Lord of Hatred é o final glorioso que Diablo IV merecia
A expansão encerra com chave de ouro a Era do Ódio
Após quase três anos de seu lançamento, a história de Diablo IV está oficialmente finalizada com o lançamento de Lord of Hatred. A segunda (e provavelmente última) expansão do jogo encerra com maestria a chamada Era do Ódio, ao entregar a melhor trama e narrativa de todo o game, além de diversas outras novidades extremamente bem-vindas que colocam o nome da franquia de volta ao topo dos ARPGs.
Falar de Diablo IV: Lord of Hatred é fácil; difícil é sintetizar tudo o que pude jogar e evitar estragar a experiência de quem entrará nessa aventura em breve. Para isso, terei que dar spoilers do final do jogo base e da expansão Vessel of Hatred, lançada em 2024. Estejam avisados!
Após Akarat nos ajudar a derrotar Mefisto em sua forma de lobo, ainda aprisionado na Pedra da Alma, seu corpo padece e seu espírito se vai. Acontece que o Senhor do Ódio consegue se libertar e assume o corpo físico e a identidade do profeta, tendo agora condições para completar seus planos de exterminar a humanidade.
Assim, o Viajante (nosso personagem), junto ao horadrim Lorath, corre contra o tempo para conseguir uma arma que possa acabar com o Grande Mal antes que ele conquiste uma legião de seguidores com suas falsas profecias e destrua o Santuário.
Diferente de Vessel of Hatred, a trama aqui é extremamente objetiva, com um acontecimento levando diretamente ao outro e todos tendo suma importância para o desenrolar da história. Não tem "barriga", enrolação nem nada do tipo. Além disso, a narrativa é cheia de grandes acontecimentos, reviravoltas, retornos, mortes e traições que ocorrem do momento em que você inicia a expansão até os créditos subirem. Esse conjunto acabou gerando um desinteresse nas missões secundárias, já que a principal sussurrava constantemente em minha orelha: “Você não quer saber como tudo vai acabar?”.
A qualidade da escrita dos personagens ajuda muito nessa sensação. Mesmo pensando que isso seria impossível, Lorath cresce ainda mais e se torna uma das figuras mais interessantes da história da franquia, mesmo sendo apenas um humano. As Amazonas, guerreiras matriarcas que habitam Skovos, são fundamentais para a narrativa e apresentam a perspectiva daquelas que são enganadas por falsos profetas.
Também temos Lilith. A ligação de sangue entre a Filha do Ódio e o Viajante se mantém forte, mesmo após ela ser derrotada no Inferno. Em um clássico momento “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”, ela consegue se manifestar dentro da consciência do protagonista e começa a ajudá-lo para que seu pai não destrua a sua grande criação: a humanidade.
Esse trope de roteiro é clássico e até batido, mas funciona muito bem por dois motivos: Lilith é uma personagem carismática e amada pelos fãs, e esta é uma virada que vem sendo construída desde o jogo base, ao evidenciar a péssima relação entre pai e filha como combustível da história.
Falando no pai, Mefisto continua espetacular e ainda mais perigoso. Agora, fingindo ser Akarat, ele transmite uma ameaçadora paz ao falar com seus fiéis, enquanto cada confronto com o jogador faz a espinha gelar de cima a baixo. Se alguém ainda tinha dúvida, ele é um vilão espetacular.
Além deles, há também o retorno de um personagem que me fez ficar na ponta da cadeira ao aparecer, mas sobre o qual evitarei discorrer para que vocês tenham a mesma surpresa que eu.
Tudo isso é engrandecido quando olhamos para a gameplay. A estrutura é a mesma que já conhecemos (afinal, é uma expansão), mas as batalhas contra chefões são um grande destaque. Desafiadoras e emocionantes, cheias de adrenalina e com muita estratégia envolvida. O último confronto, inclusive, é apoteótico, e eu precisei mudar parte do meu estilo de jogo para ter sucesso, mesmo montando uma build consideravelmente forte.
Essa variedade nos confrontos é o que torna cada batalha memorável, a ponto de me fazer querer rejogar toda a campanha com outra classe e investir bastante no pós-game.
Falando em classe, Lord of Hatred trouxe o retorno de duas classes amadas, mas das quais eu testei apenas uma. O Paladino está disponível para quem fez a pré-venda da expansão antes de seu lançamento. Assim, escolhi testar o Bruxo, que é um mestre do conhecimento proibido capaz de invocar demônios para ajudá-lo em combate.
Admito não ser especialista em criação de builds, mas achei muito fácil construir um personagem forte o suficiente para enfrentar todos os desafios. Constantemente, a minha tela estava abarrotada de monstros e demônios, sendo metade deles poderosas invocações minhas.
Por conta dessa facilidade, acredito que quem gosta de criar guias e testar o teto de poder da classe com certeza vai se deliciar com a boa variedade de poderes e combos possíveis. Ao mesmo tempo, a Blizzard deve nerfá-la poucos dias após o lançamento.
Já o pós-game trouxe algumas novidades bem interessantes que, por conta do embargo, não pude testar em sua totalidade. Uma delas foi o Cubo Horádrico, que permite transmutar, combinar, fundir e aumentar a raridade de equipamentos e armas. Entretanto, há chances de o resultado não ser dos melhores, sendo uma opção mais voltada para loots parados no baú.
Outra novidade são os Planos de Guerra, que colocam o jogador em uma lista de reprodução de cinco atividades para evoluir uma árvore de progresso e conquistar recompensas exclusivas. Recebi com grande felicidade essa atividade por dar um objetivo mais claro ao pós-game, que muitas vezes ficava limitado a realizar as atividades diárias e eventos de temporada.
Acredito que a minha única crítica seja a curta duração da campanha de Lord of Hatred. Em aproximadamente 10 horas é possível fechar todo o conteúdo. Embora exista o argumento de que “ela dura o quanto precisa durar”, ainda parece pouco para uma expansão que custa quase R$ 180.
De forma geral, Lord of Hatred é o melhor encerramento possível que Diablo IV poderia ter, dando aos fãs tudo o que eles queriam e muito mais. É um verdadeiro deleite encerrar a Era do Ódio com um pouco de paz no Santuário.
Diablo IV: Lord of Hatred
Diablo IV: Lord of Hatred
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