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Cine 99: como Matrix mudou tudo

Longa revolucionou história da ficção científica

A cozinha
20.08.2019
18h08
Atualizada em
20.08.2019
18h29
Atualizada em 20.08.2019 às 18h29

Na década de 90, o mundo aprendia a desbravar a internet e as pessoas foram gradativamente ocupando o novo território virtual. No universo online, inclusive, dados eram armazenados e transações importante eram feitas, o que jogava o mundo dos acumuladores de papel ao esquecimento. 

A simples virada do ano de 1999 para o ano 2000 gerava especulações apocalípticas naquela época. Isso porque havia a desconfiança de que as máquinas não seriam capazes de compreender que a data 01-01-00 era o dia seguinte de 31-12-99. Um simples erro de leitura poderia levar o mundo digital ao colapso. Era a ameaça do bug do milênio. 

Apesar de nenhum grande desastre ter de fato acontecido, a ansiedade pesava no ar. Foi esse sentimento coletivo, gerado pela incerteza da transição de um milênio para o outro, que os grandes diretores de 99 conseguiram capturar e traduzir para as obras-primas daquele ano. E aqui entra a teoria da realidade simulada de Matrix.

O filme conta a história Thomas Anderson (Keanu Reeves), um entediado trabalhador de escritório que, nas horas vagas, é um hacker chamado Neo. Um dia Neo conhece Morpheus (Laurence Fishburne), que revela a ele que todos vivemos em uma simulação de computador chamada Matrix.

Quando recebeu o roteiro escrito pelas irmãs Lana e Lilly Wachowski, em 1992, o iniciante agente de talentos Lawrence Mattis sabia que aquele era exatamente o tipo de história que ele procurava. Mattis, que havia estudado filosofia na faculdade, percebeu semelhanças entre os questionamentos da história das irmãs roteiristas e uma linha de pensamento filosófica do século 17. Apesar de ter ficado muito empolgado com a ideia, ele tinha uma dúvida: como convencer um estúdio de que aquela ideia complexa teria retorno financeiro? O agente começou a circular o roteiro em 1995. Naquela época, a internet era discada e dominada por hackers, militares e acadêmicos, mas logo se tornou um fenômeno popular com a banda larga. Era a transição da vivência totalmente offline para um universo online que poderia ser explorado de infinitas formas. Começava ali a criação de uma realidade paralela.

O roteiro de Matrix era cheio de ação, tiro, perseguição, porradaria, gente flutuando e andando na parede. Mesmo assim, os estúdios pareciam achar o filme meio inviável. A única empresa que se interessou por Matrix foi a Warner, mas mesmo assim ninguém entendeu nada da história. O estúdio então sugeriu que as irmãs Wachowski dirigissem um outro filme antes de começarem a produção de Matrix, como um teste para saber se elas eram ou não capazes de conduzir a realização de um filme tão complexo. Mesmo depois do sucesso de Ligadas pelo Desejo, lançado em 1996, os executivos precisavam de mais argumentos para financiar a produção. As Wachowski então levaram as belas artes conceituais de Geof Darrow para mostrar as imagens do que seriam os dispositivos tecnológicos imaginados para o filme. Foi aí que a Warner começou a entender sobre o que o filme se tratava.

A produção total de Matrix foi avaliada em US$ 60 milhões. Mesmo assim, essa quantia estava bem abaixo do que foi gasto em Batman & Robin de 1997. Os cinemas estavam saturados de sequências e remakes e o público buscava filmes originais. O risco de lançar Matrix começava a valer a pena. Dessa forma, abriu-se a oportunidade para a produção de um dos melhores filmes dos anos 90.

Matrix foi um sucesso de público e crítica. Fora as impressionantes cenas de ação e das inovações de computação gráfica, um dos grandes impactos do filme foi no campo das ideias. Boa parte do público saiu dos cinemas há vinte anos ficou se questionando sobre o que tinha acabado de assistir: "será que a nossa realidade pode não ser real?"Agora tudo isso está prestes a voltar com a confirmação do quarto longa da franquia, que pode explorar todo o desenvolvimento digital dos últimos anos e os vários problemas que surgiram com isso.

Confira acima o Cine 99 especial sobre o primeiro Matrix.