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Por que a Coreia é tão boa em fazer histórias de zumbi? Entenda

De Invasão Zumbi até Minha Filha é um Zumbi, subgênero está indo muito bem no país

Omelete
4 min de leitura
18.08.2026, às 13H02.
Cena de Minha Filha é um Zumbi (Reprodução)

Créditos da imagem: Cena de Minha Filha é um Zumbi (Reprodução)

Se você é fã dos filmes de zumbi, já sabe muito bem de onde vêm algumas das melhores produções do filão nos últimos anos: da Coreia do Sul. O fenômeno de bilheteria e crítica que foi Invasão Zumbi, em 2016, abriu espaço para uma série de produções que saíram do país para rejuvenescer (ou, para ser mais temático, ressuscitar) um dos subgêneros mais duradouros e representativos do poder cultural e discursivo de uma boa história de terror.

Mas, enquanto nos preparamos para a estreia de Minha Filha é um Zumbi nos cinemas brasileiros no próximo dia 3 de setembro, vale resgatar a história dos “k-zombies” e entender por que a Coreia se mostrou tão proficiente no filão dos mortos-vivos.

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Cena de Goeshi, ou A Monstrous Corpse (Reprodução)
Cena de Goeshi, ou A Monstrous Corpse (Reprodução)

As origens

Goeshi, ou A Monstrous Corpse, de 1981, é frequentemente identificado como o primeiro longa-metragem de zumbis saído da Coreia do Sul. Na obra sangrenta de Kang Beom-gu, é uma frequência de rádio assustadora que acorda todos os cadáveres dos cemitérios de uma cidadezinha sul-coreana.

Como muitas das tradições do audiovisual de gênero do país (vide nossa matéria recente sobre xamanismo nos k-dramas), no entanto, os k-zombies tiveram seu primeiro grande momento de brilho na série antológica Hometown Legends (1983). A célebre cena de um morto-vivo gritando “devolva a minha perna!” em um dos episódios deste hit da emissora KBS ficou marcada a ferro e fogo na memória do público coreano.

Conforme o audiovisual do país ia se desenvolvendo e encontrando as ambições de exportação, surgiu no aparato governamental o mandato de falar de temas sociais sérios com um olhar para o apelo popular do cinema de gênero, como nos contou o diretor da KAFA em reportagem especial da Korea Week

Nesse período, uma série de cineastas tentou seguir a deixa de Hometown Legends e trazer os zumbis para os holofotes, mas títulos como Dark Forest (2006), Posto de Guarda 506 (2008) e Zombie School (2014) não encontraram o impacto que buscavam. Não até Yeon Sang-ho entrar na jogada…

Cena de Invasão Zumbi (Reprodução)
Cena de Invasão Zumbi (Reprodução)

O que o k-zombie tem de especial?

Em Invasão Zumbi, de Yeon Sang-ho, Gong Yoo interpreta um pai divorciado que está levando a filha de volta para a casa da mãe, via trem. Acontece que o veículo é atacado por mortos-vivos, e agora nossa dupla de pai-e-filha precisa sobreviver ao lado das várias figuras carimbadas que estão no trem com eles – e é só isso.

O filme de 2016 não se preocupa demais com mitologia, porque não precisa fazê-lo. A história de sobrevivência, tanto em sua adrenalina desenfreada quanto em seu envolvimento emocional, é tudo o que importa. Até por isso os dois outros longas da “franquia”, o animado Estação de Seul e o live-action Península, não funcionaram tão bem: na ânsia de estabelecer um universo, eles nunca nos apresentaram personagens por quem valia a pena torcer.

E essa é a deixa que outras produções do subgênero – ou, ao menos, as boas – seguem. 

Kingdom (2019-2020) é um épico de disputa de classes muito além de ser “zumbis na Coreia antiga”; #Alive (2020) encapsula o desespero do isolamento durante a pandemia de covid-19, mas também a solidão urbana que já era um problema antes dela; All of Us Are Dead (2022-) transforma os impulsos de morte e de violência de um grupo de adolescentes em terror concreto; Newtopia (2025) usa os mortos-vivos como elemento de caos para mostrar as rachaduras de um mundo que parece milimetricamente regimentado, perfeitamente organizado; e por aí vai.

De certa forma, esse sempre foi o DNA da história de zumbi, é claro. Em seus filmes seminais do gênero, começando com A Noite dos Mortos-Vivos (1968), George A. Romero falava de racismo, consumismo, do fracasso do sonho americano… o zumbi, enfim, sempre foi um veículo para os apodrecimentos latentes da sociedade.

Na melhor moda sul-coreana, o que os filmes de lá fizeram foi só ligar essa tradição no 220V – e, com isso, fazer as histórias de zumbis perfeitas para os dias de hoje.

Minha Filha é um Zumbi vem aí

O próximo capítulo na história do k-zombie já tem data marcada: Minha Filha é um Zumbi chega em 3 de setembro nos cinemas brasileiros, com distribuição da O2 Play e do Omelete, provando que a comédia familiar também pertence ao subgênero.

Baseado no webtoon homônimo de Lee Yoon-chang, que ultrapassa 500 milhões de visualizações em todo o mundo, Minha Filha é um Zumbi acompanha Lee Jeong-hwan, um pai disposto a fazer qualquer coisa para proteger a filha Soo-ah, que foi infectada por um vírus zumbi. Diferentemente do esperado, a jovem preserva parte de sua consciência, dando origem a uma convivência tão caótica quanto emocionante.

O elenco reúne alguns dos principais nomes do cinema sul-coreano, com Cho Jung-suk (Hospital Playlist) no papel de Lee Jeong-hwan e Choi Yu-ri (Alienoide) como Soo-ah, sob direção de Pil Gam-seong (Maldito Dia de Sorte). O filme também conta com Lee Jung-eun e Cho Yeo-jeong, atrizes que integraram o elenco de Parasita, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2020 e marco histórico do cinema sul-coreano.

E aí, quem já está com o ingresso na mão, e pronto para conhecer mais esse zumbi cativante vindo direto da Coreia?

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