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Artigo

Erros e acertos das séries da Marvel no Disney+

Discutimos o que o estúdio lançou até aqui e como devem ser os próximos lançamentos

Marcelo Hessel
27.05.2021
14h00
Atualizada em
27.05.2021
14h11
Atualizada em 27.05.2021 às 14h11

Com duas séries encerradas e a terceira a caminho, já é possível fazer um balanço do que a Marvel oferece ao público em geral e aos seus fãs no Disney+. Faltando duas semanas para a estreia de Loki, o que a série solo do vilão favorito do MCU pode aprender com os erros e os acertos de WandaVision e Falcão e o Soldado Invernal?

Para sempre o mistério de Mephisto será motivo de piada quando os fãs lembram de WandaVision. Produzir e empacotar uma temporada inteira de uma só vez, mas soltar os episódios semanalmente, pode ser uma armadilha quando seu negócio envolve inflar, entregar e repetir expectativas - como a Marvel tem feito muito bem no cinema desde 2008, filme após filme. O problema de WandaVision talvez esteja menos na expectativa mal colocada dos espectadores (que esperavam uma reviravolta que nunca veio) e mais no fato de o mistério de Agatha ter sido óbvio desde o início (e se um mistério parece óbvio de cara, esperamos a reviravolta de novo para negá-lo).

Do outro lado, a narrativa de Falcão e o Soldado Invernal foi a mais linear possível, porque desde o início já se antevia que Sam Wilson terminaria assumindo o papel de Capitão América, que na sua jornada de herói ele negou ao recusar o escudo. Como a série da dupla não organizava seus episódios como cápsulas de mistério crescente, porém, ao contrário de WandaVision, a Marvel conseguiu lidar com uma expectativa controlada. A experiência de assistir a Falcão e o Soldado Invernal era mais passiva, por assim dizer, mesmo porque o texto era sempre bastante literal nas suas implicações morais e políticas.

No caso de Loki, a série pode se beneficiar de um formato misto: uma narrativa que seja linear, apresentando um mistério que se desenrola ao longo dos seis episódios enquanto Loki procura seu lugar no MCU pós-Os Vingadores, ao mesmo tempo em que os episódios isoladamente oferecem aventuras pelo tempo-espaço que sejam independentes uma da outra, no melhor estilo Doctor Who. O fato de Loki possivelmente ter outras temporadas - ao contrário das suas antecessoras, fechadas e encerradas - mostra que a estrutura episódica com um eventual arco mais longo é o caminho mesmo.

O fato de Loki não levar claramente a nenhum longa-metragem já anunciado pode ajudar a tirar um pouco do peso da expectativa. WandaVision se conectava com Doutor Estranho 2, e Capitão América 4 foi anunciado ao final de Falcão e o Soldado Invernal. No caso de Loki, o Multiverso da Marvel certamente tende a revisitar o TVA para tratar de timelines alternativas (e o vilão temporal Kang vem aí), o que pode respingar no cinema, mas sequer em Thor 4 a falta de Loki tende a ser sentida, num filme que tem Christian Bale como vilão e a presença dos Guardiões da Galáxia pós-Ultimato.

Loki tem todo o terreno, portanto, para fazer com ousadia e alegria uma série só sua, livre de amarras mais tensionadas - mesmo porque a ideia toda de ter linhas temporais alternativas é poder brincar com elas com mais liberdade.

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