Tatiana Maslany em Mulher-Hulk

Créditos da imagem: She-Hulk/Marvel Studios/Reprodução

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She-Hulk não poupa nem Kevin Feige, nem fórmula Marvel em final meta

Série leva quebra da quarta parede às últimas consequências para criticar (com bom humor) os velhos hábitos da Casa das Ideias

Omelete
4 min de leitura
13.10.2022, às 16H12.
Atualizada em 13.10.2022, ÀS 16H25

She-Hulk sempre teve um pézinho na metalinguagem, seja fazendo comentários sobre sua própria existência enquanto série, seja rindo das incongruências do MCU na companhia do seu espectador. Ainda assim, ninguém poderia esperar que a heroína levaria a quebra da quarta parede às últimas consequências no último episódio da temporada, literalmente invadindo a sala de roteiristas e o escritório do Marvel Studios para conseguir uma conclusão que fosse do seu agrado. E nessa visita ao que está do lado de cá da ficção sobrou para todo mundo, inclusive para o presidente do estúdio Kevin Feige e sua tão sagrada “fórmula Marvel”.

Assinado o acordo de confidencialidade e passado um sistema de segurança bem meia-boca, Jen Walters (Tatiana Maslany) vai atrás de Kevin, quem ouviu dizer ser o responsável pelas grandes decisões da série — uma referência descarada ao Zé Boné, como passou a ser conhecido o executivo. Ela, assim como o próprio público, esperava encontrar um homem — provavelmente vestindo um boné preto —, mas se deparou com uma inteligência artificial cujo nome, Nexus de Interconectividade Visual de Conhecimento Aumentado, forma a sigla K.E.V.I.N., em inglês.

Está aí um jeito esperto de abordar as recorrências das produções da Casa das Ideias, sem ser especialmente amargo. Afinal, todo mundo sabe o que esperar dos finais das séries e filmes da Marvel: um encontro bagunçado de tudo o que foi trabalhado até ali, com direito a embates épicos em um cenário cheio de CGI — e, por isso mesmo, acinzentado — que, provavelmente, resultam na morte do vilão. Quer dizer, é tão formulaico que poderia mesmo ser fruto de uma I.A. É evidente que se trata de um exagero, já que, como bem coloca K.E.V.I.N., há produções melhores do que as outras. Mas não deixa de ter um fundo de verdade.

Desse momento em diante, Jessica Gao, produtora-executiva e roteirista que assina o script do finale, não poupa ninguém, nem mesmo a própria série. Tão logo She-Hulk fica frente a frente com K.E.V.I.N., o chefão pede que ela volte à sua forma humana porque ela é muito cara. “Mas espere a câmera sair de você”, ele pede. “A equipe de efeitos visuais foi para outro projeto”. De uma só vez, Gao ri de um fato dos bastidores — já que ela mesma teve que cortar cenas por causa dos custos do CGI — e reconhece a demanda alta por efeitos visuais, que colocou a Marvel como alvo de denúncias de práticas abusivas.

Portanto, não é à toa quando Jen está prestes a voltar para seu “mundo real” e pergunta a K.E.V.I.N.: “qual é a forma mais baratinha de fazer isso?”. Muito provavelmente essa conversa aconteceu de fato! Por sorte, a resposta foi uma mistura dos dois, o que, vale dizer, torna o tapa na cara de Todd (Jon Bass), o HulkKing, mais saboroso e nem um pouco cinzento.

Este é apenas um exemplo de todas as cutucadas que Gao fez ao MCU no episódio. Ela ainda mencionou o puritanismo do universo, que mal reconhece a existência de flertes, quiçá sexo — “historicamente, temos pegado leve nesse departamento”, ambos os Kevins são obrigados a reconhecer —, além da insistência nos problemas paternos como conflito primário dos personagens. Como se não bastasse tudo isso, antes de se despedir, Jen ainda joga para a galera e pergunta o que todos querem saber: “quando vamos ver os X-Men?”.

Foi um final sem vergonha, no melhor sentido da expressão, e por isso ideal para uma série como She-Hulk. Depois de incorporar as críticas que recebia nas redes sociais e torná-la parte da sua trama, provocando o espectador a, quem sabe, fazer um tanto de autocrítica, por que não colocar a própria Marvel no divã para refletir sobre si mesma? Com a saturação das produções da Casa das Ideias agora, inclusive, na TV, é mais do que bem-vindo esse momento de reavaliação. É necessário.

Mas que fique registrado: se for para continuar com esse esquema de pirâmide, em que você precisa assistir a tudo para acompanhar as aventuras seguintes, que seja com mais She-Hulk. Uma boa dose de ironia sempre faz a eventual frustração ser mais palatável.

A primeira temporada completa de She-Hulk está disponível no Disney+. Relembre a nossa entrevista com a atriz Tatiana Maslany:

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