Pokémon Pokopia pode ser o jogo de fazendinha supremo
Fazer favores para Bulbasaur é muito mais legal do que ajudar desconhecidos
Os anos 2020 podem ser vistos como a década dos shooters de extração, dos hero shooters ou até da retomada do survival horror, mas a grande verdade é que os cozy games tiveram a ascensão mais saudável e exponencial deste período. Os populares jogos de fazendinha não parecem saturados ou ofendem algum tipo de jogador simplesmente por serem anunciados — até pela premissa fofa e casual. Com esse background, Pokémon Pokopia tem tudo para coroar a trajetória que os games de conforto construíram, e um teste antecipado a convite da Nintendo só reforça essa narrativa.
Tivemos acesso a pouco mais de uma hora de gameplay, abrangendo os minutos iniciais da campanha e, depois, dando um salto na história para experimentarmos alguns recursos que são desbloqueados com o tempo. Durante toda essa experiência, o sorriso no rosto era incontrolável.
Poucas coisas são mais fofas do que fazer favores para Charmander, Bulbasaur e Squirtle — e é impossível não dizer que é muito mais legal ajudar os monstrinhos que fizeram sua infância do que dever dinheiro pro Tom Nook. A estrutura de gerenciamento de amizades, customização de áreas e pequenas tarefas, que já é leve por natureza, fica ainda mais gostosa graças à familiaridade com a franquia.
O início da história é semelhante ao que estamos acostumados em títulos similares: você chega em uma terra devastada, sem muitos atrativos, e aos poucos vai angariando mais e mais amigos para povoarem sua vila. Desta vez, a responsabilidade cai nos ombros de um Ditto que não é tão bom assim em se transformar em Pokémon, mas ótimo em imitar humanos.
Esse meio termo é exatamente o que Professor Tangrowth, o primeiro Pokémon a te receber no local, precisava: alguém que conseguisse interagir com equipamentos humanos, mas tivesse habilidades especiais para reconstruir o ecossistema mais rapidamente.
Os novos amigos chegam à cidade por meio de Rastros e Habitats: pontos brilhantes indicam Rastros de um Pokémon, que mostram como seria seu Habitat natural. Usando seus poderes de construção e os recursos ao redor, basta recriar aquele cenário para que a criatura surja.
Existe um fator de aleatoriedade nesse processo. Alguns Pokémon possuem o mesmo Habitat, e nada garante que o monstrinho que vai aparecer é aquele que você viu no rastro. A mecânica poderia ser frustrante, mas acaba funcionando mais como uma surpresa agradável. A cada novo amigo, especialmente aqueles que não eram os que esperávamos, a sensação era como um “Olha só, você também está nesse jogo!”.
Conforme sua vila vai ficando mais povoada, as possibilidades também crescem. Squirtle, por exemplo, te ensina Water Gun para regar grama e hidratar terrenos; Charmander não te ensina como cuspir fogo, mas você pode pedir pra ele te seguir até determinado local e incendiar o que for necessário.
Nem todas as habilidades são aprendidas pelo Ditto protagonista, e em vários momentos é necessário colaborar com seus amigos para cumprir alguma tarefa. Cada Pokémon possui alguma especialidade, e é fácil encontrar a melhor opção para reconstruir um prédio ou acender uma fogueira.
Depois de conhecer seus primeiros companheiros de cidade, o jogo se expande e introduz pequenas missões que te recompensam com moedas. Adicionar Pokémon à Pokédex ou regar um número determinado de quadrados de grama se convertem em dinheiro para comprar itens de decoração, materiais ou projetos de novos objetos que podem ser construídos.
O processo de completar missões e ir decorando sua cidade com cada vez mais casas e estruturas parece ser o loop central do game, que ainda possui uma sutil narrativa de tentar entender o porquê daquele local ter começado a história numa versão tão desértica. Como Ditto foi parar ali, e qual motivo fez os Pokémon fugirem são algumas das perguntas que devem ser respondidas ao longo da campanha.
O salto na história que demos no teste não abordou tanto em questão de enredo, mas reforçou o mar de possibilidades do game: surfar como Lapras, voar como Dragonite e escalar cachoeiras eram algumas das novas opções. Claro, muitos outros Pokémon passeavam pelo cenário, que já tinha casas decoradas com pelúcias, quadros e outros itens cheios de personalidade.
Ao convidar amigos para sua cidade, o processo de colaboração ganha ainda mais força, e tarefas podem ser cumpridas mais rapidamente. Os visitantes, inclusive, podem encontrar monstrinhos que ainda não apareceram em sua vila, e já adicioná-los em sua Pokédex.
Nessa primeira hora de gameplay, Pokopia parece não dever muito frente aos gigantes do gênero. Talvez haja pouca customização para o protagonista se comparado com Animal Crossing: New Horizons — mas o game pandêmico já tem seis anos de conteúdo, e a mudança de aparência constante de Ditto pode dificultar um pouco o desenvolvimento de cosméticos mais elaborados.
Encerramos a sessão extremamente curiosos com os outros Pokémon que iriam aparecer na cidade, e também para entender mais sobre o passado de Professor Tangrowth. Pokémon Pokopia tem tudo para ser o jogo de fazendinha supremo, e é bem difícil achar motivos para acreditar no contrário.