30 Seconds To Mars | Jared Leto fala do novo álbum e da política no Brasil

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Música

Entrevista

30 Seconds To Mars | Jared Leto fala do novo álbum e da política no Brasil

Prestes a tocar nos palcos brasileiros, vocalista compara país com os EUA e discute a responsabilidade dos artistas

Julia Sabbaga
26.09.2018
18h03

Poucos dias depois do aniversário de um ano da última performance do Thirty Seconds To Mars no Brasil, o grupo de Jared Leto está de volta ao país. O tempo pode ter sido pouco, mas as mudanças não foram: desde setembro de 2017, a banda lançou o seu álbum mais sonoramente diferente e com sua maior mensagem política, além de ter mudado de formação e hoje ser composto, apenas, pelo vocalista e seu irmão, Shannon Leto, os dois fundadores do grupo de Los Angeles. Na sua nova passagem pelo Brasil, com a Monolith Tour, Jared Leto conversou com o Omelete sobre a nova fase da banda, do Brasil, e as responsabilidades de artistas.

O álbum America, lançado em abril, trouxe uma batida mais pop e mais peso em vocais limpos, além de uma energia eletrônica menos pesada que o grupo está acostumado. Questionado de onde veio a inspiração para a sonoridade distinta, Leto explica que o álbum é uma evolução natural da banda, e que as influências definitivamente não vieram das novas modas do pop: “você sente a cultura do pop independentemente se você quer ou não. As músicas passam por você. Mas eu não ouço muitas músicas atualmente, sou mais inspirado em pessoas, obras de arte, ou algo que eu li”. As referências também não passam pela sua carreira de ator, segundo Leto. Questionado se America sentiu os efeitos de Blade Runner 2049 ou Esquadrão Suicida, filmes que ele gravou enquanto trabalhava no álbum, Leto foi conciso: “Não. Talvez no sentido em que tudo que você faz na vida te influencia. Mas é difícil imaginar alguma influência destes filmes, especificamente”.   

Além de político já no nome, o álbum trouxe o single "Walk On Water", que não é uma crítica ferrenha, mas é claramente influenciado pela época política atual nos Estados Unidos especificamente. Sobre isso, Leto comentou que é interessante observar a reação do público no mundo inteiro: “Quando nós tocamos esta música e a plateia grita alto a frase ‘tempos estão mudando’, da França até Polônia e México, você consegue sentir a paixão. Acho que a música se traduz além das fronteiras”. Dizendo que o conflito político não é caso único dos EUA, Leto ainda comparou a situação políticas do país de Trump com o cenário atual brasileiro: “Vocês no Brasil estão passando por algo semelhante ao que passamos nos EUA. Eu não vou discursar sobre a política brasileira porque não sinto que é meu lugar, mas sei que nós estamos fazendo as mesmas perguntas sobre a nossa vida, nossa cultura, quem queremos ser. Sobre que tipo de país queremos viver e que tipo de governo queremos que nos represente. Quem são nossos líderes? O que podemos permitir que eles façam?”

Mesmo assim, ele nega que a temática seja uma questão de responsabilidade de artistas: “Você não tem responsabilidade de fazer nada como um artista, exceto ser um artista. Não tem responsabilidade de contribuir para um diálogo público. Tendo dito isso, eu acho que cada artista tem o direito de falar, do mesmo modo que todos, mas quando ele o faz, é público. É uma oportunidade”.

Apesar de negar o peso de ser um exemplo, ele explica que o contexto político mundial é uma fonte propícia para as artes: “Tivemos grandes músicas, filmes, livros e obras de arte que foram inspiradas por política, por revolução, por mudança social. Algumas das melhores obras de arte. A situação política é uma oportunidade para confrontar e ser confrontado. Esta é uma época fascinante para estar vivo”. Leto, no entanto, reconhece que a importância do tema não é excludente: “Se você quiser escrever músicas sobre se apaixonar, é bom também. Porque provavelmente, historicamente, o amor é mais importante para as pessoas do que a política. Talvez seja mais importante falar sobre isso?”, ele pondera.

Antes de se despedir, o vocalista fez questão de deixar registrado seu amor pelo Brasil, e disse que senão fosse pelas dificuldades de fazer turnê na América do Sul,  eles viriam mais vezes: “Eu gostaria que tivesse um jeito de aproximar Los Angeles do Brasil. É um lugar incrível de tocar. O público é tão legal e empolgado. Eu poderia morar aqui”, ele finaliza.

Os temas de amor, política e as influências distintas de Leto estarão presentes no setlist do 30 Seconds To Mars quando a banda subir aos palcos brasileiros esta semana. O grupo tocará no dia 27 em São Paulo, no Espaço das Américas, 29 em Porto Alegre no Pepsi On Stage e 30 em Curitiba, no Teatro Positivo.

Para São Paulo e Porto Alegre, ingressos serão vendidos através do Livepass, e para Curitiba ingressos serão vendidos no Disk Ingressos