Diablo IV é satisfatório no Nintendo Switch 2, mas podia mais | Jogamos
Age of Hatred Collection chega ao console sem aproveitar de suas especificidades
No começo de setembro, a Blizzard anunciou a chegada de Diablo IV para o Nintendo Switch 2 por meio da coleção Age of Hatred, que inclui as duas expansões do jogo. Por muito tempo, a base de jogadores da Nintendo pedia por essa chegada, que ocorre mais de três anos após a estreia do game em outras plataformas.
Com a conclusão da trama, ocorrida em Lord of Hatred, pareceu o momento perfeito para o título chegar a este console que, apesar de ser consideravelmente superior ao seu antecessor, ainda apresenta desafios técnicos que equipes de programadores e artistas precisam superar visando a uma experiência agradável para esses novos jogadores.
Passei mais de uma semana testando exclusivamente no Nintendo Switch 2 a nova temporada do game, chamada de Legado Infernal. O resultado foi uma experiência imperfeita, com poucas surpresas, mas uma sensação de satisfação considerável.
Vamos tirar o elefante da sala: essa não é a versão para quem busca o melhor desempenho e visuais simultaneamente. No menu, é possível escolher ativar ou desativar a opção “gráficos aprimorados”, que, como o nome sugere, deixa o player optar por uma jogatina mais bonita ou mais fluida.
De acordo com a descrição do menu, os gráficos são aperfeiçoados, incluindo reflexos de ray tracing, com meta de 30 quadros por segundo. Para muitos jogadores, isso é o mínimo aceitável. Enfrentei quedas de FPS bruscas, ficando entre 20 e 25 quadros, o que ocorre principalmente no mundo aberto ou dentro de masmorras em confronto com vários inimigos ao mesmo tempo. Ou seja, constantemente. Considerando o resultado visual, não é uma opção que valha muito a pena ativar, seja no modo portátil ou no dock.
Quando desativamos, o desempenho fica na casa dos 40 FPS, com alguns momentos beirando os 60 e algumas quedas por volta de 25 a 30 quadros. Nessa opção, o gameplay ficou bem mais agradável e, surpreendentemente, sem um impacto visual considerável. E, por conta disso, foi assim que joguei.
Outro empecilho que encontrei foi o esquema de botões. Entretanto, é importante dizer que eu sempre, em minha vida toda, joguei Diablo com mouse e teclado, então a estranheza inicial é mais do que óbvia. Apanhei mais para o controle do que para os próprios chefões do jogo. Após algumas poucas horas de sofrimento, os Joy-Cons já estavam domados.
A surpresa ficou para a falta de suporte às funcionalidades especiais dos controles, não aproveitando o giroscópio para comandos a partir de movimentos e nem mesmo o modo mouse. Ora, logo a Blizzard não permite que “cliquemos” na tela, uma funcionalidade incluída de fábrica por ninguém menos que a Nintendo? É bastante irônico. Como se não bastasse, o game tem suporte a mouse e teclado via USB.
Ok, uma funcionalidade específica do console foi, sim, utilizada. No modo portátil e semiportátil (fora do dock e apoiado na mesa), é possível navegar nos menus por meio da tela tátil, facilitando em parte o processo. Méritos dados, ainda que seja algo óbvio demais para receber louros.
O mesmo se pode dizer sobre o crossplay e o cross-save. Em pleno 2026, é o que esperamos de games como serviço, e aqui isso foi muito bem executado. Pude trocar entre Nintendo Switch 2 e PC sem nenhum problema por conta da minha conta Battle.net. Escolhia onde jogar mais pelo conforto do que pelo desempenho ou por outro aspecto. Também sem louros, mas ótima execução.
De forma geral, Diablo IV: Age of Hatred Collection me parece ser uma boa alternativa, mas não em todos os casos. Jogadores que ficam muito tempo fora de casa ou têm o Nintendo Switch 2 como plataforma principal vão, sem sombra de dúvidas, ficar bastante satisfeitos com a experiência. É um port que, apesar de fazer muitas concessões, entrega um resultado bastante satisfatório. Agora, para aqueles que priorizam qualidade gráfica em vez de conforto e/ou praticidade, a melhor escolha é adquirir o título em outro console ou no PC. Digo como fã: o importante não é onde jogar, mas sim não deixar de jogar.
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