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30 Seconds to Mars insiste no coro e faz festa no palco em São Paulo

Banda de Jared Leto trouxe participação de Projota e encheu o palco de fãs

Julia Sabbaga
28.09.2018
00h34
Atualizada em
28.09.2018
07h09
Atualizada em 28.09.2018 às 07h09

Cheio de novidades para apresentar para o público brasileiro, o 30 Seconds To Mars retornou um ano depois de sua última passagem pelo Brasil, desta vez, para apresentar o seu novo álbum, America. Apesar de ter perdido integrantes e agora contar apenas com apenas Jared e Shannon Leto na banda, a performance não perdeu peso, e com quase metade do setlist composto por faixas do último disco, o grupo só adicionou hits perfeitos para cantar em coro, e tirou proveito disso muito bem no Espaço das Américas, em São Paulo, no dia 27.

O show do 30 Seconds to Mars começou – como tradicionalmente na turnê - com um a grande instrumental que dá nome a tour, "Monolith". Shannon sobe ao palco antes e preenche as batidas que já tocavam com uma poderosa bateria, e é só depois da expectativa crescer que entra ao palco o frontman com toda a pose de messiânico, Jared Leto. Ele surge como uma figura grandiosa e preenche o palco, caracterizado no estilo esquisitão de sempre, desta vez com um vestido por cima da calça e um quimono. Mas o impacto da figura dura pouco: não deu nem uma música para que o vocalista começasse a pular e pedir que o público fizesse o mesmo.

Os fãs do grupo marcaram presença de modo perfeito. Não faltaram bandeiras, cartazes e pedidos de música. A energia não poderia ter sido melhor para Jared Leto ou para o setlist, que durante toda a primeira metade contava com faixas perfeitas para shows: uma quantidade infindável de “Ooo” animavam o povo, que nem precisava dos constantes pedidos de animação de Leto para representar o amor. As primeiras faixas do show, “Up In The Air” e “Kings And Queens”, já pareciam ter tirado tudo da plateia, mas isso se provou falso quando a banda começou “This Is War”, que foi antecipada na ordem do setlist e pedida pelos fãs. Com todo o estilo de hino, a faixa-título do terceiro disco da banda foi, possivelmente, o melhor momento do começo do show. Para completar, no fim, a banda encheu o lugar de bexigas enormes e coloridas.

Jared Leto canta bem e alcança notas durante o show todo, sem parar de animar o público, mas no miolo da apresentação, com “Do Or Die” e “Love Is Madness”, quando ele dançou com a bandeira do Brasil, o vocalista toma fôlego para o que viria. Puxando coros dos dois lados do público, o frontman já chamou dois fãs ao palco para ajudar a embalar a gritaria. Depois de “Hail to The Victor” e “City Of Angels”, a banda estava mais confortável, e o vocalista, já sem quimono, passou a conversar de modo mais genuíno com a plateia, dizendo que quer morar no Brasil e rendendo suspiros de todos os lados. O trecho final da apresentação começou perfeitamente, com a ótima “Rescue Me”, que contou com uma performance surpresa de Projota, surgindo no meio da faixa e entregando rimas que encaixaram perfeitamente. A presença do músico brasileiro no palco empolgou de vez, e aqueceu os fãs para uma última dose de hits antes de ir embora.

Depois de dedicar “Hurricane” ao Brasil, Jared Leto deixou o palco para o momento solo de Shannon, que aproveitou para apresentar a única música de sua autoria de America, “Remedy”. Discretamente, o baterista que até então tocava uma batida poderosa que preenchia o Espaço das Américas, surpreendeu com sua performance singela e competente. O carisma natural do músico, que vive à sombra do frontman mas não por falta de talento, rendeu gritos de “Shannon” assim que ele expressou um quieto “thank you” e voltou ao seu instrumento.

Se há algo que torna a performance do 30 Seconds To Mars um pouco mecânica, é a dificuldade de manter um show fluido. Apesar de toda música render bons momentos, entre cada uma das faixas, o palco se apaga e a banda se reorganiza, sempre deixando alguns segundos a mais que acabam sobrando. De vez em quando, a pausa serve para que o vocalista troque de roupas, o que aconteceu antes das quatro últimas faixas do show.

“Walk On Water”, a faixa mais politizada do último álbum, empolgou não somente o público como o palco, que pela primeira vez começou a mostrar imagens mais psicodélicas do telão. A música, que trouxe Jared Leto arriscando bem mais no vocal, também teve uma baita resposta do público, que ganhou de presente um belo fim de show: antes de fechar com “Closer to the Edge”, Jared saiu pelas primeiras fileiras e escolheu um grupo imenso de fãs para subir ao palco. Quando o show acabou, o palco do 30 Seconds To Mars estava absolutamente lotado de fãs, e a festa se concretizou de vez quando o grupo abusou do confete antes de se despedir. Pode fazer um ano que o 30 Seconds To Mars passou por aqui pela última vez, mas a apresentação de 2018 definitivamente não foi menos memorável por isso. Jared Leto e seu irmão fizeram uma festa repleta de interação com o público, e deixaram sua marca novamente, desta vez por São Paulo.