar em melodias mais abrangentes, o público reagiu a canções como "Medicine" com a mesma empolgação mostrada em músicas mais pesadas como "The House of Wolves" e "Shadow Moses".

Além da performance precisa por parte dos músicos, os pontos altos do show ficaram a cargo do vocalista Oliver Sykes, que se mostrou um frontman completo. Sykes é o principal letrista do grupo, e utilizou de suas experiências com a namorada brasileira como inspiração para a faixa "Mother Tongue", cujo refrão (“fala amo”) dá nome ao último álbum. Esse interesse pela “língua materna” de sua amada se mostrou muito forte, já que o vocalista interagiu com a plateia em português o tempo inteiro. Indo além do protocolar “amo vocês”, o cantor comandou a plateia pedindo pela abertura de rodas mosh e até adaptando letras para o português, como em “Can You Feel my Heart”, onde a palavra “sorry” foi trocada por desculpe. O vocalista arriscou até mesmo alguns palavrões, o que levou a plateia à loucura quando direcionou alguns deles ao presidente Jair Bolsonaro na introdução da música "Antivist", uma das mais pesadas na carreira do grupo.

Apesar de estar em uma nova fase, os fãs do Bring me the Horizon não esquecem o passado do grupo, que revolucionou a música pesada nos anos 2000 dentro do gênero deathcore. Embora a banda não se rotule mais como “metal” - como revelou o baterista Matt Nicholls em entrevista ao Omelete - a plateia pediu inúmeras vezes pela canção “Chelsea Smile”, presente em Suicide Season, segundo disco. Oliver respondeu em bom português que essa música era “zoada”, porém como uma forma de apaziguar a situação, a banda performou um medley com quatro canções dos primeiros discos, lavando a alma de quem acompanha o BMTH desde o início.

Após uma hora e meia de entrega por parte da banda e do público, o BMTH encerrou a apresentação com "Throne", canção do disco That's The Spirit que conseguiu colocar o público pra cima e encarar uma volta pra casa em plena quarta-feira com um sorriso no rosto. Embora festivais tenham atmosferas diferentes de casas de show, o público que vai conferir o Bring me the Horizon no Lollapalooza pode se preparar para uma performance intensa e cheia de carisma por parte de uma banda que se empenha em fazer com que o público tenha uma experiência única.