Loki: estreia tem clima de thriller dos anos 90 e "desconstrução" do herói

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Loki: estreia tem clima de thriller dos anos 90 e "desconstrução" do herói

Nova série da Marvel estreia com episódio meditativo e visualmente deslumbrante

Caio Coletti
09.06.2021
04h00
Atualizada em
09.06.2021
10h00
Atualizada em 09.06.2021 às 10h00

Loki sempre foi um dos personagens mais fascinantes do MCU. Suas aparições como vilão "raiz", em ThorOs Vingadores, foram inclusive, notavelmente, uma exceção à regra de antagonistas fracos nas primeiras fases do universo cinematográfico da Marvel - e a nova série do personagem, intitulada simplesmente Loki, sabe bem disso.

Por causa do carisma de seu "herói", o primeiro episódio da produção, que estreou hoje (9) na plataforma de streaming Disney+, tem a confiança necessária para respirar fundo e mergulhar de verdade em seus personagens, sem se apressar para montar as cenas de ação épicas que são típicas do MCU - confiança que Falcão e o Soldado Invernal não teve, por exemplo.

Aqui, acompanhamos o deus da trapaça (Tom Hiddleston), que é preso por agentes de uma organização denominada AVT (Autoridade de Variação Temporal) logo depois de fazer sua fuga com o Tesseract - cena que vimos em Vingadores: Ultimato, e que a série recapitula rapidamente em seu início.

Nas dependências dessa organização com cara de repartição pública burocrática, Loki quase é condenado à morte (ou algo parecido) por interferir no que os agentes chamam de Linha do Tempo Sagrada. Quem intervém em seu favor é o agente Mobius (Owen Wilson), que acha que o deus da trapaça pode ajudá-lo com um caso especialmente difícil.

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A partir daí, o espetáculo é ver Hiddleston e Wilson em pleno combate em cena, enquanto o roteiro de Waldron destrincha cuidadosamente a jornada moral de Loki no MCU. São cenas que fazem jornada dupla na narrativa: servem para o próprio protagonista se confrontar com as suas razões e a sua moralidade; e para nós (os espectadores) nos lembrarmos que o Loki que vimos fazer a travessia de vilão para (anti-)herói durante a franquia da Marvel é o mesmo que estamos assistindo aqui, nessa série - ele só não chegou lá ainda.

O roteiro maneja essa dobradinha com brilhantismo, e pelo caminho ainda faz o MCU encarar questões que nunca se perguntou antes, ou ao menos não com essa seriedade: o que é destino, e o que é escolha, na criação de mitos de uma história de super-heróis? Qual é o destino de um vilão, e como mudá-lo? Hiddleston, com a mistura hábil de medo, pesar e astúcia que sempre aplicou ao seu Loki, é o intérprete perfeito para expressar esse conflito.

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Não me levem a mal, no entanto: Loki é também um espetáculo visual, só não da forma como aprendemos a esperar da Marvel. Aqui, a diretora Kate Herron (Sex Education) e o designer de produção Kasra Farahani (Capitã Marvel) encantam o espectador de olho fino ao criar um mundo que remete tanto a thrillers de investigação quanto a épicos de ficção científica dos anos 1990.

A sede da AVT, com suas estátuas gigantes, prédios circulares adornados de dourado e carros voadores, é puro O Quinto Elemento. Já a construção visual do personagem de Wilson e dos outros burocratas que trabalham por lá, com suas gravatas finas, jaquetas surradas e cores mudas, remetem diretamente a um Se7en ou um O Silêncio dos Inocentes.

São referências que, inclusive, combinam com a abordagem caótica que a série faz da viagem no tempo, e com o o ângulo de mistério criminal de sua narrativa, respectivamente. E também são referências que foram citadas pela equipe da série em entrevistas antes da estreia - como tudo no MCU, nada em Loki parece ser por acaso.

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