Cena de Kate e quadro de Justiceiro: 6 Horas Para Matar

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação; Marvel Comics/Divulgação

HQ/Livros

Artigo

Kate, novo filme da Netflix, espelha HQ divertida e brutal do Justiceiro

Lançada sob o selo MAX da Marvel Comics, 6 Horas Para Matar põe Frank Castle contra o tempo

Eduardo Pereira
14.09.2021
20h13

Sucesso no ranking brasileiro de audiência da Netflix ao longo de todo o último fim de semana, a irresistível "bobagem encharda em neon" que é Kate remete a um arco divertido que Frank Castle, o Justiceiro, protagonizou nos quadrinhos da Marvel Comics: 6 Horas Para Matar. No filme de ação, a assassina de aluguel que empresta seu nome ao título, vivida pro Mary Elizabeth Winstead (Aves de Rapina), é envenenada, tendo de correr contra o tempo para, em 24h, descobrir quem a condenou à morte e se vingar. Já nas páginas da Casa das Ideias, o anti-herói da camiseta de caveira ganha só seis horas de vida, após ter uma toxina mortal injetada em sua corrente sanguínea. Mas o resultado de ambas as premissas é o que as une de forma indiscutível: uma coleção crescente de corpos deixados por essas duas jornadas. E há ainda mais similaridades entre as histórias.

Em Kate, além da luta da protagonista pela sobrevivência (que inclui uma boa quantidade de lutas literais, sangrentas e cheias de adrenalina, contra os mais variados capangas), o coração da trama está no cuidado dela pela jovem Ani (Miku Martineau), uma garota com quem partilha de um trágico laço e por quem acaba indiretamente responsável. Já no quadrinho da Marvel publicado sob o selo MAX, assinado por Duame Swierczynski e Michel Lacombe, é também pela defesa da criançada que Frank Castle se vê às portas da morte: o Justiceiro investiga um esquema de tráfico infantil, o que o coloca na mira de inimigos poderosos.

É claro que diferenças também abundam entre as tramas, com Kate concentrando sua ação em uma Tóquio repleta de luzes fluorescentes e vibe neo-noir, enquanto 6 Horas Para Matar mergulha em uma soturna Filadélfia, mais monocromática que colorida. Só que se você se divertiu com a ação conduzida de forma frenética e sanguinolenta pelo longa-metragem de Cedric Nicolas-Troyan, pode ser uma boa pedida ir atrás dessa trama de 115 páginas, publicada no Brasil em um encadernado em capa dura da Panini Comics. A forma similar como as histórias precisam contextualizar a incoerência que é ter esses personagens, que são caracterizados por seu primor em combate, sofrendo com a gradativa incapacitação propagada pelas toxinas em seus corpos, é sempre um deleite para o fã de ação.

Frank Castle em 6 Horas Para Matar
Marvel Comics/Reprodução

O JUSTICEIRO DE SEMPRE, MAS AINDA MAIS BRUTAL

Lançado como um selo focado no público adulto, o Marvel MAX é hoje apenas um indicativo da classificação etária das publicações mais violentas da Casa das Ideias. À época do lançamento de 6 Horas Para Matar, entretanto, tratava-se da divisão da editora responsável por histórias como Alias, de Brian Michael Bendis, Blade e até algumas das mais intensas tramas de Deadpool. Nessa linha narrativa, o Justiceiro nunca cruzava o caminho de super-heróis, podendo protagonizar suas histórias de moral questionável sem se misturar à retidão pregada pelos principais personagens da editora.

Nesse univero, Frank Castle manteve a mesma linha temporal de seu lançamento, sendo um veterano da Guerra do Vietnã e mantendo suas atividades como vigilante de meados dos anos 1970 até os anos 2000, onde se passa a maioria das histórias. Mais velho, cínico e violento, o personagem navega os Estados Unidos em busca de conflitos com criminosos, em uma vibe de filme de brucutu dos anos 1980 que acerta o tom ao manter tudo muito simples. O melhor: se tratando de uma narrativa alternativa, a linha MAX ainda é capaz de desenhar um fim para o personagem. Vale conferir.

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados para as finalidades ali constantes.