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Fabula Rasa | Jogo brasileiro usa IA para entregar imersão nos diálogos

Jogo da brasileira ARVORE busca usar a polêmica tecnologia de forma não predatória

Omelete
3 min de leitura
FC
06.04.2026, às 19H02.

Fabula Rasa, o novo projeto do estúdio brasileiro ARVORE, tem uma proposta ousada e polêmica: entregar uma experiência VR imersiva que se desenrola em tempo real graças a personagens movidos por inteligência artificial interativa.

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Esse último ponto pode deixar diversas pessoas desconfiadas e até receosas com o título, mas os desenvolvedores garantiram que a IA generativa foi usada apenas no sistema de diálogos, enquanto todo o resto, como arte e programação, ficou à cargo da talentosa e competente equipe do estúdio — a mesma responsável pelo recente The Boys: Trigger Warning, que também tivemos a oportunidade de testar.

Nesta aventura, estamos no papel de um criminoso que será julgado por seu crime pelo rei de um pequeno feudo, precisando convencer a população a votar a favor de sua libertação. A partir daí, o jogador é responsável por desenvolver a história da forma que entender, com os personagens reagindo em tempo quase real (por conta do tempo de processamento das informações) ao que lhes é proposto.

No meu caso, por exemplo, fui um bardo encarcerado após cantar músicas de revolta para a população, mas incapaz de ajudar o executor Everard a conquistar seu amor e de encantar a barda Belladova com minha história. Isso porque foquei meu tempo em tentar convencer o goblin Billy a entregar uma carne podre para Everard e, assim, me livrar de lpa.

Ainda que o jogo passe a impressão de liberdade, há diversos “guardrails”, que são limitações impostas para que a história possa prosseguir dentro do esperado. O jogador até pode pirar, dizendo que é um astronauta ou veio do futuro, mas em questões polêmicas, eles vão tentar trazer o assunto de volta para a realidade da aventura. “Se alguém falar de Donald Trump, por exemplo, o personagem pode perguntar ‘é um rei de outro reino?’”, explica o diretor Marcelo Marcati.

A experiência foi desenvolvida em apenas um ano e já partiu para festivais ao redor do mundo, como SXSW e o FilmGate Interactive, onde conquistou prêmios de público e critica. Os desenvolvedores me disseram que o resultado foi bem positivo, pois, tão interessante quanto criar as histórias, é observar os outros criando, numa pegada bem party game, com amigos reunidos na sala de casa observando e esperando sua vez. Foi o mesmo que eu senti enquanto observava outra jornalista jogar antes de mim, e também ao ouvir a reação daqueles que me observavam.

A experiência foi divertida e rápida, e minha única decepção foi o quão fácil o jogo "quebrou", algo que pode ser facilmente desconsiderado por conta do pouco tempo de desenvolvimento e polimento. Fabula Rasa não é efetivamente um jogo, é um teste de criatividade que busca usar uma tecnologia extremamente divisiva, mas sem incentivar um uso mais prejudicial para a industria, e sim mostrando que existe um caminho. Entretanto, mesmo que o resultado tenha sido positivo, é difícil olhar para o todo com bons olhos, ainda que a ARVORE não tenha muita culpa disso.

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