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Crítica

Screamer é muito mais do que drifts e nostalgia

Game traz história complexa e identidade marcante

Omelete
5 min de leitura
11.05.2026, às 13H10.

Screamer não precisava ser muito mais do que um game de corrida com visual anime para me convencer. Referências estéticas como Initial D são vivíssimas no ideário de qualquer pessoa que goste um pouquinho de carros e cultura japonesa, mas o novo game da Milestone vai muito além das aparências, entregando mecânicas viciantes e uma história surpreendentemente elaborada — mas sem perder o charme de um arcade nostálgico.

Screamer
Divulgação/Milestone

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Apesar de ficar fora do radar de muitos fãs, a Milestone já produz jogos de corrida há mais de trinta anos, e essa não é nem a primeira vez que ela usa o nome Screamer. O título de 2026 é um remake do game de 1995, quando o estúdio ainda usava o nome Graffiti. A refação, entretanto, tem mais cara de reinterpretação, usando o drift como núcleo para expandir as barreiras do material original.

O primeiro Screamer, afinal, foi lançado para MS-DOS e tinha todas as limitações técnicas possíveis, mas ainda marcou seus jogadores por trazer uma interpretação diferente para a velocidade e, principalmente, para a forma de se fazer curvas. Essa essência é cultivada no novo projeto, que não tem nenhum medo de brincar com suas ideias.

Em pistas recheadas de luzes neon e cenários de tirar o fôlego, todos os carros são equipados com um dispositivo chamado Echo. A tecnologia permite não só que os pilotos executem pequenos boosts de velocidade durante a corrida, mas que também usem a energia acumulada para explodir os adversários.

Colocando nos termos práticos, o Echo mostra duas barras na parte superior da tela: a da esquerda é chamada de Sync, e é preenchida quando o carro troca de marchas ou quando ele alcança uma velocidade alta. Ao gastar o Sync com os boosts de velocidade, a segunda barra, chamada de Entropia, entra em cena — duas cargas desse recurso permitem o ataque explosivo, chamado de Strike.

Screamer
Divulgação/Milestone

Há algumas complexidades adicionais nesse sistema, como a possibilidade de usar escudos para se defender dos outros carros e a importância dos drifts para maximizar a troca de marchas, mas nenhuma importa tanto quanto o piloto escolhido. Cada personagem de Screamer possui uma habilidade específica que modifica levemente o funcionamento do Echo. Uma delas, por exemplo, dá Strikes gratuitos ao realizar uma determinada quantidade de drifts; outra fornece mais poder de destruição, mas deixa o carro vulnerável a colisões com o cenário.

Esse elemento estratégico de gerenciar o Echo até poderia ser um pouco demais em um cenário onde o jogador já precisa se preocupar com o tempo de frenagem e como encarar a próxima curva, mas a escolha pelo estilo arcade de gameplay facilita um pouco o processo. Ainda que Screamer peça um pouco de dedicação dos pilotos, ele é bastante tolerante a deslizes e até didático em determinados momentos, deixando claro que há mais de uma forma de dobrar à esquerda; ao mesmo tempo, ele evidencia que só uma dessas opções é a mais rápida.

Lições como essa são aprendidas ao longo de uma campanha bem mais longa do que o esperado para um título do gênero. Foram pouco mais de dez horas em um enredo que parecia ser uma simples jornada de vingança, mas que se torna mais robusto a cada fase.

Começamos com o trio de Hiroshi, Frederic e Roisín, que ficaram “órfãos” depois da morte de Quinn, líder de seu grupo. Os três entram em um torneio para tentar se vingar de Gabriel, responsável pela tragédia, mas logo são brecados pela premissa inicial do Echo: o equipamento é instalado em todos os carros da competição, e impede que qualquer piloto morra enquanto dirige. Após um Strike, o veículo e o corpo do motorista são automaticamente reconstruídos, frustrando os planos dos protagonistas.

Screamer
Divulgação/Milestone

O roteiro, inicialmente, parece que vai se dedicar a esse drama, usando o misterioso Sr. A, organizador do campeonato, e sua premiação de US$ 100 bilhões como pano de fundo para uma premissa simples. Pelo bem e pelo mal, Screamer se torna mais pirado conforme a história avança, introduzindo mais personagens, histórias paralelas e... línguas. Cada personagem do jogo fala seu idioma nativo na dublagem original, trazendo uma mistura engraçada de inglês, francês, japonês, italiano e várias outras às conversas.

Ainda que a estética de anime seja predominante, a estrutura narrativa chega a se aproximar de uma novela brasileira com seus diferentes núcleos que sondam um mesmo universo. Alguns dos pilotos de Screamer mal se encontram em diálogos e cutscenes, mas não deixam de possuir suas próprias jornadas como personagens.

Capítulos inteiramente dedicados a equipes que não são as de Hiroshi e Gabriel são quase a norma da campanha, e olhando em retrospecto a estratégia funcionou muito bem para que eu entendesse as particularidades de cada membro do elenco. Talvez haja alguma repetitividade, especialmente nas pistas, para que se tenha tempo de contar as traições, romances e traumas de todos os pilotos, e definitivamente há algumas viradas de roteiro que forçam demais a barra, mas ao menos isso é acompanhado de uma gameplay divertidíssima que, vale citar, usa extremamente bem os recursos de gatilhos adaptáveis e feedback háptico do DualSense.

Screamer
Divulgação/Milestone

Depois de uma fase final épica e dos créditos subirem, jogadores que se apegaram às carismáticas equipes de Screamer — como as cantoras da Strike Force Romanda e os mafiosos da Kagawa-Kai — ainda têm muito o que aproveitar. Modos online, multiplayer local e uma quantidade considerável de customizações para os carros estarão à disposição, garantindo mais boas horas de gameplay.

Screamer vai muito além de cumprir a nostalgia pelos jogos de corrida arcade. O game não tem o menor pudor em exaltar sua identidade com cores neon, agregando uma proposta de jogabilidade complexa e um enredo de múltiplas camadas. Talvez ele seja intenso demais para parte do público, mas sua virtude está justamente em não ter medo de desagradar.

Nota do Crítico

Screamer

Screamer

26.03.2026
Corrida, Arcade
Desenvolvedora: Milestone
Publicadora: Milestone
Classificação: 14 anos
Plataformas: PC , PlayStation 5 , Xbox Series X|S
Testado em: PlayStation 5

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