Thanos em What If...?

Créditos da imagem: What If.../Marvel Studios/Reprodução

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Thanos além do Capitão Genocida: como What If...? ressignifica o Titã Louco

Animação realocou vilão no MCU com bom humor, mas sem abrir mão da sua natureza vilanesca

Mariana Canhisares
18.08.2021
11h34

Como um bom vilão chegado ao autoritarismo, Thanos (Josh Brolin) não é lá muito aberto ao debate. Então, o fato de T’Challa (Chadwick Boseman) tê-lo convencido a não cometer um genocídio em dimensões galáticas em ao menos uma das realidades do multiverso do MCU, como foi mostrado nesta semana em What If…?, é um atestado da sua natureza inata enquanto líder e pacifista. Mas a verdade é que o Titã Louco, embora mais ponderado nesse relato do Vigia, nunca deixou de acreditar na efetividade do seu plano. Na realidade, nem chegou a considerá-lo um genocídio de verdade -- “seria aleatório”, ele defendeu em Wakanda, como se isso justificasse de alguma forma as vidas perdidas. Em outras palavras, o que T’Challa fez não foi necessariamente apelar para o bom senso do Titã Louco, mas para a sua preocupação genuína (e, sim, um tanto distorcida) com o futuro dos planetas.

Este retrato do vilão é um ótimo exemplo de como What If…? é uma ferramenta interessante para desenvolver a imensa galeria de personagens já apresentados pela Casa de Ideias no cinema. Porque, no fundo, o que a série fez neste capítulo -- e muito bem, diga-se de passagem -- não é sequer subverter, mas enfatizar outro traço da personalidade de Thanos que, até então, ficara em segundo plano na linha do tempo principal. Afinal, não é novidade para ninguém que ele acreditava pensar no bem maior quando propunha sua “agenda ambientalista” baseada no extermínio coletivo. Foi um dos principais assuntos debatidos entre os fãs após Vingadores: Guerra Infinita -- ou você vai dizer que não ouviu ninguém falando “mas vamos combinar que ele tem um ponto? Os recursos são escassos!”?.

Além de divertido, esse exercício é tão bem executado que, por mais próximo que o Titã esteja de ser uma figura heroica, suas questões mais elementares, como sua relação conflituosa com a Nebulosa, também encontram espaço na tela -- por sorte, nessa realidade, ele e a “filha adotiva” as notaram antes dele desmembrá-la por inteiro e substituir seus membros por partes robóticas. Trata-se, portanto, de um relacionamento bem mais saudável que o original, mas que ainda se beneficiaria de uma terapia, como bem aponta T’Challa.

Essa disfuncionalidade familiar o torna um membro mais que adequado para a família que tem Yondu como patriarca -- que, por sua vez, também não é descaracterizada com a adição do Titã Louco. Porque, como os demais colegas de equipe, ele tem uma moral maleável que, debaixo de uma boa liderança, pode realizar grandes feitos, como cogitar se sacrificar para salvar seus colegas Saqueadores. Isso não lembra uma dança aí que salvou o universo das mãos de Ronan, o Acusador?

Mesmo se você recorrer aos quadrinhos, há respaldo nesta ressignificação pela qual Thanos passou nesse episódio. Mais do que colaborar com os Super-Heróis mais Poderosos da Terra, o Titã Louco já liderou a equipe e até gritou “Avante, Vingadores!” na sua minissérie solo. Então há sim, no fundo daquela alma perturbada, ao menos uma gotinha de bondade -- e, numa realidade alternativa anterior ao extermínio de inocentes, ela ainda pode ser explorada.

Marvel Comics/Reprodução

Ver o retorno de um personagem tão complexo e rico aos olhos de uma piada, como “Capitão Genocida”, é interessante para além da nostalgia de rever um bom vilão. É, primeiro, ressignificar -- e não descaracterizar -- uma figura tão memorável. E, depois, um bom presságio do que What If…? pode vir a oferecer nas próximas semanas, no Disney+.

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