Ms. Marvel

Créditos da imagem: Marvel Studios/Divulgação

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Ms. Marvel dribla desconfianças com comédia teen fofa e consistente

Série compreende espírito de seus personagens e traz uma das melhores caracterizações do MCU

Omelete
4 min de leitura
Nico Garófalo
07.06.2022, às 10H00
ATUALIZADA EM 07.06.2022, ÀS 10H23
ATUALIZADA EM 07.06.2022, ÀS 10H23

Como qualquer fã de super-heróis poderá confirmar, uma boa adaptação de quadrinhos depende muito mais do que apenas repetir falas, quadros ou visuais icônicos. Homem-Aranha 2, de 2004, por exemplo, tomou muitas liberdades criativas com seu material-base e, ainda assim, segue como um dos filmes mais amados do gênero. O mesmo pode ser dito de O Cavaleiro das Trevas, de 2008, que consagrou Christopher Nolan como um ídolo nerd. Embora sejam muito diferentes dos gibis que os inspiraram, ambos os longas souberam traduzir o espírito das histórias de seus heróis titulares para as telonas e se tornaram adorados até pelos fãs mais puristas dos personagens. Ainda assim, Ms. Marvel chega com certa desconfiança.

A mudança radical nos poderes da heroína e a necessidade de adequá-la ao núcleo cósmico deixou muitos leitores assíduos com a pulga atrás da orelha - afinal, Kamala Khan sempre foi uma heroína urbana e de poderes esquisitos. Felizmente, os dois primeiros episódios da série, que estreia nesta quarta-feira (8) no Disney+, derrubam qualquer dúvida acerca da caracterização da personagem.

Já nos momentos iniciais, Ms. Marvel mostra que, diferente de algumas outras produções, abraçará sem qualquer pudor o absurdo dos gibis de super-herói. Com uma animação de cerca de cinco minutos narrada por Iman Vellani, a série estabelece o tom otimista e colorido que permeia a produção.

Vellani, aliás, demora pouquíssimo tempo para provar que foi a escolha perfeita para viver a Ms. Marvel. A atriz de 19 anos encarna Kamala de forma louvável, transparecendo toda a personalidade agitada e sonhadora da garota sem o menor esforço, superando - e muito - as boas expectativas que as pequenas prévias da série criaram sobre ela. Com um carisma comparável ao Tony Stark de Robert Downey Jr., Vellani não se intimida com seu recém-adquirido protagonismo e encanta com seu retrato da jovem fã de super-heróis.

Além de acertar na escolha da protagonista, Ms. Marvel também encontra o tom perfeito para contar a história da personagem de G. Willow Wilson, Sana Amanat e companhia. Misturando elementos de Vivendo a Vida Adoidado, Freaks & Geeks, Scott Pilgrim Contra o Mundo e, surpreendentemente, Todo Mundo Quase Morto, a equipe comandada por Bisha K. Ali cria uma comédia adolescente que se encaixa perfeitamente no mundo de Kamala e seus amigos.

Adotando um formato muito mais episódico do que as outros títulos da Marvel para o Disney+, Ms. Marvel constrói sua própria “bolha” que, mesmo que não ignore o restante do MCU, funciona muito bem mesmo como obra isolada. Encaixando paixonites adolescentes, professores pseudo-descolados e tias fofoqueiras na franquia dos Heróis Mais Poderosos da Terra, a série mostra o potencial imenso ainda inexplorado pela marca.

Outra ótima surpresa na série é a atenção dada aos coadjuvantes. Bruno (Matt Lintz) e Zoe (Laurel Marsden), por exemplo, têm seus bons momentos nos holofotes, assim como os pais de Kamala, vividos por Zenobia Shroff e Mohan Kapur. Mas é Nakia, interpretada por Yasmeen Fletcher que mais brilha entre os integrantes do elenco de apoio. Desenvolvida para além do posto de “melhor amiga da protagonista”, a garota tem uma presença incrível, com seus próprios sonhos e ambições se destacando mesmo em um episódio focado nos recém-descobertos poderes de Kamala.

Queimando a língua dos cínicos

O Marvel Studios assumiu um risco muito grande de descaracterizar a Ms. Marvel ao alterar seus poderes, muito ligados à trajetória de autoaceitação de Kamala. Felizmente, o estúdio encontrou uma maneira de contornar esse problema em potencial, justificando a mudança de forma extremamente condizente com a mensagem dos quadrinhos.

Afastando-se ainda mais do conceito dos Inumanos, Ms. Marvel liga diretamente os poderes de sua heroína-título à sua ancestralidade e, embora as prévias destaquem a natureza “cósmica” dessas habilidades, a série não demora para defini-las como uma individualidade de Kamala. Embora ainda faça mistério em relação às origens verdadeiras desses poderes, fica claro já nesses dois primeiros episódios que a produção soube adaptá-los ao contexto do MCU sem ignorar seu significado maior.

Com um começo promissor, Ms. Marvel é o show de carisma e cores que praticamente desapareceu com a produção de blockbusters a toque de caixa. E, mesmo que não tenha vindo para mudar o status quo do Marvel Studios, a série promete, pelo menos, uma introdução divertidíssima para uma das personagens mais importantes da Casa das Ideias nos últimos 20 anos.

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