Falcão e o Soldado Invernal

Créditos da imagem: Marvel Studios/Divulgação

Séries e TV

Artigo

Antagonistas de Falcão e o Soldado Invernal são destaque no segundo episódio

Mistérios do passado vêm à tona em capítulo cheio de suspense

Nicolaos Garófalo
26.03.2021
11h20

[Spoilers de Falcão e o Soldado Invernal à frente]

Desde o primeiro trailer de Falcão e o Soldado Invernal, ficou claro que a série trataria de legado. A pressão sentida por Sam (Anthony Mackie) ao receber o escudo do Capitão América permeou praticamente todos os materiais de divulgação da produção do Marvel Studios para o Disney+, e chegou ao seu ponto mais alto na semana passada, quando o Falcão entregou a principal arma de Steve Rogers ao governo dos Estados Unidos. Essa questão foi retomada no segundo capítulo da série, disponibilizado nesta sexta-feira (26) no streaming, porém de um outro ponto de vista. Em “O Herói Americano”, é a maneira como John Walker (Wyatt Russell) usa o manto azul, vermelho e branco que toma os holofotes.

Um dos protagonistas deste segundo capítulo, Walker abre o episódio da semana relembrando sua trajetória até receber a missão de assumir o título de Capitão América: astro do futebol americano de sua escola, passagem condecorada pelo exército e treinamentos extremos colocaram o soldado no caminho para atingir o objetivo de ser visto como um herói. Sua história, contada em uma bajuladora matéria de um programa matinal, dá o primeiro passo para o desenvolvimento do personagem, que em um primeiro momento parece obstinado em honrar o trabalho de Steve Rogers.

A maneira como Walker é construído no episódio, no entanto, deixa claro que suas intenções reais não necessariamente refletem seu discurso. De pôsteres que estampam seu nome acima do título de Capitão América, ao uso indiscriminado da autoridade de sua nova patente, fica claro que a ambição de Walker é o que realmente lhe move, ao contrário de Rogers, que tinha o desejo de justiça como seu principal motivador.

Bem desenhadas, as ações do novo Capitão também ajudam a avançar a trama da relação entre Sam e Bucky (Sebastian Stan). A falsa humildade demonstrada por Walker leva o Soldado Invernal a confrontar Wilson sobre a escolha de Steve e partir de improviso em uma missão de reconhecimento com o Falcão. Em poucos minutos, a divertida dinâmica criada em Capitão América: Guerra Civil chega a um novo patamar, com a dupla trocando animosidades típicas de um relacionamento de irmãos. Esse clima de comédia policial dá mais personalidade à série, que se beneficia muito da boa dinâmica entre Mackie e Stan.

Entre brincadeiras e olhares intensos, a dupla titular rastreia o grupo de Apátridas que, liderados por Karli Morgenthau (Erin Kellyman), transportam armas ilegais pela Alemanha para equipar outros esquadrões do grupo terrorista. Em uma luta em alta velocidade muito bem construída, é revelado que os mascarados possuem os mesmos poderes de Steve e Bucky, o que dificulta a batalha para Falcão e Soldado Invernal, que só saem vivos do confronto após intervenção do novo Capitão América e seu ajudante Estrela Negra (Clé Bennett).

A influência dos Apátridas também é mostrada de maneira mais clara. Antes resumidos a uma gangue de mascarados, a força da organização e seu discurso é bem representada em uma cena simples, porém bem construída, em que Karli e seus capangas encontram refúgio em um armazém e ouvem que pessoas do mundo inteiro estão preparadas para apoiar sua causa. Além de estabelecer melhor a ameaça ideológica criada pela célula terrorista, o momento também expõe de maneira eficaz a existência de uma ameaça maior, por enquanto oculta por mensagens de texto anônimas.

Super-soldado do passado

Outro momento bem construído em “O Herói Americano” é também aquele que provavelmente levará os fãs dos quadrinhos da Marvel à loucura. Intrigados com a existência de outros super-humanos, Wilson e Barnes viajam a Maryland, nos Estados Unidos, para encontrar com Isaiah Bradley (Carl Lumbly), que enfrentou o Soldado Invernal na Guerra das Coreias.

Cheia de tensão e intensidade, a cena que introduz o personagem serve também para abordar pela primeira vez a questão racial norte-americana de maneira explícita. Enquanto fica claro que Isaiah foi ocultado da história e punido por causa da cor de sua pele, uma discussão entre Sam e Bucky fazem com que policiais abordem o Falcão de maneira desnecessariamente hostil, enquanto o Soldado Invernal é tratado com respeito. Em um momento em que uma parte problemática do público protesta contra o uso de tramas que de cunho social na cultura pop, é importante ver uma franquia com o alcance do MCU tratar de maneira clara e sem rodeios um problema que há séculos se faz presente na sociedade ocidental.

O racismo inerente também fica claro quando comparamos os tratamentos recebidos por Sam e John. Enquanto o Falcão é questionado e convencido pelo exército a deixar o escudo passado pelo próprio Steve Rogers, Walker recebe toda a pompa de um herói nacional antes mesmo de qualquer missão com o uniforme bandeiroso.

Mais incisivo e com mais personalidade que o episódio de estreia, o segundo capítulo de Falcão e o Soldado Invernal mostra que a série está disposta a abordar temas importantes e semelhantes aos da fase comandada por Nick Spencer nos quadrinhos. Embora tenha apenas dado uma pequena prévia de como usará o mundo dos super-heróis para falar de questões problemáticas, a produção mostra que não teme usar o alcance do MCU para discutir racismo e seus efeitos na população.

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados para as finalidades ali constantes.