fever 333 Lollapalooza 2019

Créditos da imagem: Mila Maluhy/Lollapalooza 2019/Divulgação

Música

Artigo

Vocalista do The Fever 333 termina show só de cueca no Lollapalooza 2019

Banda faz discurso político e impressiona com energia

Julia Sabbaga
05.04.2019
14h52
Atualizada em
05.04.2019
16h36
Atualizada em 05.04.2019 às 16h36

O início do Lollapalooza 2019 foi definitivamente marcado pelo rock pesado, principalmente no palco Adidas, onde depois do Molho Negro criar seu mosh pit (leia mais), foi a vez dos californianos do Fever 333, que entregaram a mais pura energia embalada por ideais políticos.

O trio já abriu o show pesado com “Burn It” e o círculo abriu no meio do público para pular logo no primeiro refrão. Quem não entrou, admirou ao lado, pulando discretamente ou levantando as mãos, estimuladas pelo vocalista Jason Aalon Butler. Já no intervalo para a segunda música, o povo já estava ganho e pedia por mais aos gritos de “333!”.

Antes de “Made In America”, o frontman fez um discurso crítico da política americana e o conservadorismo, alegando que o ideal abriu espaço para discursos de ódio nos EUA. Não demorou para que o povo que dominava a frente do palco puxasse um coro unânime de críticas ao presidente Jair Bolsonaro e Butler empolgou apesar da barreira de idioma: “Não sei o que vocês estão falando, mas continuem!”.

O momento político não parou por aí. Depois de fazer os fãs pularem no seu maior hit, o vocalista pediu que todas as mulheres levantassem as mãos e que os homens deixassem as mãos abaixadas: “Todas as pessoas de mãos levantadas agora deveriam estar bem. Todas as mulheres aqui deveriam se sentir seguras em estar aqui. Em apreciar rock em um ambiente seguro”, ele disse, ao som de aplausos de apoio antes de “One of Us”. Aproveitando a empolgação, o baterista Aric Improta fez um solo de bateria impressionante em seguida.

Butler não parou por um segundo, fazendo piruetas com o microfone e até passeando pelo público com uma prancha, mas sua empolgação não foi única. O guitarrista Stephen Harrison também foi ao fundo da pista e passeou pelo público e o baterista arrancou gritos fazendo até um salto mortal de cima dos amplificadores. Na última música do show, o vocalista já estava só de cueca e o guitarrista surgiu no topo da estrutura do palco, em cima do telão, onde terminou de tocar e jogou o instrumento no chão ao fim da apresentação.

O show do Fever 333 marcou pelo bom humor e energia dos três integrantes, que deixarão o Brasil com a lembrança de um público exemplar, que aproveitou o som com gritos, pulos e muito mosh.