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Korea
Crítica

Doc do BTS surpreende ao expor hesitações nos bastidores do ARIRANG

O Reencontro mostra como septeto se segurou diante das pressões do novo álbum

Omelete
3 min de leitura
27.03.2026, às 16H08.
Cena de BTS: O Reencontro (Reprodução)

Créditos da imagem: Cena de BTS: O Reencontro (Reprodução)

Meu artigo sobre o ARIRANG, novo álbum do BTS, começa definindo como “inimaginável” a pressão sentida pelo septeto de k-pop durante a produção e planejamento do disco — o primeiro do grupo em seis anos, e também o primeiro desde que “Dynamite” e “Butter” os impulsionou para o estrelato global definitivo. Que boa surpresa, então, que o documentário BTS: O Reencontro, lançado via Netflix uma semana após o álbum, fuja de ser uma peça de propaganda inofensiva e se mostre um retrato honesto dessa mesma pressão.

O filme de Bao Nguyen (A Noite que Mudou o Pop) começa com os sete artistas já reunidos em uma propriedade isolada em Los Angeles (EUA), ao lado de um grupo de produtores e conselheiros criativos, para trabalhar no ARIRANG. De certa forma, então, pegamos o bonde andando — o ponto de entrada de O Reencontro é a chegada de Jin ao “retiro artístico” do grupo, com algum atraso, por conta de compromissos relacionados à sua música solo. Quando nos encontramos com o ARIRANG, portanto, uma boa parte dele já está composta e encaminhada.

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O que o filme mostra, na verdade, é que a parte que falta é a mais difícil: os ajustes finos, a definição dos grandes conceitos responsáveis por amarrar as canções compostas pelo time ali reunido em uma empreitada artística coesa. Decisões pequenas que fazem toda a diferença, tomadas por um grupo que não só tem visões contrastantes sobre o que quer mostrar ao mundo (“Quanto mais velhos ficamos, mais raros são os momentos em que concordamos”, diz o líder RM em uma cena), mas também precisa negociar inúmeras pressões comerciais, um público global que espera coisas diferentes deles, e mais.

Aí surgem hesitações e confrontos legítimos, registrados com candor pela câmera de Nguyen. A presença dos representantes da gravadora do grupo, a HYBE — e especialmente do CEO Bang Si-hyuk —, é emblemática de como O Reencontro entende sua história. Eles aparecem no filme, quase sempre, para lembrar aos nossos protagonistas, os membros do BTS, do quadro geral que eles podem perder de vista em meio à intimidade de suas vidas e jornadas criativas. ARIRANG é uma chance de subverter padrões de mercado e cultura, não só um álbum. Talvez ser um álbum nem seja a coisa mais importante sobre ele.

Ao mesmo tempo, é claro, existe a pessoalidade que impregna qualquer empreendimento artístico. O Reencontro mergulha numa convivência pautada pela reflexão nostálgica: vendo vídeos antigos da carreira, repetindo brincadeiras uns com os outros, tentando entender como se transformaram no tempo em que passaram separados, esses sete artistas se engajam na missão difícil de conjugar passado com presente. A juventude de um com a experiência do outro, o anonimato de um com a notoriedade do outro. 

Observando seus protagonistas e suas interações com o mundo, elaboradas em linguagem evocativa do cinema indie, Nguyen captura inúmeros momentos de melancolia pelo que se perdeu no caminho do sucesso, mas tampouco perde de vista a humanidade genuína que se infiltra pelas rachaduras do forte que foi construído ao redor deles. Melhor ainda, ele faz um trabalho de observação ativa, que seleciona suas cenas para sublinhar a costura inexorável entre o ARIRANG como artefato cultural, como produto e como expressão artística. 

O Reencontro é definido, enfim, pela atenção cuidadosa que dispensa aos textos e subtextos reunidos ao redor dos seus sujeitos, e ainda bem que é. Da forma como foi feito, ele deve perdurar como registro valioso de um momento cultural inegavelmente relevante.

Nota do Crítico

BTS: O Reencontro

BTS: The Return

2026
91 min
País: Coreia do Sul, EUA
Direção: Bao Nguyen
Elenco: BTS
Onde assistir:
Oferecido por

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