Música

Entrevista

Antes do show no Lollapalooza, Molho Negro fala de influências e evolução do som

Trio paraense se apresenta no festival nessa sexta-feira (5)

Gabriel Avila
03.04.2019
15h00
Atualizada em
04.04.2019
12h38
Atualizada em 04.04.2019 às 12h38

Dentre os tesouros escondidos no line-up do Lollapalooza 2019 está o Molho Negro, banda criada em 2012 em Belém do Pará que mistura um instrumental explosivo com letras carregadas de ironia e surge como um nome forte para o rock nacional. O grupo, composto por João Lemos (Guitarra e voz), Raony Pinheiro (baixo) e Augusto Oliveira (bateria) é conhecido por seus shows cheios de energia, e para João, que conversou com o Omelete, a intensidade é parte fundamental da identidade do trio: “Gosto quando as pessoas se relacionam com a música, quando conseguem se conectar com aquilo, e às vezes é preciso chegar mais perto, quebrar essa barreira que o palco às vezes cria.”

Molho Negro abre nesta sexta-feira (5) o palco Adidas e pretende se aproveitar da bagagem para impactar o público logo no início do festival: “pegar a galera chegando, meio que dar um choque logo de início, eu acho é bom (risos)”. Com o costume de promover interação com o público, a banda prepara surpresas para quem chegar cedo no festival: “Se você já foi num show nosso acho que você pode ter uma idéia do que esperar, se você não foi… não vamos estragar a brincadeira pra galera né? (risos)”.

Ao longo de sete anos de carreira, o grupo já tocou pelo país em casas de show e em grandes festivais, como o DoSol. Apesar de parecerem antagônicas, para o músico são experiências muito próximas: “O festival concentra mais gente na maioria das vezes, mas por ter muita coisa rolando pode dispersar um pouco, a casa de show fechar as vezes é legal porque você consegue confinar todo mundo ali junto, porém sei la, pra mim se você tá ali na frente do palco o tratamento que nós vamos lhe dar vai ser sempre o mesmo (risos), então acaba que não muda tanto no final das contas”.

A intensidade dos shows é resultado também das enérgicas influências musicais do trio paraense: “Música alta, explosiva no geral a gente gosta. Com o tempo é claro que sempre aparece uma ou outra coisa nova que a gente começa a ouvir e começa a aparecer na música e tudo, mas geralmente é isso, sempre rumo ao intenso”. Sobre as letras, geralmente voltadas à sátira, a banda encara como outra etapa de ligação com a audiência: “Na maioria das vezes quando a pessoa se conecta vira aquela coisa de uma piada interna dela com a banda, eu acho ótimo.”

A banda se apresentará no Lollapalooza divulgando Normal, seu terceiro disco de estúdio lançado em 2018. Produzido pelo selo Flecha Discos, o álbum se mostrou uma evolução na carreira do Molho Negro: “Dessa vez, além da produção do Gabriel Zander, nós tivemos um tempo maior de composição, ensaio e arranjo junto a ele no Estúdio Costella. Era algo que já tínhamos feito de certa forma no [segundo disco] Não é Nada Disso que Você Pensou, mas que no Normal tivemos mais tempo de preparo ainda”.

O Molho Negro tocará no primeiro dia do Lollapalooza, sexta, dia 5 - veja o line-up por dia.

O Lollapalooza 2019 acontece no Autódromo de Interlagos em São Paulo em 5, 6 e 7 de abril.