What If...? | Episódio com Doutor Estranho é deslumbrante e de quebrar o coração

Créditos da imagem: Cena do 4º episódio de What If...? (Reprodução/Twitter)

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What If...? | Episódio com Doutor Estranho é deslumbrante e de quebrar o coração

O horror cósmico do personagem se presta perfeitamente ao formato animado da série

Caio Coletti
01.09.2021
09h00
Atualizada em
01.09.2021
09h34
Atualizada em 01.09.2021 às 09h34

What If...? foi feita sob medida para contar uma história do Doutor Estranho. O personagem de Benedict Cumberbatch carrega, no MCU, o estandarte das ousadias visuais, do horror cósmico à la H.P. Lovecraft, e das manipulações temporais. A animação, a premissa e o formato antológico de What If...? caem como uma luva em tudo isso.

Não é surpresa, portanto, que o episódio de Strange, lançado hoje (01) pelo Disney+, seja o melhor da série até agora. A conjectura da vez é bem expressada pelo título poético do capítulo: "E se... o Doutor Estranho perdesse o coração, ao invés das mãos?".

Quando a Dra. Christine Palmer (Rachel McAdams) morre em um acidente de carro, Strange busca o treinamento nas artes místicas como uma forma de trazê-la de volta, mesmo que a Anciã (Tilda Swinton) o avise que isso pode resultar no colapso de todo o universo.

O episódio tira uma boa lição dos anteriores e passa o mais rápido possível pelos eventos com os quais já estamos familiarizados - Strange é treinado, a Anciã morre, ele se torna o Mago Supremo e derrota Dormammu, tudo isso nos primeiros cinco minutos. O que se segue é uma viagem vertiginosa e visualmente brilhante pelas profundezas do universo místico da Marvel.

A selva perfurada por raios de Sol onde Strange vai procurar o conhecimento ancestral do qual necessita para salvar Christine é o primeiro sinal de que este episódio foi um pouco além dos outros, em termos visuais, na missão de impressionar o espectador. A partir daí, a belamente renderizada biblioteca de Cagliostro se torna palco de algumas das cenas mais impressionantes do MCU até agora.

A trama acompanha a bizarrice dos visuais com maestria, nunca fugindo das consequências sombrias do universo que imaginou. As sombras e pedaços de criaturas que vão tomando conta de Strange enquanto ele absorve entidades mágicas a fim de aumentar o seu poder (incluindo um monstro com tentáculos com o qual os fãs de What If...? já estão familiarizados) são aterrorizantes e, ao mesmo tempo, uma representação perfeita do que ele se tornou, consumido por uma obsessão que vai além do amor.

Ao contrário do que aconteceu na semana passada, quando o mistério da morte dos Vingadores encontrou uma solução quase banal, insatisfatória, este episódio de What If...? é conduzido em direção ao seu clímax com habilidade. O confronto das duas versões do Doutor Estranho é épico, mas também emocionalmente ressonante, e conduzido com brilhantismo pela performance vocal de Cumberbatch, sempre um ator conectado às dores de seus personagens.

O quarto episódio de What If...? acerta em seu exame visceral da perda e do luto, mas também ao deixar Strange ser o que sempre foi, desde sua gênese nos quadrinhos: o tubo de ensaio para as experiências mais "fora da caixinha" da Marvel.

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