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10 anos de Capitão América: O Primeiro Vingador | O que mudou no MCU desde então

Primeiro longa do Sentinela da Liberdade foi o passo final antes do Marvel Studios realizar seu primeiro grande crossover

Nico Garófalo
29.07.2021
12h29
Atualizada em
29.07.2021
15h47
Atualizada em 29.07.2021 às 15h47

Lançado em 2011, Capitão América: O Primeiro Vingador hoje parece uma nota de rodapé na longa estrada percorrida pelo MCU nesses 13 anos. Afinal, a história de origem de Steve Rogers já parece distante quando levamos em conta tudo o que o personagem de Chris Evans passou nos sete filmes em que apareceu, incluindo viajar no tempo, viver como fugitivo e sair na mão (duas vezes) com um ditador intergaláctico. Acontece que, mesmo sendo uma típica história de origem, o longa foi também o tijolo final na base da franquia planejada pelo Marvel Studios.

Visto por muitos como um grande prelúdio para Os Vingadores pela importância que deu ao Tesseract, O Primeiro Vingador é também o primeiro longa da franquia que foi mais do que um “filme de super-herói”. Mesmo que ainda conte como Rogers se tornou o super-soldado bandeiroso, o primeiro Capitão América foi além do gênero de ação, assumindo desde o começo a linguagem de filme de guerra clássico. Embora Joe Johnston não tenha permanecido no MCU, foi ele que abriu as portas para que outros diretores - incluindo os Irmãos Russo em Capitão América: O Soldado Invernal - encaixassem os personagens da Marvel em longas de espionagem, ópera espacial, fantasia, assalto e road movie, indo além do show de luzes e explosões tradicionais associadas à marca.

De certo modo, Capitão América: O Primeiro Vingador também foi o último grande filme solo, não só da Fase 1, mas de todo o MCU. De Homem de Ferro 3 para frente, os capítulos da franquia passaram a se conectar cada vez mais, de maneira que se tornava uma tarefa desagradável para um espectador casual tentar acompanhar os acontecimentos de um filme do universo compartilhado. Mesmo filmes como Doutor Estranho ou Capitã Marvel, que trazem histórias de origem até certo ponto isoladas dos grandes crossovers, são melhor aproveitados por quem acompanhou os lançamentos anteriores do Marvel Studios.

A transformação do traseiro da América

Entre Capitão América: O Primeiro Vingador e Vingadores: Ultimato há uma mudança perceptível na maneira como o próprio Steve vê o papel da bandeira dos Estados Unidos que veste. Já em Os Vingadores, o herói questiona a possibilidade de o conceito “azul, vermelho e branco” estar ultrapassado, algo que se reflete na mudança para um uniforme mais discreto em Soldado Invernal.

Mesmo que só abandone de vez o uniforme depois de devolver as Jóias do Infinito para seus respectivos pontos da linha do tempo em Ultimato, Rogers passou por inúmeras desilusões com sua terra natal e seu governo e com frequência questionou ações militaristas que colocavam vidas civis em risco. Apesar de usar as cores dos EUA em Soldado Invernal, Capitão América: Guerra Civil e Vingadores: Guerra Infinita, Steve nunca deixou que seu patriotismo o cegasse, preferindo agir de forma clandestina para proteger o mundo do que seguir regras que poderiam custar vidas inocentes.

Essa visão de Steve reflete o modo como as ações dos próprios EUA são recebidas pelo público (e mercado) internacional. Apesar de usar as estrelas e as listras, o Capitão América sempre foi a bússola moral dos Vingadores. Com o MCU visando números cada vez maiores na bilheteria mundial, limitar Rogers ao papel de super-soldado norte-americano reduziria sua aceitação ao redor do mundo, enquanto o trabalho feito em cima de sua personalidade questionadora e protetora permitiu que ele fosse visto além do traje bandeiroso.

Após uma década do lançamento de seu primeiro filme, o significado do Capitão América dentro do MCU já é completamente diferente. Apresentado inicialmente como um farol de esperança para os EUA, Steve se transformou, nestes 10 anos, em um dos principais pilares da franquia, transcendendo as cores da bandeira que representava e criando um legado invejável dentro e fora das telas -- legado este que, agora, será levado adiante por Sam Wilson (Anthony Mackie), após os eventos de O Falcão e o Soldado Invernal.

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